Sicredi reforça expansão em São Paulo com foco em relacionamento e desenvolvimento local

Durante o Encontro com a Imprensa realizado na última segunda-feira (15), em São Paulo, o Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP reuniu jornalistas para apresentar os resultados da cooperativa, compartilhar perspectivas para os próximos anos e discutir o papel do cooperativismo financeiro em um mercado cada vez mais competitivo e digitalizado.

A MundoCoop esteve presente no encontro e acompanhou as apresentações da diretoria, que abordaram temas como a expansão da cooperativa no estado de São Paulo, os impactos econômicos gerados pelo modelo cooperativista, os investimentos em educação financeira e os desafios de manter a proximidade com os associados em um cenário de crescente digitalização dos serviços financeiros.

Com atuação em 51 municípios dos estados de São Paulo e Paraná, a cooperativa reúne atualmente 293 mil associados, 101 agências e 1.710 colaboradores. Desse total, 44 unidades estão concentradas em oito municípios paulistas, mercado apontado como uma das principais frentes de crescimento da instituição nos próximos anos.

Presença que acompanha o crescimento

A expansão do Sicredi Vale do Piquiri em São Paulo foi um dos principais temas abordados durante o encontro. Atualmente, a operação paulista responde por cerca de R$ 4 bilhões dos aproximadamente R$ 14 bilhões administrados pela cooperativa, participação que tem crescido de forma consistente nos últimos anos.

De acordo com Jaime Basso, a presença física continua desempenhando papel importante na estratégia de crescimento da instituição, especialmente em regiões onde a cooperativa busca ampliar sua participação e fortalecer vínculos com a comunidade local. “São Paulo hoje, na operação da cooperativa como um todo, está em torno de R$ 4 bilhões. Dos cerca de R$ 14 bilhões da cooperativa, aproximadamente R$ 4 bilhões já estão aqui. E essa participação cresce ano a ano. A tendência é que a operação em São Paulo continue crescendo bastante. Mas é um processo gradativo, de crescimento e evolução. Não acontece de uma hora para outra. É muita labuta, mais transpiração do que inspiração”, afirmou.

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Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP

O executivo também relembrou os primeiros passos da cooperativa na capital paulista e o ceticismo que cercava a chegada de uma instituição cooperativa a um dos principais centros financeiros do país. Segundo ele, a trajetória da agência da Avenida Paulista simboliza essa transformação. “É impressionante observar que essa agência está entre as maiores do Sicredi. Na época, muita gente comentava que cooperativa não funcionava em grandes centros. Inclusive pessoas do próprio sistema diziam que uma estrutura daquele porte na Avenida Paulista não daria certo. Hoje ela está entre as maiores agências do Sicredi.”

Proximidade

Além dos números, a defesa do relacionamento próximo com os associados esteve em grande parte da apresentação. Para o presidente Jaime, o crescimento da digitalização no setor financeiro ampliou também a eficiência operacional das instituições, mas também criou uma distância maior entre empresas e clientes.

Nesse contexto, o cooperativismo financeiro tem buscado manter uma lógica diferente, baseada no contato direto, na escuta e na presença territorial. Segundo o presidente, esse modelo vem ajudando a explicar o avanço das cooperativas em mercados cada vez mais disputados. “As pessoas gostam de ser valorizadas. A gente é gente em qualquer lugar do mundo e precisa de gente para ser gente. Precisamos envolver as pessoas e criar esse movimento de proximidade. O mercado financeiro tradicional cresceu muito, automatizou processos e acabou se afastando das pessoas. Quando surge um problema, o associado quer conversar com alguém. Não é um robô que vai resolver tudo. Essa proximidade é algo que as cooperativas continuaram fazendo.”

Os números do sistema Sicredi ajudam a dimensionar essa presença. Atualmente, a instituição reúne 10,3 milhões de associados, 51,2 mil colaboradores, 99 cooperativas e 3.055 agências em todo o país. Em 236 municípios brasileiros, o Sicredi é a única instituição financeira presente.

Recursos que permanecem na comunidade

Outro tema recorrente durante o encontro foi o impacto econômico gerado pelo modelo cooperativista. Ao explicar o chamado “ciclo virtuoso” das cooperativas financeiras, Jaime Basso destacou que os recursos captados permanecem circulando nas próprias regiões onde são gerados, contribuindo para o fortalecimento das economias locais. Segundo ele, esse movimento se torna ainda mais relevante em municípios menores, onde a ausência de instituições financeiras pode dificultar o acesso ao crédito e estimular a transferência de recursos para outras cidades. “O que acontece muitas vezes é que o dinheiro sai do local. A cooperativa faz o contrário. Estando presente na comunidade, ela fomenta a circulação dos recursos na própria região. O dinheiro não sai, continua movimentando a economia local. Isso é importante para gerar desenvolvimento.”

A lógica apresentada pelo dirigente também aparece nos indicadores econômicos do sistema. Em 2025, o Sicredi gerou R$ 31,1 bilhões em benefícios econômicos aos associados. Desse total, R$ 21,8 bilhões vieram do benefício econômico de crédito, R$ 5,8 bilhões do benefício econômico de depósitos e R$ 3,5 bilhões do benefício econômico de exercício. Segundo os dados apresentados, cada associado obteve uma economia média de aproximadamente R$ 3,1 mil ao movimentar recursos na cooperativa.

Pessoas e educação

A programação também destacou iniciativas voltadas à formação de lideranças, educação financeira e fortalecimento da cultura cooperativista. Entre os destaques estão os Comitês Mulher e Jovem, que atuam na preparação de novas lideranças para o futuro das cooperativas.

A educação financeira aparece como uma das prioridades da instituição. Programas como A União Faz a Vida, Finanças na Mochila, Crescer e Pertencer foram apresentados como ferramentas para ampliar o conhecimento financeiro, incentivar a participação dos associados e fortalecer o vínculo das comunidades com o cooperativismo. Somente em 2025, o programa A União Faz a Vida impactou 11.160 crianças e adolescentes na área de atuação da cooperativa e mais de 574 mil em todo o sistema. Já o Finanças na Mochila alcançou 5.251 alunos na cooperativa e mais de 81 mil estudantes em âmbito nacional.

“Hoje, para mudarmos essa cultura financeira das pessoas, precisamos começar desde os pequenos. Com exemplos e experiências práticas. É como andar de bicicleta: depois de adulto fica mais difícil aprender.”

Ao encerrar a apresentação, Jaime Basso reforçou que o crescimento do cooperativismo depende da capacidade de equilibrar tecnologia, eficiência operacional e relacionamento humano. Para ele, a construção de vínculos duradouros continua sendo um dos principais diferenciais competitivos das cooperativas financeiras em um cenário de constantes transformações no mercado.


Por João Victor – Redação MundoCoop

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