O compromisso do cooperativismo em Minas Gerais com o combate às mudanças climáticas foi reconhecido durante o Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol, que encerrou o ciclo 2026. Este ano, o Sistema Ocemg e mais 10 cooperativas do Estado receberam certificações por medir e publicar suas estimativas de emissões de gases de efeito de estufa. Os chamados inventários de carbono são o primeiro passo para conhecer o impacto climático das atividades econômicas, identificar as principais fontes de emissão e definir estratégias para reduzi-las.
O Sistema Ocemg recebeu, pela primeira vez, o Selo Ouro, nível máximo da premiação, destinado às organizações que apresentam inventários completos e submetem os dados à verificação de uma instituição independente e acreditada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). “Esse resultado representa um passo importante na trajetória de sustentabilidade do Sistema Ocemg. Nosso compromisso é educar pelo exemplo, mostrando que o cooperativismo é parte da solução para os desafios climáticos”, afirma o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato.
Criado em 2008, o Programa Brasileiro GHG Protocol possui ferramentas de cálculo para estimativas de emissões de gases do efeito estufa adaptadas à realidade brasileira. A metodologia considera desde fontes sob responsabilidade direta de uma organização – como consumo de água, energia, uso de combustíveis – até os impactos associados a emissões de carbono em viagens e a outras atividades de sua cadeia de valor.
Segundo Lucas Cesilla de Souza, gestor do Programa Brasileiro GHG Protocol do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), conhecer e organizar as emissões permite que a pauta climática seja incorporada às decisões de uma instituição, seja uma empresa, governo ou cooperativa. “Os dados inventariados fornecem informações para a tomada de decisão em relação a estratégias de redução de emissões, eficiência operacional e gestão de riscos climáticos”, explica.
No Sistema Ocemg, esse diagnóstico orientou mudanças nas práticas internas. Uma delas foi a substituição de veículos da frota por modelos flex e híbridos, medida que contribuiu para uma queda de 43,2% no consumo total de combustível e de 34,5% nas emissões provenientes desse uso.
Evolução contínua
Para indicar o grau de abrangência e confiabilidade dos inventários publicados, o Programa Brasileiro GHG Protocol adota três níveis de qualificação. A classificação considera tanto a quantidade de fontes incluídas no documento quanto a existência de verificação independente dos dados. Conheça as diferenças:
- Selo Bronze: Aplicado aos inventários parciais, que ainda não reúnem todas as unidades, fontes de emissão ou gases previstos pela metodologia.
- Selo Prata: Identifica os inventários completos, que contabilizam todas as fontes obrigatórias de emissões diretas e aquelas relacionadas à energia adquirida.
- Selo Ouro: Além de cumprir os requisitos do nível Prata, exige que as informações sejam avaliadas por um organismo independente acreditado pelo Inmetro. É o nível conquistado pelo Sistema Ocemg.
“Essa escala progressiva permite que organizações em diferentes estágios de maturidade participem do programa e tenham um caminho claro de evolução na qualidade de seus inventários”, observa Souza.
Compromisso coletivo
Além do Sistema Ocemg, dez cooperativas mineiras publicaram, no último ano, seus inventários no Registro Público de Emissões e receberam selos do Programa Brasileiro GHG Protocol.
Capul, Carpec, CCPR, Cogran, Coocafé, Coopmetro, Cooxupé e monteCCer tiveram seus inventários classificados com o Selo Prata, destinado às organizações que apresentam todas as informações obrigatórias. Coocacer Araguari e Expocacer alcançaram o Selo Ouro, que também inclui a verificação dos dados por uma entidade independente.
Na avaliação de Scucato, o reconhecimento demonstra que a sustentabilidade é um compromisso coletivo do cooperativismo mineiro e um diferencial estratégico. “Os selos reafirmam a seriedade com que o cooperativismo em Minas Gerais vem incorporando a agenda climática à sua gestão”, avalia. “É o nosso setor mostrando, na prática, que é possível conciliar resultados com um modelo de desenvolvimento que também preserva o meio ambiente”.
Fonte: Sistema Ocemg












