O cooperativismo e a arte de construir convergências – Mauro Marquiotti é Presidente da Unicred União

No próximo dia 4 de julho, cooperativas de todo o planeta comemoram o Dia Internacional das Cooperativas (CoopsDay 2026). Neste ano, o movimento escolheu um tema que dialoga diretamente com o nosso tempo: “Cooperativas por um mundo pacífico”. A escolha não poderia ser mais pertinente.

Vivemos em uma época de avanços tecnológicos extraordinários e, ao mesmo tempo, de relações cada vez mais tensas. A polarização se intensifica, os conflitos armados se multiplicam e a convivência parece frequentemente substituída pela lógica do confronto. Em diferentes escalas, do cenário internacional às relações cotidianas, o desafio da coexistência pacífica ocupa o centro das atenções.

É justamente nesse contexto que o cooperativismo demonstra sua atualidade.

A própria palavra cooperação ajuda a entender isso. Sua origem remete ao latim com + operari, que significa trabalhar junto, agir em conjunto, operar com outros em direção a um objetivo comum. Não há cooperação sem diálogo e sem respeito às diferenças, assim como não há cooperação onde prevalece a lógica da eliminação do outro.

Por isso, quando a Aliança Cooperativa Internacional propõe o tema “Cooperativas por um mundo pacífico”, não está criando uma missão nova para o movimento. Está apenas explicitando algo que acompanha o cooperativismo desde suas origens, pois cooperar sempre foi um ato de construção da paz. 

Toda vez que pessoas se unem para resolver problemas coletivamente, compartilhar recursos, tomar decisões de forma democrática e buscar benefícios comuns, estão fortalecendo as bases de uma convivência mais equilibrada. Pode parecer um gesto simples, mas é exatamente assim que sociedades pacíficas se sustentam: pela capacidade de construir interesses compartilhados sem transformar diferenças em rupturas.

Os números mostram a dimensão desse fenômeno. Hoje, o cooperativismo reúne mais de um bilhão de pessoas no mundo. No Brasil, já são 25,8 milhões de cooperados, o equivalente a mais de 12% da população do país. Um contingente dessa magnitude não se mantém unido pela imposição, não se sustenta pela força nem admite intolerância. Sua existência depende diariamente da capacidade de pessoas diferentes encontrarem pontos de convergência e construírem soluções em conjunto.

É claro que cooperativas não eliminam conflitos. Nenhuma organização humana faz isso. O que elas oferecem é um método para lidar com eles, com participação, diálogo, responsabilidade compartilhada e compromisso com o interesse coletivo. Em um mundo que frequentemente prioriza a divisão, esse talvez seja um dos maiores ativos do modelo cooperativista.

O tema do CoopsDay 2026 convida o mundo a olhar para além dos resultados econômicos das cooperativas – que são significativos – e reconhecer uma contribuição igualmente relevante: a capacidade de promover a convivência humana. Essa é a essência do cooperativismo desde sua origem e uma das razões pelas quais, mais de 180 anos depois, o modelo continua oferecendo respostas atuais para os desafios mais urgentes da sociedade.


*Mauro Marquiotti é Presidente da Unicred União

Redação

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Informação e inspiração para o cooperativismo.

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