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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Movimento de migração abre novas oportunidades para as cooperativas brasileiras

Novo fluxo interno tem redesenhado as oportunidades de expansão do cooperativismo

Mundo Coop POR Mundo Coop
25 de julho de 2025
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Movimento de migração abre novas oportunidades para os cooperativas no país

Movimento de migração abre novas oportunidades para os cooperativas no país

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O Brasil está em movimento e, com ele, surgem novos territórios estratégicos para a atuação cooperativista. Dados do Censo 2022 apontam uma mudança inédita e considerável mudança nos fluxos migratórios do país, evidenciando não apenas os novos destinos da população, mas também os motivos que a levam a buscar oportunidades em novos regiões.

Pela primeira vez, o estado de São Paulo teve saldo migratório negativo, perdendo cerca de 89 mil moradores para outras regiões. O Rio de Janeiro, por sua vez, perdeu mais de 165 mil pessoas.

Com saldo positivo de 106,5 mil migrantes, Minas Gerais ultrapassou São Paulo como polo de atração no Sudeste. A migração foi puxada por moradores de SP e RJ, reforçando a força dos municípios do interior mineiro como novos centros de oportunidades. Pela primeira vez, o Distrito Federal passou a perder mais moradores do que recebe, registrando a maior queda percentual do país, com -3,53%. No cenário todo, o principal destino dos migrantes foi Goiás (48,5%).

Essa redistribuição revela uma mudança estatística e pode auxiliar a antecipação de uma reorganização do desenvolvimento no país. Tal deslocamento tem gerado novas demandas econômicas e sociais, que podem colocar o cooperativismo como peça-chave para impulsionar o crescimento dos novos polos.

Novo mapa de atuação

Nesse novo movimento, estados como Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais se destacam como novos polos de atração populacional, evidenciando uma mudança no protagonismo histórico de estados como São Paulo. Segundo o estudo, Santa Catarina lidera o ranking de crescimento populacional por migração, com um saldo positivo de 354 mil pessoas entre 2017 e 2022. Goiás, Minas e Mato Grosso também atraíram milhares de novos moradores, muitos vindos justamente dos grandes centros.

Essa nova geografia confirma a tendência de interiorização populacional e aponta para a consolidação de polos regionais como centros de desenvolvimento. Para as cooperativas, trata-se de uma janela estratégica, onde municípios médios, com consumo em ascensão, passam a demandar serviços financeiros, saúde, educação, moradia e abastecimento, justamente pela atuação do setor em capilaridade e impacto.

Mais do que acompanhar o crescimento dessas cidades, as cooperativas podem liderar os processos de organização social e produtiva. A abertura de novas unidades, a personalização dos serviços e a escuta ativa característica do modelo de negócio se tornam diferenciais em locais que recebem migrantes.

Nessas regiões, o cooperativismo pode apoiar empreendedores locais, facilitar o acesso ao crédito, fomentar o uso compartilhado de recursos e, sobretudo, promover o enraizamento dos recém-chegados por meio da criação de vínculos comunitários.

Perfil dos recém-chegados

Mais do que volume, a migração atual também se diferencia pelo perfil dos migrantes. A pesquisa caracteriza a nova população como jovens interessados em oportunidades para concretzação daestabilidade financeira e formação de família. Com isso, observa-se também uma valorização crescente da consciência sobre qualidade de vida vinda das novas gerações.

Em Santa Catarina, por exemplo, o crescimento populacional não vem apenas do Sul. São Paulo, com 12,4% da origem dos novos cidadãos, e Pará, com 8,9%, também contribuíram para esse salto demográfico que evidencia a expansão da migração de longa distância.

Além disso, a maioria dos novos moradores chega em idade economicamente ativa, o que amplia a demanda por serviços financeiros e oportunidades de trabalho. De acordo com o IBGE, 1 em cada 5 migrantes tinha entre 25 e 29 anos.

Em sentido oposto, o Nordeste segue enfrentando a evasão populacional. A Bahia perdeu mais de 300 mil habitantes por migração, maior número absoluto do país. Pernambuco e Maranhão também apresentaram saldos negativos superiores a 100 mil pessoas cada.

Esse esvaziamento, em geral motivado pela busca de melhores condições de vida e trabalho, impõe um desafio que o cooperativismo pode enfrentar com soluções baseadas no fortalecimento do campo, por exemplo.

Cooperativas ligadas à agricultura familiar, ao extrativismo sustentável, ao artesanato e ao microcrédito têm potencial para fixar populações e gerar renda, o que, consequentemente, viabiliza a valorização local e contribui para o estabelecimento das novas famílias na região.


Com informações do IBGE

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