Em vez de esperar que a paciente procure atendimento, uma cooperativa médica de Goiânia decidiu inverter o caminho da prevenção: identificar mulheres que estão há mais de dois anos sem realizar a mamografia e entrar em contato diretamente com elas. A mobilização da Unimed Goiânia prevê alcançar cerca de 22 mil mulheres, com idades entre 40 e 65 anos, até dezembro deste ano, facilitando o acesso ao exame utilizado no rastreamento do câncer de mama.
O projeto alcança beneficiárias de planos individuais e empresariais, além de colaboradoras e médicas cooperadas. A partir da identificação das mulheres que atendem aos critérios estabelecidos, a equipe do Centro de Diagnósticos Unimed (CDU) realiza os contatos pelos canais oficiais da cooperativa. Quando há interesse em realizar o procedimento, o agendamento é concluído pelo próprio canal de comunicação.
Com previsão de continuidade até 31 de dezembro, o trabalho também enfrenta desafios como a atualização dos dados cadastrais, a ausência de resposta às mensagens e a desconfiança de algumas beneficiárias diante dos contatos recebidos.
A estratégia representa uma mudança na dinâmica habitual de acesso ao exame, ao colocar a estrutura assistencial da cooperativa a serviço da busca ativa por prevenção. A proposta também dialoga com os princípios do cooperativismo, especialmente o interesse pela comunidade, ao incentivar o cuidado com a saúde antes do aparecimento de sintomas.
Para o diretor-presidente da Unimed Goiânia, Lueiz Amorim Canêdo, a abordagem pretende reduzir as dificuldades que podem levar ao adiamento dos exames preventivos. “Para quem está há mais de dois anos sem mamografia, a iniciativa facilita a inclusão do cuidado preventivo na rotina, sem que a mulher precise dar o primeiro passo sozinha. Como a abordagem parte de nós, e não de uma solicitação, algumas beneficiárias chegaram a suspeitar de golpe, por isso esclarecemos que a mensagem integra o nosso projeto de prevenção”, afirma.
Prevenção como compromisso coletivo
A atendente administrativa Katiuscye Borges Silva, de 41 anos, está entre as beneficiárias que receberam o convite da Unimed Goiânia. Ela realizou a primeira mamografia aos 40 anos, quando foi identificado um nódulo que passou a exigir acompanhamento anual. Ao completar um ano do exame, recebeu uma mensagem da cooperativa oferecendo a possibilidade de realizar uma nova mamografia.
“Quando recebi a mensagem, fiquei surpresa, pois não conhecia essa ação da Unimed. Achei muito importante, porque facilitou bastante o processo. Não precisei passar por uma consulta para solicitar o pedido do exame e depois agendar a mamografia. Se tornou mais simples e prático”, relata.
Com a rotina de trabalho, Katiuscye pretendia esperar as férias para marcar uma consulta médica e solicitar o exame, o que provavelmente adiaria a mamografia para o ano seguinte. O contato da cooperativa antecipou esse cuidado. Segundo ela, a equipe explicou como funcionava o atendimento e já apresentou uma data disponível para a realização do procedimento.
“Me senti importante para a Unimed, não só mais uma beneficiária, mas uma pessoa que é lembrada e que merece cuidado e atenção. Acho muito importante este jeito cuidar da Unimed e que outras mulheres também tenham essa oportunidade, porque muitas vezes, na correria do dia a dia, acabamos deixando nossa saúde de lado. Esse incentivo faz a gente lembrar que também precisamos nos cuidar”, afirma.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreamento mamográfico bienal para mulheres de 50 a 74 anos. Para aquelas entre 40 e 49 anos, o exame pode ser realizado sob demanda, após orientação profissional sobre seus benefícios e possíveis riscos. A Sociedade Brasileira de Mastologia, por sua vez, recomenda a realização anual a partir dos 40 anos.
Ao reunir uma estrutura própria de diagnóstico e uma estratégia de comunicação direta com as beneficiárias, a Unimed Goiânia procura aproximar os serviços de saúde das mulheres que estão com o exame em atraso.
Esse trabalho também reforça uma característica do cooperativismo médico: a organização coletiva de profissionais de saúde para oferecer serviços assistenciais e desenvolver práticas que ultrapassam o atendimento pontual.
Sete décadas de cooperativismo em Goiás
A mobilização se insere na trajetória do cooperativismo goiano em um ano simbólico para o setor: os 70 anos da Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO). Fundada em 1956, a entidade atua na representação e no fortalecimento de cooperativas de diferentes segmentos, incluindo o da saúde.
Ao longo dessas sete décadas, o cooperativismo ampliou sua participação na prestação de serviços e no desenvolvimento de iniciativas voltadas à população. Na área da saúde, a atuação das cooperativas médicas demonstra como a organização coletiva de profissionais pode contribuir tanto para a assistência quanto para a prevenção de doenças.
Para o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, a busca ativa realizada pela Unimed Goiânia exemplifica a aplicação dos princípios cooperativistas na promoção da saúde e se conecta à trajetória de desenvolvimento do setor no estado.
“Essa ação voltada para a saúde das beneficiárias da Unimed Goiânia evidencia que o cooperativismo vai além da prestação de serviços, e coloca um dos seus princípios em prática, o interesse pela comunidade, gerando benefícios para todos. Em 70 anos de história da OCB/GO, houve muitos avanços na área da saúde, como a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde, investimentos em tecnologia, governança e qualificação da gestão e maior profissionalização das cooperativas e fortalecimento da sustentabilidade econômica. Temos em Goiás uma trajetória de organização, representação e fortalecimento do cooperativismo. Desde sua fundação, em 1956, a entidade ajudou a transformar o setor em uma das principais forças econômicas e sociais do Estado e as cooperativas de saúde, como a pioneira Unimed Goiânia, fazem parte dessa história”, destaca.
Com 48 anos de atuação, a Unimed Goiânia integra o Sistema Nacional Unimed e desenvolve serviços de assistência à saúde baseados no modelo cooperativista. A busca ativa para a realização de mamografias exemplifica como essa estrutura pode ser utilizada também para estimular a prevenção e aproximar as beneficiárias dos cuidados necessários à saúde.
Fonte: Kasane com adaptações da MundoCoop












