Sistema OCB publica artigo em revista internacional sobre resiliência de cooperativas médicas brasileiras

Estudo sobre riscos de insolvência mostrou maior resiliência financeira das cooperativas de saúde

Uma pesquisa desenvolvida por analistas do Sistema OCB e publicada na quinta-feira (21) em uma das mais importantes revistas científicas internacionais sobre cooperativismo trouxe novas evidências sobre a força e a sustentabilidade do modelo cooperativista no setor de saúde suplementar brasileiro. O estudo aponta que cooperativas médicas apresentam menor risco de insolvência quando comparadas a outros modelos organizacionais do setor.  

O artigo, intitulado Beyond profit maximization: The effect of cooperative governance on insolvency risk in the Brazilian supplementary healthcare industry (Além da maximização do lucro: o efeito da governança cooperativa sobre o risco de insolvência no setor brasileiro de saúde suplementar), foi publicado no Annals of Public and Cooperative Economics, periódico científico editado pela Wiley e reconhecido internacionalmente como uma das principais referências em economia cooperativa. Em circulação desde 1908, a revista reúne pesquisas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável, governança e modelos cooperativistas em diferentes países. 

A pesquisa teve autoria principal do analista do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Thiago Victorino, com coautoria dos analistas Arthur Nery e Rodrigo Rangel. O estudo surgiu de uma inquietação comum entre os pesquisadores: a ausência de trabalhos voltados especificamente às cooperativas quando o assunto é previsão de insolvência. A maior parte da literatura internacional sobre o tema concentra-se em empresas tradicionais com fins lucrativos, sem considerar as características próprias das cooperativas. 

A partir dessa lacuna, os pesquisadores desenvolveram um modelo de análise aplicado ao mercado brasileiro de saúde suplementar, incluindo tanto operadoras privadas quanto cooperativas médicas. O objetivo era entender se a estrutura cooperativista influencia a resiliência financeira das organizações, e os resultados apontaram que sim. 

Eficiência operacional 

De acordo com o estudo, cooperativas apresentaram probabilidade de insolvência cerca de 4,8 pontos percentuais menor do que empresas não cooperativas. A pesquisa também identificou que essas organizações seguem uma lógica de gestão diferente das voltadas exclusivamente ao lucro de curto prazo. 

Enquanto empresas tradicionais tendem a sofrer maior pressão de indicadores ligados à rentabilidade imediata, nas cooperativas a sustentabilidade financeira aparece mais conectada à eficiência operacional, à gestão responsável e à capacidade de gerar valor aos cooperados. O estudo aponta ainda que objetivos sociais e solidez financeira são conceitos que podem atuar juntos no fortalecimento das organizações.  

Outro aspecto destacado pelos pesquisadores é que o modelo cooperativista contribui para reduzir riscos. A lógica de gestão compartilhada, o compromisso de longo prazo com os cooperados e os mecanismos de apoio entre cooperativas ajudam a criar estruturas mais resilientes diante de cenários econômicos desafiadores.  

“Publicar um artigo em uma revista científica tão relevante para o cooperativismo mundial mostra que o Sistema OCB também contribui para a produção de conhecimento de alcance internacional. É um trabalho que fortalece o posicionamento do cooperativismo brasileiro não apenas como modelo econômico, mas também como referência em pesquisa e inovação”, afirmou o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa. Segundo ele, os resultados ajudam a ampliar a compreensão sobre o impacto do modelo cooperativista na sustentabilidade das organizações.  

Além da contribuição acadêmica, o estudo possui potencial de aplicação prática para o setor de saúde suplementar. Os resultados podem apoiar análises de risco, estratégias de gestão e discussões regulatórias envolvendo cooperativas médicas e operadoras de saúde, inclusive em órgãos como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 


Fonte: Sistema OCB com adaptações da MundoCoop

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