Os bancos brasileiros devem investir cerca de R$ 3 bilhões em inteligência artificial (IA) e análise de dados em 2026, alta de 8% em relação ao ano anterior. A estimativa é da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada em parceria com a Deloitte, e reflete o avanço de ferramentas que começam a transformar não apenas as operações internas das instituições, mas também o atendimento aos clientes.
Segundo o levantamento, 52% dos bancos identificam benefícios como redução do tempo de resposta, diminuição de custos e maior eficiência na análise de informações. Outros 48% apontam ganhos na detecção e prevenção de fraudes. A tecnologia permite identificar padrões de movimentação, automatizar solicitações e oferecer serviços mais adequados ao perfil de cada consumidor.
A personalização, porém, também traz desafios. Uma ferramenta pode analisar o histórico financeiro de um cliente e identificar produtos compatíveis com determinados padrões de consumo, mas essas informações nem sempre revelam suas prioridades, dificuldades ou planos futuros.
“Os sistemas conseguem processar uma quantidade enorme de dados e identificar comportamentos com rapidez. Mas uma decisão financeira envolve circunstâncias que nem sempre aparecem nos números. É nesse momento que a orientação humana continua fazendo diferença”, explica Jhonatan Davi da Silva Reis, gerente do PA Campinas.
Automação e atendimento
A inteligência artificial já é utilizada em atividades como identificação de transações suspeitas, atendimento por assistentes virtuais e análise de informações para concessão de crédito. Essas aplicações podem reduzir etapas burocráticas e facilitar a resolução de demandas rotineiras.
A diferença aparece em situações que exigem uma avaliação mais ampla. Um pedido de financiamento, por exemplo, não depende apenas da renda e do histórico de pagamentos. Compromissos familiares, estabilidade profissional e mudanças previstas no orçamento também podem influenciar a capacidade de assumir uma dívida.
“A tecnologia ajuda a organizar informações e tornar os processos mais rápidos. Mas o atendimento próximo permite compreender o contexto de cada pessoa, esclarecer dúvidas e avaliar alternativas antes de assumir um compromisso financeiro”, afirma o especialista.
Privacidade e decisões financeiras
O uso crescente de dados pessoais também exige cuidados com a transparência. O consumidor deve saber como suas informações são utilizadas e quais critérios orientam as recomendações apresentadas pelas instituições financeiras, respeitadas as regras de proteção de dados.
Outro ponto é evitar que a facilidade de contratar um produto digitalmente substitua a análise de suas condições. Taxas de juros, custo efetivo total, prazo e impacto das parcelas sobre a renda continuam relevantes, independentemente da rapidez da operação.
“Receber uma oferta personalizada não significa que ela seja necessariamente a melhor escolha. O consumidor precisa entender as condições do produto e avaliar se ele atende às suas necessidades. A tecnologia deve apoiar essa decisão, não tomá-la por ele”, orienta Jhonatan.
O avanço da inteligência artificial tende a tornar os serviços financeiros mais rápidos e acessíveis. Para o consumidor, o benefício será maior quando essa conveniência vier acompanhada de informações claras e da possibilidade de recorrer a atendimento especializado nas decisões que exigem uma análise mais cuidadosa.
Fonte: Sicoob Coopmil












