Começou nesta quarta-feira (13) a primeira edição do São Paulo Innovation Week (SPIW), festival que pretende se consolidar como o maior encontro de inovação da América Latina. Realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o evento reunirá mais de 1.500 palestrantes em 33 palcos simultâneos até dia 15 de maio, conectando temas como tecnologia, ciência, negócios, cultura e comportamento.
Entre os destaques do primeiro dia esteve o painel “As cooperativas como solução para a complexidade do agro”, que marcou a presença inédita do cooperativismo agropecuário em um evento com essa dimensão e foco em inovação. A participação do setor reforçou o avanço do agro brasileiro dentro das discussões sobre transformação tecnológica, sustentabilidade e futuro dos negócios.
Em depoimento exclusivo à MundoCoop, o presidente executivo da Coopercitrus, Fernando Degobbi, destacou a relevância simbólica e estratégica da presença do agro no festival. “É um prazer estar em um evento que trata de inovação não só a do agro, mas em tudo que a sociedade precisa e no que as empresas estão trazendo de mais moderno em todos os segmentos. Estar aqui, abrindo o painel na primeira vez que existe um tema específico do agro dentro de um evento desse porte mostra que a agricultura, principalmente, aqui no Brasil está sendo cada vez mais valorizada.”
Crédito, tecnologia e conexão com o produtor
Ao longo do painel, lideranças do cooperativismo e do agronegócio discutiram os desafios enfrentados pelo setor diante do atual cenário econômico, especialmente no acesso ao crédito e na adaptação tecnológica do campo.
O diretor executivo do Sicredi, Gustavo Freitas, ressaltou a necessidade de criatividade para ampliar o alcance das cooperativas sem comprometer a saúde financeira dos produtores. “O desafio é expandir para ter mais associados de forma criativa.”
Na mesma linha, Fernando Degobbi chamou atenção para a dificuldade do mercado financeiro em compreender as especificidades do agronegócio e defendeu soluções mais adequadas à realidade do produtor rural. “O setor financeiro precisa se unir e entender as operações, entender que o produtor vai precisar de um alongamento, algo a longo prazo.”
Outro ponto central da discussão foi a necessidade de aproximar inovação e rotina no campo. Para Degobbi, o principal gargalo do setor atualmente não está apenas na existência de novas tecnologias, mas na capacidade de conectá-las à realidade do produtor.

Segundo ele, as cooperativas têm papel estratégico nesse processo por atuarem como pontes entre empresas, soluções tecnológicas e cooperados.
Cooperativismo como ecossistema de soluções
A construção de cooperativas mais integradas, modernas e conectadas às novas gerações também esteve no centro do debate. A diretora e conselheira da Veiling Holambra, Patrícia Swart, destacou que, na Veiling, a transparência e a cultura cooperativista fortalecem a organização dos produtores e ampliam a confiança dentro das cooperativas.
Ela também reforçou a importância da sucessão geracional para o futuro do agro. “É preciso fortalecer a cultura cooperativista dentro das próprias cooperativas. As gerações estão mudando e elas precisam viver essa cultura e entender o porquê de estarem juntos.”
Para Degobbi, tecnologia, oportunidade e resultado são fatores fundamentais para manter os jovens no campo e garantir a continuidade do setor. “O que atrai o jovem a ficar em qualquer negócio é tecnologia. Mas também resultado e oportunidade.”
Já o CEO da CCAB by InVivo, Eric Seban, destacou o papel das cooperativas na inserção do produtor brasileiro no mercado global. “O Brasil é o maior produtor do mundo, mas não sabe vender.”
Segundo ele, o cooperativismo se torna essencial justamente por apoiar o produtor em áreas estratégicas enquanto ele administra os inúmeros desafios da operação agrícola.
Agro mais próximo da sociedade
Ao encerrar a discussão, os participantes também defenderam uma comunicação mais eficiente do agronegócio com a sociedade. Para Fernando Degobbi, o setor ainda enfrenta dificuldades em explicar sua complexidade e importância de forma clara para o público. “Às vezes resumimos o agro em uma propaganda ou a um ato isolado, mas o agro precisa ser melhor explicado.”
A moderadora do painel, Ana Malvestio, reforçou que o cooperativismo pode ser uma ferramenta decisiva para enfrentar os desafios globais ligados ao agro e à sustentabilidade. “Nós temos no cooperativismo uma grande ferramenta para superar os desafios do mundo, ainda mais do agro.”



Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop












