O Paraná possui 19 cooperativas agropecuárias entre as mil maiores empresas do Brasil. Juntas, essas entidades somam cerca de R$ 158,7 bilhões em receita líquida, segundo o ranking Valor 1000.
Estes são grupos de grande porte, diversificados, que investiram fortemente em industrialização e verticalização. Essa estratégia transformou-as em colossos com capacidade de gestão e negociação, fatores que garantem a prosperidade mesmo em tempos desafiadores para o agro brasileiro.
- A nova empresa terá um faturamento de R$ 6,4 bilhões, rivalizando com gigantes como Coopavel e Frimesa.
- A Coasul foi criada em 1969 e atende a mais de 17 mil cooperados em 62 unidades no Paraná e Santa Catarina.
- A Codepa, fundada em 2001, atende 1,8 mil associados e teve crescimento de 15% no último ano.
- A fusão depende da aprovação dos associados nas assembleias de outubro e da liberação do Cade.
- O objetivo principal é viabilizar investimentos em industrialização, superando as dificuldades de crédito e juros altos.
Formação de uma nova gigante do agronegócio
Nas próximas semanas, uma nova potência agroindustrial deve surgir para reforçar essa lista. A nova entidade nasce da fusão de duas cooperativas que, embora menos badaladas nacionalmente, já possuem grande peso na região Sudoeste do Estado paranaense.
A união da Coasul Cooperativa Agroindustrial, sediada em São João, e da Codepa, de Mangueirinha, será votada em assembleias extraordinárias separadas. Os associados das duas entidades devem se reunir ao longo do mês de outubro, com datas ainda a serem confirmadas. Além do voto dos cooperados, a operação precisa passar pela análise e aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Com a incorporação da Codepa pela Coasul, espera-se a criação de uma agroindústria com receita de R$ 6,4 bilhões. Essa cifra coloca a nova entidade no mesmo patamar de gigantes do cooperativismo, como a Coopavel (R$ 6,3 bilhões) e a Frimesa (R$ 7 bilhões).
Estrutura e números das cooperativas envolvidas
A Coasul foi fundada em 1969, inicialmente para comercializar trigo. Em 2025, sua receita atingiu R$ 5,7 bilhões, registrando um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior. Hoje, sua rede integra mais de 17 mil cooperados e gera cerca de 4,7 mil empregos diretos.
A cooperativa possui 62 unidades distribuídas por cidades do Paraná e Santa Catarina. Suas atividades incluem o recebimento de grãos, lojas de insumos agrícolas, fábrica de rações, abatedouro de aves, beneficiamento de sementes e uma indústria de óleos e farinhas voltada ao aproveitamento de subprodutos.
Já a Codepa começou a operar em 2001. Ela atende a mais de 1,8 mil cooperados e conta com oito unidades agropecuárias, de máquinas, peças e implementos agrícolas. Além disso, possui uma fábrica de rações, cinco pontos de recebimento e armazenagem de grãos, e uma unidade de beneficiamento de sementes de soja, trigo e feijão.
A Codepa registrou um faturamento de R$ 574 milhões no último ano, o que representa um crescimento de 15% se comparado a 2024.
Motivações e continuidade das operações
Segundo um comunicado publicado pelas cooperativas, o processo de integração será conduzido com total transparência. Neste primeiro momento, a rotina e as operações atuais não terão alterações.
A Coasul assumirá todas as obrigações e deveres, mas também pega todos os direitos que a Codepa tem, todo o patrimônio físico e todas as estruturas. Ficamos felizes pela qualidade das estruturas de armazenagem que a Codepa tem, relatou o vice-presidente da Coasul, Paulo Roberto Fachin.
Para o diretor-presidente da Codepa, Nelson Konzen, a necessidade de investimentos na industrialização é uma das justificativas principais para a união. Hoje, mesmo uma cooperativa sólida que nem a nossa, existe dificuldade em buscar recursos para montar uma indústria, afirmou.
A gente achou muito difícil, a questão do endividamento, do juro alto. Então, depois de algumas reuniões, optamos por sermos incorporados pela Coasul a partir do ano que vem, completou o dirigente.
Segundo os líderes, o projeto de incorporação trará benefícios a cooperados, colaboradores, parceiros e às comunidades. Todos os compromissos assumidos entre a Codepa e seus cooperados serão mantidos e respeitados, garantindo a continuidade das relações estabelecidas, diz o comunicado oficial.
Após o cumprimento de todas as etapas legais do processo, as cooperativas continuarão operando de forma autônoma e independente no mercado. Até o ano que vem, a gente vai tocar normalmente a cooperativa. Não vai ser uma mudança radical. O nosso cooperado é importante e os nossos mais de 300 colaboradores também, finaliza o diretor-presidente da Codepa.
Fonte: Portal BRA1 com adaptações da MundoCoop












