Dados reunidos pelo AnuárioCoop 2026 mostram que o cooperativismo está presente em diferentes setores e regiões do mundo. O movimento reúne cerca de 3 milhões de cooperativas, 1 bilhão de cooperados e gera 280 milhões de empregos.
E, a cada ano, o Brasil tem ocupado uma posição mais relevante nesse cenário. Segundo o levantamento apresentado pelo Sistema OCB, o país reúne 4.400 cooperativas, mais de 29 milhões de cooperados e 613,4 mil empregos. Em 2025, essas organizações somaram R$ 848,4 bilhões em ingressos e R$ 61,3 bilhões em sobras. A projeção internacional também se reflete na presença de nove cooperativas brasileiras entre as 300 maiores do mundo.
Escala diversificada
Apesar da expressão numérica, a presença das cooperativas brasileira no cenário internacional não se limita apenas ao número de organizações. O país desenvolveu sistemas cooperativos de grande alcance na agropecuária, crédito, saúde e infraestrutura. No agronegócio, por exemplo, as cooperativas respondem por 53% da produção nacional de grãos, possuem 25% da capacidade de armazenamento e mantêm 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural.
Já no sistema financeiro, as cooperativas representam 22% da carteira de crédito rural. Também são a única instituição financeira presente em 1.072 municípios brasileiros, o que reforça sua participação na inclusão financeira e no atendimento a localidades com menor presença bancária.
Na saúde, o panorama internacional apresentado pelo AnuárioCoop 2026 posiciona o Sistema Unimed como a maior cooperativa do mundo na categoria de educação, saúde e trabalho social.
Presença no mercado internacional
O comércio exterior é outra frente dessa projeção de destaque. O AnuárioCoop 2026 aponta que 140 cooperativas brasileiras registraram US$ 17,4 bilhões em receitas com exportações, valor equivalente a 10,3% das vendas externas do agronegócio nacional.
A inserção internacional, entretanto, permanece concentrada. Dez cooperativas respondem por 67% das exportações do setor. O cenário indica que o país já possui organizações competitivas no mercado externo, mas ainda possui potencial para ampliar o acesso de cooperativas de menor porte a certificações e canais de comercialização.
Reconhecimento institucional
A publicação da Lei 15.433/2026 acrescentou uma nova dimensão a essa presença ao reconhecer o cooperativismo como manifestação da cultura nacional. A norma destaca valores como ajuda mútua, participação democrática, responsabilidade compartilhada e desenvolvimento coletivo, além de reforçar o papel do Estado no apoio à atividade.
A decisão aproxima o Brasil da agenda internacional de preservação do patrimônio cooperativo. Lançado pela Aliança Cooperativa Internacional em 2025, o projeto Cooperative Cultural Heritage começou com uma lista de 32 patrimônios localizados em 25 países. Em 2026, a iniciativa deve avançar na identificação de práticas, tradições e sistemas de governança relacionados à cultura da cooperação.
O movimento também se relaciona ao reconhecimento concedido pela Unesco, em 2016, à ideia e à prática de organização de interesses comuns por meio de cooperativas. Ao incorporar o cooperativismo à legislação cultural, o Brasil cria uma referência que pode apoiar iniciativas semelhantes em outros países.
A escala econômica, a presença em setores estratégicos e o avanço institucional ampliam a participação brasileira nas agendas internacionais do movimento. O desafio está em transformar essas experiências em maior acesso a mercados, cooperação técnica e presença das cooperativas nacionais nos espaços globais de decisão.
Por Redação MundoCoop com infomrações da Alinça Cooperativa Internacional e do AnuárioCoop 2026












