Com mais de 10 anos de atuação, a Cooperativa Rainha da Reciclagem, com o projeto Guerreiros de Deus, continua transformando a vida de pessoas que vivem em vulnerabilidade, oferecendo emprego e educação ambiental por meio da reciclagem.
Atuando na Zona Leste de São Paulo e no bairro Humaitá, na cidade de São Vicente, a fundadora e CEO do projeto, Elinéia Jesus, conhecida como Rainha da Reciclagem, ganhou destaque internacional. A cooperativa está sendo reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) por conta do seu trabalho com a sustentabilidade e inclusão social.
“Eu recebi o convite pra escrever a minha história pra ONU e isso foi mágico. Eu não fazia ideia da emoção que é ver o seu nome aparecer na ONU”, declarou.
Atuação em São Vicente
Em 2024, a organização conseguiu uma vitória em um chamamento público da prefeitura de São Vicente, o que possibilitou a instalação da cooperativa dentro da cidade.

No início do projeto, eram coletadas cerca de 80 toneladas de resíduos, atendendo a 80 prédios. Atualmente, a operação triplicou esse volume, alcançando 198 toneladas de resíduos processados.
De acordo com Elinéia, um dos motivos fundamentais pelos quais São Vicente foi escolhida como alvo para abrigar o projeto reside no fato de a cidade enfrentar um grande problema com o acúmulo de resíduos e lixo.
Dessa forma, a presença da cooperativa torna-se essencial não apenas para mitigar esse impacto ambiental, mas também para promover a organização urbana. Somado a isso, a atuação do projeto vai além da coleta convencional, uma vez que a organização também assume a responsabilidade pela gestão de três ecopontos estratégicos situados nos bairros Náutica, Futuro A e Rio Branco.
Trabalho social
O diferencial da Rainha da Reciclagem é a união da preservação ambiental com o resgate humano. “Aliamos nossa expertise na gestão de resíduos sólidos a um projeto de resgate humano, oferecendo acolhimento e dignidade a pessoas em situação de rua”, afirmou.
De acordo com a Rainha, os acolhidos vivem com a equipe, recebendo tratamento e dignidade. O projeto ajuda no processo de reintegração à sociedade.
“Eu tiro as pessoas das ruas, levo elas para uma casa onde tiro toda a documentação, fico dois meses formando o agente ambiental e depois ele passa a ser um cooperado”, explicou.
Este modelo garante à cooperativa uma mão de obra dedicada e qualificada, resultando em um índice de recuperação de 80% para aqueles que saem das ruas.
“Promovemos a inclusão social para desconstruir estigmas e mostrar à sociedade que quem viveu nas ruas não é um monstro, mas alguém que merece dignidade e respeito”.
Reconhecimento internacional
O impacto social da cooperativa, que mantém 11 dos maiores projetos sociais da América Latina voltados à população de rua, chamou a atenção da ONU.
Após indicação da prefeitura de São Paulo, representantes da organização internacional visitaram o projeto e convidaram a Pastora Neia para escrever sua história na plataforma da entidade, tornando-a uma referência global em inclusão social e meio ambiente.
Vinda do mundo do crime e da prostituição, a Pastora Neia contou que sua identificação com as pessoas foi um fator decisivo para que criasse uma confiança entre ela e os “guerreiros”. Mas, como mulher, a posição de líder sempre foi questionada.
“Existe um pouco de preconceito, existe um pouco de resistência no mundo do cooperativismo, mas eu costumo dizer que lugar de mulher é onde ela quiser”.
Fonte: Diário do Litoral com adaptaçõe sda MundoCoop












