As cooperativas de crédito vêm ampliando sua participação no desenvolvimento econômico e financeiro do Espírito Santo. Elas já reúnem 969,8 mil cooperados (membros) no estado e, somente em 2025, movimentaram R$ 9,7 bilhões. É o que revelam dados divulgados pelo Sistema OCB/ES no Anuário do Cooperativismo Capixaba 2026.
Além de oferecerem serviços como conta corrente, meios de pagamento e investimentos, essas cooperativas se destacam pela concessão de crédito aos pequenos negócios por meio de fundos e programas que atendem a demandas de públicos específicos, como os empreendedores. É o caso do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), do Sebrae.
Entre janeiro e agosto de 2026, as operações realizadas com apoio do Fampe beneficiaram 523 empresas, movimentando R$ 34,3 milhões em financiamentos no Espírito Santo. Desse montante, 80,72% foram concedidos por cooperativas, segundo levantamento realizado pelo Sebrae/ES a partir dos dados do Painel Garantias Fampe – Sebrae.
No período analisado, o Sicredi respondeu por aproximadamente R$ 18 milhões em crédito concedido com apoio da garantia do Fampe. O Sicoob ES registrou cerca de R$ 8,4 milhões, e a Cresol, aproximadamente R$ 813 mil.
Para o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, organização que representa as cooperativas capixabas, os números evidenciam a contribuição do modelo cooperativista no acesso de pequenos negócios ao crédito. “As cooperativas são um instrumento efetivo de inclusão financeira dos empreendedores capixabas. O papel delas é promover a prosperidade por onde passam, e isso elas têm feito com maestria no Espírito Santo”, destaca Carlos André Santos de Oliveira.
Garantia complementar
A participação das instituições financeiras cooperativas ganha relevância especialmente entre micro e pequenas empresas que possuem negócios economicamente viáveis, mas encontram dificuldades para apresentar as garantias normalmente exigidas em uma operação de financiamento.
É nesse ponto que atua o Fampe. O fundo não realiza o empréstimo nem substitui a análise de crédito da instituição financeira. Seu papel é oferecer garantia complementar à operação, reduzindo uma das principais barreiras encontradas pelos pequenos negócios para acessar financiamento.
“A insuficiência de garantias continua sendo uma das barreiras enfrentadas pelos pequenos negócios na busca por crédito. O Fampe atua justamente nesse ponto, complementando as garantias da operação e ampliando as possibilidades de acesso ao financiamento. Mas a decisão de contratar crédito precisa estar associada à análise da necessidade do recurso, planejamento financeiro, da capacidade de pagamento e da sustentabilidade financeira da empresa”, explica Patrícia Queiroz Fontes, gestora estadual do Programa Conexão Financeira do Sebrae/ES.
A instituição financeira permanece responsável pela análise da proposta, pela decisão de concessão do financiamento e pela definição das condições da operação, conforme sua política de crédito. Os recursos são disponibilizados diretamente pela instituição financeira ao empreendedor. O processo contribui para manter a autonomia e a independência das coops, permitindo que elas se atenham ao quarto princípio do cooperativismo.
Crédito orientado antes e depois da contratação
No Espírito Santo, o Fampe integra uma atuação mais ampla do Programa Conexão Financeira, iniciativa do Sebrae voltada à ampliação do acesso dos pequenos negócios a recursos e serviços financeiros de forma orientada.
O programa atua em diferentes etapas da jornada do empreendedor, desde a preparação e avaliação da necessidade de financiamento até a aproximação com instituições financeiras e o acompanhamento de empresas que contrataram crédito com garantia do Fampe.
“O acesso ao crédito é importante, mas não deve ser analisado de forma isolada. Nosso trabalho é contribuir para que o empreendedor compreenda quanto precisa, para qual finalidade, qual impacto a nova dívida terá no fluxo de caixa e como o recurso será utilizado para gerar resultado para o negócio. Depois da contratação, o acompanhamento também é importante para apoiar uma gestão financeira mais estruturada”, acrescenta Patrícia.
A estratégia combina orientação financeira, aproximação dos pequenos negócios com bancos e cooperativas, garantia complementar por meio do Fampe e ações de crédito assistido e pós-crédito. Com essa atuação integrada, Sebrae e as cooperativas financeiras parceiras buscam não apenas ampliar o acesso aos recursos, mas também contribuir para decisões de financiamento mais planejadas e sustentáveis pelos pequenos negócios.
No campo, cooperativas se destacam no financiamento rural
Cooperativas de crédito com atuação no Espírito Santo também se destacam pelo apoio que oferecem aos produtores rurais. Na safra 2025/2026, três estão entre as cinco instituições financeiras que repassaram o maior volume de crédito rural no estado. Em primeiro lugar está o Sicoob ES; em terceiro, o Sicredi; e em quinto lugar, a Cresol.
Elas ainda lideram o repasse do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) no Espírito Santo. O Sicoob ES é o maior financiador do fundo, seguido pelo Sicredi (em terceiro lugar) e pela Cresol (na quinta posição).
Outro destaque ocorre no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no Espírito Santo. O Sicoob ES ocupa a segunda posição no ranking estadual de repasses de crédito do programa. Em terceiro e quarto lugar estão o Sicredi e a Cresol, respectivamente.
As informações têm como base a Matriz de Dados do Crédito Rural (MDCR), do Banco Central do Brasil.
Fonte: Sistema OCB/ES com adaptações da MundoCoop












