O Sistema OCB acompanhou, na quarta-feira (8), o seminário Seguro, Crédito e Agronegócio – Proteção rural e novos instrumentos de financiamento, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). A instituição foi representada pelo gerente Técnico e Econômico, João Prieto.
O evento, realizado na sede da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), reuniu autoridades públicas, especialistas e representantes do mercado financeiro para discutir caminhos que ampliem o acesso a recursos e reforcem a proteção do produtor rural diante de riscos econômicos e climáticos cada vez mais presentes.
O primeiro painel tratou dos novos instrumentos de financiamento como indutores do crescimento e da sustentabilidade no agronegócio. O debate abordou alternativas para diversificar as fontes de recursos e ampliar investimentos em tecnologia, infraestrutura e práticas produtivas mais sustentáveis.
No segundo painel, com participação do Sistema OCB, o foco esteve nos entraves do seguro rural no Brasil e nas oportunidades trazidas pela inovação e pela transformação digital. Entre os principais pontos, foi destacado que o seguro rural é fundamental para garantir renda e dar mais segurança ao produtor, embora o país ainda enfrente desafios como a baixa cobertura, a falta de opções adequadas para diferentes regiões e a dificuldade de prever custos.
Outro eixo central foi o papel do cooperativismo na gestão de riscos no campo. As cooperativas agropecuárias e de crédito foram apontadas como estruturas fundamentais para apoiar os produtores, tanto na disseminação de boas práticas quanto no acesso ao financiamento. “Hoje, o cooperativismo brasileiro reúne 4.384 cooperativas, 25,8 milhões de cooperados e mais de 578 mil empregados. Em 2024, o setor movimentou R$ 758 bilhões em ingressos e gerou R$ 51,4 bilhões em sobras, além de mais de R$ 41 bilhões em salários e encargos. Esses números reforçam sua relevância econômica e social”, destacou Prieto.
O painel também destacou que a superação dos gargalos do seguro rural passa por inovação. O uso de tecnologias como monitoramento digital, inteligência artificial e ferramentas da agricultura 4.0 foi apontado como essencial para aprimorar a gestão de riscos, ampliar a cobertura e garantir maior eficiência ao sistema. “Não tem como falar em crescimento sustentável do agro sem ampliar o acesso ao seguro rural e a instrumentos modernos de financiamento. O cooperativismo contribui justamente para viabilizar esse acesso com mais segurança”, acrescentou Prieto.
Plano Safra
Na sequência da agenda institucional, o Sistema OCB também avançou no diálogo com o governo federal. A presidente executiva da entidade, Tania Zanella, reuniu-se na quinta-feira (9) com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para alinhar pautas estratégicas voltadas ao fortalecimento do cooperativismo e do agro brasileiro.
Durante o encontro, foram apresentadas as principais demandas do setor e entregues as contribuições do cooperativismo para o Plano Safra 2026/2027. O documento reúne propostas construídas a partir do diálogo com lideranças e cooperativas de todo o país, com foco na ampliação do acesso ao crédito, no fortalecimento da produção e na sustentabilidade das atividades no campo.
“O cooperativismo tem um papel estruturante na produção agropecuária brasileira e na organização dos produtores. Nosso objetivo é contribuir para uma política agrícola cada vez mais eficiente, que chegue a quem está na ponta e fortaleça o desenvolvimento das regiões”, destacou Tania.
Entre os pontos apresentados, estão a ampliação do volume de recursos para o crédito rural, com proposta de R$ 674 bilhões para a próxima safra, além do fortalecimento de programas como o seguro rural e o incentivo a investimentos produtivos. Também foram levadas sugestões para ampliar o acesso de cooperativas agropecuárias a linhas como o Pronaf e o Pronamp, além do reforço ao papel das cooperativas de crédito na operacionalização dos recursos.
O documento ainda propõe medidas voltadas à modernização da produção, como o incentivo à armazenagem, à agroindustrialização e a projetos sustentáveis, incluindo a ampliação do acesso ao RenovAgro. As propostas também destacam a importância de ajustar limites de renda e condições de financiamento, para ampliar o alcance das políticas públicas e atender diferentes perfis de produtores.
“Nosso objetivo, ao trazer essas demandas ao Ministério da Agricultura, é contribuir para o aprimoramento do Plano Safra e fortalecer um modelo que já tem participação relevante na produção agropecuária brasileira”, concluiu Tania.
Fonte: Sistema OCB com adaptações da MundoCoop












