As cooperativas ampliaram sua presença entre algumas das maiores organizações brasileiras e aparecem em posições relevantes na edição 2026 do Valor 1000. O levantamento conduzido pelo Serasa Experian reúne empresas de diferentes setores da economia e mostra a participação do cooperativismo no ranking geral, no sistema financeiro e na saúde suplementar.
O Valor Econômico publica o anuário, que chega à 26ª edição com base nos resultados do exercício de 2025. O levantamento reúne as mil maiores empresas do país e também apresenta classificações específicas de diferentes segmentos. Entre as cooperativas, os destaques aparecem no agronegócio, entre os maiores bancos e na lista das principais operadoras de planos de saúde.
Ranking geral
No ranking geral, que classifica as empresas de acordo com a receita líquida, quatro cooperativas aparecem entre as 100 maiores do país. A Coamo ocupa a 55ª posição, seguida pela Lar, em 61º lugar, pela C.Vale, em 62º, e pela Cooxupé, em 84º. A presença nesse grupo apresenta, novamente, a escala alcançada principalmente pelas cooperativas ligadas ao agronegócio brasileiro. Ao todo, 20 cooperativas integram a relação das mil maiores empresas do país na edição 2026.
Entre elas, a Coamo também aparece como a maior empresa do Paraná e a terceira maior da Região Sul. Sediada em Campo Mourão, a cooperativa manteve posição de destaque no levantamento à frente de companhias tradicionais instaladas no estado, como Copel, Renault e Volvo.
A Cooxupé registrou um dos movimentos mais expressivos entre as cooperativas. A organização avançou 45 posições em relação à edição anterior, passando do 129º para o 84º lugar e entrando no grupo das 100 maiores empresas brasileiras.
A receita líquida alcançou R$ 16,997 bilhões, alta de 59%, enquanto o lucro líquido somou R$ 380,7 milhões, crescimento de 17,6%. “Avançar 45 posições no Valor 1000 é um resultado expressivo para a Cooxupé. A chegada ao grupo das 100 maiores empresas do ranking mostra a solidez da cooperativa e a capacidade de um modelo construído a partir da união dos produtores”, afirma Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé.
Cooperativismo financeiro no Top 10
A participação cooperativista também se estende ao ranking dos 100 maiores bancos. Sicredi e Sicoob ocupam posições consecutivas entre as dez maiores instituições financeiras do país: o Sicredi aparece em 7º lugar e o Sicoob em 8º, reforçando a presença do modelo cooperativo em um mercado marcado pela atuação de grandes bancos nacionais e internacionais.
No Sicoob, o levantamento registra R$ 430 bilhões em ativos. A instituição ocupa a 6ª posição em depósitos totais, com R$ 266,9 bilhões, e a 7ª em operações de crédito, com R$ 200,6 bilhões. Também aparece em 7º lugar em patrimônio líquido, com R$ 62,1 bilhões, e em 8º em lucro líquido, que alcançou R$ 10,4 bilhões.
O Sicredi, por sua vez, manteve a 7ª posição entre os maiores bancos e continuou ampliando sua dimensão ao longo de 2026. Em julho, já depois do exercício considerado pelo Valor 1000, a instituição superou R$ 500 bilhões em ativos totais e chegou a 10,5 milhões de associados, com presença em mais de 2,1 mil municípios e mais de 3,1 mil agências. “Figurar entre as maiores instituições financeiras do país demonstra a força do modelo cooperativo e sua capacidade de crescer de forma consistente, sem perder a proximidade com os associados”, destaca Alexandre Barbosa, diretor executivo de Administração e Finanças do Sicredi.
Cooperativas ocupam 68% do ranking de saúde
Na saúde suplementar, a participação cooperativista é ainda mais concentrada. Das 50 maiores operadoras listadas pelo Valor 1000, 34 são cooperativas médicas, o equivalente a 68% do ranking. Quando considerada também a Seguros Unimed, que não integra essa contagem como cooperativa, o Sistema Unimed ocupa 35 posições e alcança 70% da lista.
Três organizações do Sistema aparecem no Top 10: a Central Nacional Unimed ocupa a 5ª posição, a Unimed Belo Horizonte aparece em 7º e a Seguros Unimed em 9º. As três mantiveram as mesmas colocações registradas na edição anterior. Entre os movimentos do ano, a Unimed Paraná avançou sete posições, do 50º para o 43º lugar, enquanto a Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo entrou pela primeira vez no Top 50, em 49º.
A presença distribuída pelo ranking também acompanha uma característica do modelo, formado por cooperativas com atuação regional em diferentes partes do país. Para a Unimed do Brasil, essa estrutura aproxima a operação das necessidades de cada território.
Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil, acredita que a atuação regional das cooperativas fortalece a proximidade com os pacientes e amplia o impacto do modelo nas comunidades onde elas estão presentes. “O modelo cooperativista nos permite entender de perto a realidade de cada município e reinvestir recursos na própria comunidade, gerando valor para além do cuidado em saúde”, pontua.
Por João Victor – Redação MundoCoop












