Qual seria a principal contribuição do cooperativismo na busca por sociedades mais prósperas? As diversas questões que permeiam o Cooperativismo e seus princípios revelam para quem convive com ele aspectos relevantes que nos trazem reflexões animadoras. Ao longo da trajetória profissional, fomos levados a admirar independência, autonomia e capacidade individual como atributos centrais. Crescer, achávamos, significava depender cada vez menos dos outros. A experiência, porém, ensina lições menos óbvias. A autonomia continua sendo essencial, mas os melhores resultados costumam surgir por meio da cooperação.
A convivência com o cooperativismo reforça isso a cada dia. Soluções eficientes nascem, muitas vezes, presas ao contexto que as originou. Mas quando cooperativas diferentes trocam experiências e adaptam caminhos, uma resposta pensada para um único espaço pode beneficiar milhares de pessoas.
Ideias promissoras ganham ainda mais força quando circulam e incorporam novas contribuições. Isso não diminui o mérito de quem as criou. Pelo contrário, esse mérito se multiplica quando outros ajudam a levá-las adiante. Embora a competição tenha seu papel no desenvolvimento econômico, ela nem sempre garante prosperidade duradoura. Nenhuma comunidade preserva equilíbrio quando oportunidades deixam de circular. Nenhuma economia sustenta crescimento no longo prazo quando os benefícios ficam concentrados nos mesmos espaços.
Um movimento que já é realidade
Esse cenário ajuda a explicar por que o cooperativismo segue crescendo em diferentes partes do mundo. Segundo a International Cooperative Alliance, mais de 1 bilhão de pessoas participam hoje de cooperativas, cerca de 12% da população global. No Brasil, são 25 milhões de cooperados e, de acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras, mais de 4,5 mil cooperativas respondem por cerca de 6% do PIB nacional. Não por acaso, o país acaba de dar um passo importante nessa direção. A Lei nº 15.433/2026 reconheceu oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional, reforçando o que o dia a dia de milhões de brasileiros já mostrava: relações construídas com colaboração, confiança e compromisso coletivo geram impacto concreto.
Entre as vivências que mais me marcaram, poucas ensinaram tanto quanto observar cooperativas atuando em conjunto. Determinados avanços mudam de escala quando deixamos de olhar apenas para o que beneficia nossas organizações e passamos a enxergar o alcance de soluções construídas coletivamente. Isso acontece entre cooperativas singulares, entre equipes, entre sistemas. É esse movimento, o princípio da intercooperação, que explica boa parte do impacto do modelo.
O setor de saúde ilustra isso com clareza. Mesmo o médico mais preparado conta com uma equipe multiprofissional para alcançar os melhores resultados. Nenhum paciente atravessa um tratamento delicado sem uma rede inteira de profissionais atuando juntos, compartilhando conhecimento e dividindo responsabilidades. Certos resultados simplesmente não pertencem ao esforço isolado.
Uma lição para o Dia Internacional do Cooperativismo
Neste Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado sob o tema “Cooperativas por um mundo pacífico”, demonstra que anos de convivência com esse modelo ajudaram a construir: crescer sozinho nunca foi a forma mais inteligente de construir algo duradouro. Permitir que outras pessoas avancem conosco, respeitando os méritos individuais, amplia o que somos capazes de realizar. No fim, é assim, com prosperidade compartilhada, que sociedades mais fortes se constroem.
Dr. Remaclo Fischer Junior é presidente do Sistema Unicred












