Um investimento superior a R$ 8 milhões do Sicredi viabilizará a implantação de um sistema regional destinado a reduzir os prejuízos provocados pelas tempestades de granizo no Rio Grande do Sul. Os recursos serão utilizados na aquisição de aproximadamente 130 geradores terrestres, que serão doados a 20 municípios com áreas ligadas à vitivinicultura.
A iniciativa será realizada por meio das cooperativas Sicredi Serrana, Sicredi Pioneira e Sicredi Ibiraiaras. Ao financiar a aquisição e fazer a doação dos equipamentos, o Sicredi proporcionará a infraestrutura necessária para que o projeto possa ser implantado.
A parceria foi formalizada em 3 de setembro de 2026, durante a 49ª Expointer, com o lançamento do Edital de Chamamento de Apoio à Manutenção e Operação de Sistemas Antigranizo pelo Governo do Rio Grande do Sul.
A solenidade ocorreu às 13h30, na Arena do Estande do Governo do Estado, no Pavilhão Internacional do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Por meio do edital, o Estado poderá custear até 30% das despesas de manutenção e operação do sistema. O valor restante será arcado pelos municípios participantes.
Prejuízos chegaram a R$ 100 milhões
A decisão do Sicredi de investir no projeto decorre dos prejuízos crescentes causados pelo granizo. Nos municípios abrangidos pela iniciativa, apenas no ambiente do Sicredi, foram registrados R$ 100 milhões em perdas provocadas pelo fenômeno nos últimos três anos.
A produção vitivinícola está especialmente exposta aos eventos climáticos. Uma única tempestade pode comprometer uma safra inteira, afetando a renda das famílias, os empregos e toda a cadeia econômica ligada à uva e ao vinho.
Para o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, estar ao lado dos produtores também significa contribuir para a construção de soluções que aumentem a segurança e a sustentabilidade da atividade rural.
“Estar ao lado do produtor não significa apenas financiar o plantio, os investimentos ou a colheita. Significa compreender os desafios que ele enfrenta e ajudar a construir soluções para que sua atividade seja sustentável e próspera no longo prazo”, afirmou.
Como funcionará o sistema
Os geradores serão produzidos pela AGF Anti-Granizo Fraiburgo, empresa catarinense especializada no fornecimento, na instalação e na operação desse tipo de sistema.
Instalados em solo, os equipamentos liberam partículas de iodeto de prata na atmosfera quando o monitoramento meteorológico identifica condições favoráveis à formação de granizo. O composto favorece a formação de uma quantidade maior de cristais de gelo de menor tamanho dentro das nuvens.
O objetivo é reduzir o tamanho das pedras e, consequentemente, seu potencial de destruição ao atingirem os vinhedos. A tecnologia não impede a chuva nem elimina completamente o risco de granizo, mas busca mitigar os danos nas áreas protegidas.
O modelo tem como uma de suas referências a experiência desenvolvida há décadas na França. Em Santa Catarina, sistemas antigranizo são utilizados desde 1989. Representantes gaúchos conheceram a experiência catarinense durante visitas técnicas realizadas antes da estruturação do projeto.
Cooperação garantirá a continuidade
A implantação tornou-se possível a partir da decisão do Sicredi de financiar a aquisição e a doação dos geradores. A continuidade da iniciativa, entretanto, dependerá da cooperação entre diferentes instituições.
O Governo do Estado poderá custear até 30% das despesas de manutenção e operação por meio do edital lançado na Expointer. A diferença será arcada pelos municípios, que também participarão da gestão local e da organização necessária ao funcionamento dos equipamentos.
O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul, Consevitis-RS, será responsável por mobilizar a cadeia produtiva da uva e do vinho.
A divisão de responsabilidades busca assegurar não apenas a instalação dos geradores, mas também o funcionamento contínuo e a efetividade do sistema nos próximos anos.
“Esse projeto demonstra que o cooperativismo não se limita a financiar o desenvolvimento. Ele também investe diretamente na construção de soluções para os desafios das comunidades onde atua”, destacou Márcio Port.
Investimento reforça atuação do Sicredi no agronegócio
A participação no sistema antigranizo está relacionada à presença do Sicredi no agronegócio gaúcho. Pelo segundo ano consecutivo, a instituição lidera a liberação de recursos para o setor no Rio Grande do Sul. No Plano Safra 2025/2026, respondeu por 34% de todo o crédito rural liberado no Estado.
Esse protagonismo amplia a responsabilidade da instituição diante dos desafios enfrentados pelos produtores e pelas regiões onde está presente. Além de oferecer crédito, seguros e outros serviços financeiros, o Sicredi passa a investir diretamente em uma estrutura regional de prevenção.
A proteção dos vinhedos também produz efeitos além das propriedades rurais. A vitivinicultura movimenta cooperativas, vinícolas, fornecedores, transportadores, hotéis, restaurantes, comércio e serviços.
A redução dos prejuízos ajuda a preservar renda, empregos, turismo, arrecadação municipal e capacidade de investimento, beneficiando produtores, moradores das cidades, associados e não associados do Sicredi.
“Mais do que proteger vinhedos, estamos protegendo famílias, cooperativas, empresas, empregos, municípios e a economia da Serra Gaúcha”, ressaltou Márcio Port.
Próximas etapas
Com a estrutura de cooperação definida, as próximas etapas incluem a aquisição, a distribuição e a instalação dos geradores, a escolha dos pontos estratégicos e a integração dos equipamentos ao monitoramento meteorológico.
A operação coordenada entre os municípios será fundamental, pois a formação e o deslocamento das tempestades não respeitam limites territoriais.
Para o Sicredi, a iniciativa traduz na prática o propósito do cooperativismo financeiro de contribuir para o desenvolvimento das comunidades. “Proteger a agricultura significa proteger pessoas e comunidades. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais frequentes, investir em prevenção é investir em prosperidade”, concluiu Márcio Port.
Fonte: Sicredi com adaptações da MundoCoop












