Com o fim das eleições, a atenção dos investidores se volta agora para reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que começa nesta terça-feira, 3, e vai até quarta-feira, 4, quando a decisão é anunciada.
A expectativa predominante é de que a taxa básica de juros, a Selic, permaneça em 13,75% na reunião de novembro, interrompendo o ciclo de cortes.
Para entender como o mercado está projetando essa decisão de política monetária, a EXAME consultou contratos de Opções na B3, além de relatórios do Itaú BBA, Inter e Warren.
Os contratos de opções, que permitem acompanhar as apostas dos agentes financeiros para as decisões do BC, mostram uma mudança nas expectativas após o segundo turno das eleições no domingo, 25.
A partir de segunda-feira, 26, 68,86% dos investidores passaram a apostar na manutenção da taxa. Antes do resultado eleitoral, 76% esperavam um corte de 0,25 ponto percentual. Agora, essa parcela caiu para 28%.
O que o Itaú espera para a Selic?
O Itaú projeta que o Banco Central mantenha os juros em 13,75% na reunião de novembro. Na avaliação do banco, a piora do cenário econômico, tanto no exterior quanto no Brasil, reforça a necessidade de interromper o ciclo de redução da taxa.
“Esperamos manutenção da taxa Selic em 13,75% na reunião de novembro. A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de piora do cenário base que resulta de um contexto externo adverso e, domesticamente, de maiores pressões inflacionárias, que tendem a se traduzir em deterioração adicional das expectativas de inflação, que já se encontram desancoradas”, diz.
No relatório, o banco destaca o aperto das condições financeiras nas economias desenvolvidas e a nova alta dos preços do petróleo como fatores de pressão no ambiente internacional. No Brasil, por mais que a atividade econômica apresente sinais de desaceleração, o mercado de trabalho continua resiliente.
A instituição também chama a atenção para a inflação e para as medidas de núcleo, que permanecem acima da meta. Nesse contexto, o Itaú espera que o Copom reforce a necessidade de cautela na condução da política monetária e de compromisso com o controle dos preços.
Inter vê possibilidade de corte antes de uma pausa
Já o Inter tem uma projeção diferente para a reunião de novembro. O banco ainda espera uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, seguida de uma pausa no ciclo.
Na avaliação do banco, a taxa de 13,50% continuaria em nível suficientemente restritivo para conter os “choques inflacionários” previstos para o início de 2027, considerando o horizonte da política monetária no segundo trimestre de 2028.
“Apesar da maior incerteza e aumento do prêmio de risco na curva de juros futuros, a taxa Selic em 13,50% permanece restritiva o suficiente para amortecer os choques inflacionários esperados para o começo de 2027, considerando o horizonte da política monetária o 2º trimestre de 2028, mas não vemos espaço para a continuidade dos cortes nesse momento”, diz.
O Inter avalia que a inflação pode se aproximar de 6% em 12 meses até fevereiro. Entre os fatores de pressão, cita a alta do câmbio para R$ 5,40, a retirada parcial dos subsídios da gasolina, o fim da escala 6×1 e a implementação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 2027.
Por outro lado, o banco aponta sinais de desaceleração da economia e de perda de força no mercado de trabalho. A instituição também condiciona a retomada dos cortes de juros, prevista para o fim de 2027, à adoção de medidas fiscais que controlem as contas públicas nos próximos anos.
O relatório não descarta, ainda, uma nova alta da Selic caso o governo adie medidas fiscais ou amplie os gastos, o que poderia piorar a expectativa para o déficit primário de 2027 e pressionar o real.
Warren também prevê manutenção
Assim como o Itaú, a Warren também passou a projetar a manutenção da Selic em 13,75%. Segundo a corretora, o aumento das incertezas econômicas e a preocupação com as expectativas de inflação justificam uma pausa na política de redução dos juros.
A instituição destaca que, na reunião anterior, o Copom já trabalhava com um cenário de elevada incerteza. Desde então, os indicadores econômicos reforçaram a leitura de desaceleração gradual da atividade, enquanto o mercado de trabalho permaneceu resiliente.
“Nosso cenário de juros foi ajustado, passando de corte de 25 pontos-base para manutenção e volta da calibração (cortes de 25 pontos-base) apenas em janeiro de 2027, sujeitos à evolução dos indicadores econômicos e dos preços de mercado.”
Para a Warren, a principal preocupação é o risco de uma desancoragem ainda maior das expectativas de inflação em meio ao aumento das incertezas e da percepção de risco dos investidores.
Fonte: Naty Falla (Exame) com adaptações da MundoCoop












