O número de startups voltadas ao agronegócio ultrapassou a marca de 2 mil no ano passado, um crescimento modesto em comparação com anos anteriores, mas com perfil de tecnologia mais avançado, segundo o Radar Agtech 2025, produzido por Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens.
O estudo mapeou 2.075 agtechs ativas, 103 a mais do que em 2024. Desde o início do levantamento, em 2019, o ritmo de crescimento diminuiu, o que demonstra mais maturidade, tecnologia elevada e segurança na manutenção dos negócios, segundo Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa e editor técnico do Radar.
“No passado, havia um grande volume de negócios com baixo nível de tecnologia e complexidade, como marketplaces. Hoje, soluções ligadas à automação, sensoriamento e maquinário agrícola representam um nível tecnológico mais robusto”, afirmou.

Segundo Favarin, após o “boom” das startups entre 2021 e 2022 impulsionado pela entrada de investidores e no interesse no agro como setor estratégico, houve uma “mortalidade” de agtechs, o que também contribuiu para o amadurecimento das startups atuais. “Nós vimos a consolidação de negócios mais sólidos”.
A maior parte das agtechs continua sendo do segmento “dentro da porteira”, ou seja, que fornece soluções para o produtor rural adotar em campo. Em 2025, essas agtechs eram 852 startups, um avanço de 41,1% em um ano. Desde 2019, quando o levantamento começou a ser realizado, a quantidade de agtechs “dentro da porteira” mais que dobrou, saltando de 423 para 852, um avanço de 101,4%.
Segundo o analista da Embrapa, serviços voltados diretamente à realidade do produtor ditam o ritmo dos negócios. “Startups mais conectadas à realidade do produtor tendem a atingir maior maturidade, porque precisam entregar valor real. Senão, não tem adesão do produtor”, afirmou.
Na sequência, foram identificadas 841 agtechs com atuação “depois da porteira” no ano passado, um aumento de 40,5% em relação ao ano anterior, e enquanto as agtechs com foco “antes da porteira” totalizaram 382, uma alta anual de 18,4%.
Se comparado com o mapeamento realizado em 2019, as agtechs voltadas para atividades “antes da porteira” foram as que mais cresceram nesse período, com um salto de 134,4%. As agtechs que têm foco em operações “depois da porteira” tiveram incremento de 93,8% no mesmo período de tempo.
Temáticas em destaque
Para Favarin, sustentabilidade, previsão climática, sensoriamento e tecnologias para máquinas e drones são alguns dos “temas quentes” do momento. Do total de agtechs mapeadas no ano passado, despontam as que estão na categoria “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares”, com 312 agtechs (15% do total), o que indica uma tendência para o desenvolvimento de novos produtos, destacou Favarin.
As startups enquadradas na categoria “Sistema de Gestão de Propriedade Rural” ficaram em segundo lugar no ranking de perfil de atuação, reunindo 165 agtechs (8%), seguidas pelas agtechs na categoria “Plataforma integradora de sistemas, soluções e dados”, com 156 startups (7,5%).
As Regiões Sudeste e Sul continuam a concentrar a maior parte das agtechs no Brasil, como ocorre desde o início do mapeamento. No Sudeste, foram identificadas 1.146 startups voltadas para o agronegócio (55,2% do total), enquanto no Sul havia 491 (23,7%). Juntos, somam quase 79% do total.
Segundo o pesquisador, a concentração no eixo Sul-Sudeste se dá por “fatores estruturais”, como a maior densidade de universidades, instituições científicas e investidores nessas regiões, além de ser onde há um mercado consumidor mais consolidado.
O Radar AgTech ainda identificou que, de 367 agentes de investimento no Brasil — incluindo fundos de venture capital e outros veículos de capital de risco —, 17,7% têm o agro como um setor prioritário. Do total, 10% de seus investimentos são destinados ao agronegócio. “É um volume relevante e vemos uma enorme tendência de crescimento”, avaliou Favarin.
Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop












