O cooperativismo brasileiro conquistou um novo instrumento para ampliar sua participação no crescimento regional com a Lei Complementar 231/2026, que autoriza o setor a acessar recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Para o ramo crédito, a legislação corrige uma lacuna histórica e garante que as cooperativas financeiras possam cumprir seu papel de democratizar o acesso a recursos.
Em 2025, os fundos de desenvolvimento regional destinaram mais de R$ 3 bilhões em repasses, a maior parte para projetos em municípios de baixa e média renda, impulsionando o desenvolvimento local. A maioria dos beneficiários são pequenos empreendedores urbanos, produtores rurais familiares e micro e pequenas empresas.
A nova lei autoriza a ampla atuação do cooperativismo para viabilizar investimentos estratégicos, como obras de infraestrutura, agroindústrias, projetos de inovação, transição energética e outras iniciativas capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento nas regiões atendidas.
“A lei reconhece o cooperativismo financeiro não apenas como um repassador de recursos, mas um parceiro estratégico do Estado para reduzir desigualdades, levando financiamentos onde os bancos tradicionais muitas vezes não chegam”, destaca o presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), Luiz Lesse Moura Santos.
Brasil mais cooperativo
A inclusão das cooperativas entre os beneficiários dos fundos regionais de desenvolvimento é resultado de uma construção coletiva entre o movimento cooperativo, entidades representativas do setor agropecuário e parlamentares. A pauta também integra uma agenda ampla de fortalecimento do cooperativismo financeiro como instrumento de desenvolvimento, em sintonia com as diretrizes das instituições monetárias e de fomento do país.
O Banco Central do Brasil, por meio da Agenda BC#, reconhece o papel das cooperativas de crédito na promoção da inclusão financeira e incentiva a expansão do setor em regiões estratégicas para o desenvolvimento regional. Na mesma direção, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem fortalecendo políticas voltadas à ampliação da oferta de financiamentos por meio das cooperativas, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Para se ter uma ideia do potencial dessa rede, o cooperativismo de crédito está presente em 58% dos municípios do país. Em regiões como o Nordeste, o número de postos de atendimento das instituições financeiras cooperativas supera a quantidade de agências do principal banco público da região, mostrando que o cooperativismo é o caminho mais rápido e eficiente para fazer a política pública chegar à ponta.
Fonte: Confebras












