Cooperativas mirins crescem no Brasil com 15 mil crianças e adolescentes em projetos de empreendedorismo

Thiago Junior Magri Coelho faz planos multiplicar o dinheiro arrecadado ao longo do ano na cooperativa da qual é presidente em Terraboa (PR). A organização se dedica ao plantio e vendas de hortaliças e suculentas, tanto em eventos como em estabelecimentos comerciais. “Agora que temos um caixa guardado, nosso projeto é produzir alguns produtos que ofereçam um pouco mais de margem de lucro”, afirma.

Mas o que chama a atenção é a idade do dirigente: 12 anos. Aliás, todos os 30 cooperados possuem entre 8 e 16 anos. Eles fazem parte da Cooperativa Mirim Cooperluz, criada em 2022 atrávés de um projeto feito em parceria entre a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Instituto Sicoob e prefeituras.

O programa tem o objetivo de fomentar a criação de consciência coletiva, empreendedorismo e responsabilidade social entre os jovens. Hoje, cerca de 150 cooperativas mirins estão em funcionamento no país, a maioria no Sul e Sudeste, somam 15 mil crianças e adolescentes.

Thiago participa há três anos das aulas semanais oferecidas pela Cooperluz. Sob supervisão de professores e voluntários, os jovens cooperados criaram uma horta em garrafas pet como atividade de aprendizado sobre custos de produção, geração de renda, meio-ambiente e cidadania. Com essa etapa cumprida, voltam para a sala de aula para aprender sobre marketing e empreendedorismo.

Segundo Felype Gabriel Laureto, de 10 anos, tesoureiro da Coopeluz, os planos são promissores. “Tudo aqui é decidido por votação e registrado em atas. Também controlamos as entradas e saídas em livro-caixa e o balanço apresentado a todos mensalmente”, conta.

“Acreditamos que projetos como esse expandem o movimento cooperativista e contribuem para a formação de cidadãos responsáveis e futuros agentes de mudança”, relata a professora de educação ambiental Francisca Rubinato.

A diretora administrativa de projetos Educação ambiental e orientadora da Cooperluz, Ana Martareli de Oliveira Pelegrini, conta que, desde 2022, cresceu o interesse dos jovens tanto para ingressar na cooperativa quanto para permanecer praticando as atividades, mesmo após os 13 anos completos – idade limite estipulada pelo estatuto. A solução encontrada foi criar novas funções dentro da estrutura e diretoria, que viabilizassem essa continuidade.

Foi assim que Hilary Kaiany Pereira de Oliveira, de 15 anos, primeira presidente da Cooperluz, pôde continuar a integrar a equipe. Hoje, ela é social media e fica responsável pela produção e aprovação de conteúdo da cooperativa.

“A comunicação digital já faz parte da rotina. Todos tiramos fotos, produzimos vídeos sobre o dia-a-dia e postamos, sob supervisão das nossas orientadoras”, explica. Ferramentas como inteligência artificial, incluindo ChatGPT, também passaram a ser utilizadas pelos jovens no desenvolvimento de artes e legendas.

A diretora Ana Martareli ressalta que a participação das crianças e adolescentes é voluntária, e as atividades acontecem duas vezes por semana, no contraturno escolar. “As atividades têm início com palestras, nas escolas, sobre princípios e valores cooperativistas. Com consentimento dos pais, os interessados começam a frequentas as atividades”, diz.

A partir daí, o processo de constituição e funcionamento de uma cooperativa mirim é realizado como uma cooperativa tradicional, para que sejam aprendidos todos os passos.

“Os integrantes dão nome à cooperativa, elegem conselhos administrativo e fiscal, montam estatuto social, criam os objetivos e realizam assembleias para votações. Enfim, todo o processo formal, adequado às realidades locais e à faixa etária dos integrantes”, explica Ana.


Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop

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