A qualificação dos cooperativistas mineiros ganhou um novo marco com o Encontro Técnico-Profissional 2026, promovido pelo Sistema Ocemg nos dias 22 e 23 de setembro, no Minascentro, em Belo Horizonte. Pela primeira vez, a formação integrou cinco áreas – Gestão de Pessoas, Comunicação, Tecnologia da Informação, Jurídica e Contabilidade – em uma programação que teve como tema central a inteligência artificial.
O encontro reuniu cerca de 400 participantes em palestras, workshops e debates sobre como essa tecnologia pode aperfeiçoar processos, elevar a produtividade e tornar as cooperativas mais competitivas. A programação combinou conteúdos gerais sobre o tema com atividades específicas de cada área, aproximando diferentes saberes na busca por soluções para desafios compartilhados.
Para o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, essa conexão é essencial. “Todas as áreas têm que se interligar para trabalharmos ainda melhor para o desenvolvimento das cooperativas em Minas Gerais”, afirmou. “Hoje vocês são a referência do cooperativismo nacional. E devem se orgulhar disso”.
Imagem do coop em destaque
Tornar o cooperativismo mais visível é um desafio que ganhou dados durante o encontro com a apresentação de duas pesquisas de imagem sobre o movimento: uma estadual e outra nacional. Encomendado pelo Sistema Ocemg à GMR Inteligência de Mercado, o levantamento de Minas foi apresentado pelo superintendente do Sistema Ocemg, Alexandre Gatti Lages, que destacou a relação entre a presença das cooperativas no cotidiano dos mineiros e o reconhecimento do modelo. “Quem conhece o cooperativismo gosta, opta pelo consumo, opta pela cooperativa e pelos produtos das cooperativas”, afirmou. Ele também ressaltou a responsabilidade dos profissionais cooperativistas de diferentes áreas para a conquista e manutenção dessa reputação, por meio da inovação, da transparência e do relacionamento com os cooperados.
Os resultados da pesquisa nacional, realizada pela Opinion Box a pedido do Sistema OCB, foram apresentados em primeira mão durante o evento mineiro. A gerente de Comunicação e Marketing da entidade, Samara Araujo, ressaltou que as pesquisas podem orientar as estratégias das cooperativas e ajudar a destacar os atributos que pesam na decisão de compra do consumidor. “Não existe resultado de imagem sem investimento em comunicação. É muito importante conhecer essas informações para conseguir comunicar bem e comunicar o que as pessoas estão interessadas em ouvir”.
Tecnologia para evoluir
O encontro marcou também o lançamento da InteligêncIA.coop, ferramenta de IA generativa do Sistema Ocemg que apoia as cooperativas na transformação de dados do Diagnóstico Governança e Gestão – PDGC em planos de ação. A solução analisa os relatórios de autoavaliação, identifica oportunidades de melhoria e sugere caminhos para aprimorar a gestão e a governança. As cooperativas podem adaptar as ações à sua realidade, definir responsáveis e prazos e conversar com um assistente para esclarecer dúvidas sobre a implementação. A tecnologia complementa o acompanhamento dos técnicos do Sistema Ocemg, com as pessoas à frente das decisões.
Conhecimento que conecta
A troca entre profissionais das cinco áreas foi um dos grandes diferenciais desta edição do encontro. Colaboradores com diferentes responsabilidades puderam compartilhar experiências e compreender como soluções adotadas em um setor podem contribuir para o trabalho dos demais, ampliando as possibilidades de aplicação da inteligência artificial nas cooperativas. Para Filipe Santos, professor de MBA de Inteligência Artificial e consultor internacional, é preciso manter-se atualizado no próprio ofício e aprender com o que outros setores vêm fazendo. “A transversalidade não é mais uma opção, mas é uma máxima para a era da IA”, afirmou.
Participantes do encontro destacaram a integração como uma oportunidade de conhecer outras realidades, compreender processos e identificar conjuntamente aplicações da IA no cotidiano das cooperativas:
“Para nós, que somos uma cooperativa educacional, o encontro agregou muito conhecimento com as experiências de cooperativas de outros setores. São vivências que podemos trazer para sistematizar melhor os nossos processos e melhorar o nosso trabalho. A inteligência artificial traz novas oportunidades, e precisamos estar sempre nos atualizando para avançar na inovação e trazer o melhor para as nossas cooperativas”, Carla Vieira – presidente da Cooperativa de Trabalho Cultural e Educacional da Região de Lajinha Ltda (Coopcel).
“Tivemos a oportunidade de trabalhar e construir juntos. A linguagem foi tranquila para que todos entendessem o que a IA faz, como usar e quais são as possibilidades. Nós, de TI, sabemos que existem várias oportunidades, mas outras áreas nem sempre têm tanto contato com elas”, Matheus Campos – analista de desenvolvimento do Sicoob Central Crediminas.
“Participei do primeiro Encontro Jurídico da Ocemg, há 21 anos, e venho participando dos encontros até hoje. Vejo uma evolução imensa e uma busca constante por inovação. Reunir as cinco áreas foi excelente. É uma satisfação enorme estar aqui e acompanhar mais esse passo do Sistema Ocemg”, Ivo Athayde – Presidente do Sicoob Credijus.
“Estou há pouco tempo no setor cooperativista e ainda tinha dificuldade em entender os processos internos. Tenho experiência em comunicação, mas acho muito interessante reunir os setores, porque existe uma inter-relação dentro de cada cooperativa. Nas oficinas, conversamos sobre o desafio de promover a cultura do cooperativismo. Quando todos os setores estão juntos, conseguimos falar a mesma língua”, Natália Persi – Gestora de Marketing da Cemil.
“Eu já utilizava inteligência artificial no dia a dia, mas o evento me ajudou a enxergar as melhores alternativas para aplicá-la no trabalho. Participamos de uma sala em que foram apresentadas várias ferramentas, e uma ideia da nossa equipe foi utilizar a IA no fechamento contábil. Acredito que isso vai agregar muito para a cooperativa”, Pollyanna Campos – analista contábil do Sicoob Credicom.
Aprendizado na prática
Nas oficinas, o aprendizado sobre IA ganhou forma em propostas para o dia a dia das cooperativas. As turmas, com 100 profissionais de cada área, foram divididas em grupos, e cada equipe apresentou uma solução baseada em inteligência artificial para o seu setor. As propostas consideradas mais pertinentes foram selecionadas para apresentação no último dia do encontro, compartilhando conhecimento entre profissionais das cinco áreas. Confira, a seguir, os destaques.
- Comunicação: A proposta De Olho no Coop utiliza inteligência artificial para apoiar campanhas de comunicação voltadas à educação e ao engajamento dos cooperados. A solução prevê segmentar o público por perfil e enviar mensagens personalizadas pelo WhatsApp, abordando princípios cooperativistas, distribuição de sobras e participação nas assembleias. A IA auxilia na elaboração dos conteúdos e no planejamento das ações, buscando otimizar o trabalho da equipe. A ideia é a cooperativa manter a supervisão das comunicações, sem inserir dados pessoais dos cooperados na plataforma.
- Gestão de Pessoas: A solução propõe um agente de inteligência artificial para apoiar o desenvolvimento profissional e a sucessão nas cooperativas. A ferramenta analisa entregas, resultados e competências para mapear talentos e identificar potenciais lideranças, buscando reduzir a subjetividade nas avaliações. Além de auxiliar gestores, o assistente orienta empregados sobre habilidades e ações necessárias para alcançar seus objetivos de carreira. A proposta prevê cuidados com a segurança dos dados e busca ampliar as oportunidades de crescimento interno, valorizando profissionais que recebem pouca visibilidade.
- Jurídico: A proposta utiliza inteligência artificial como assistente na análise de contratos, com roteiros de leitura e critérios padronizados. A ferramenta apoia a conferência documental, a identificação de pontos de atenção e a elaboração de listas de verificação, mantendo a avaliação final sob responsabilidade dos profissionais. O objetivo é reduzir tarefas repetitivas, melhorar a qualidade dos documentos e liberar tempo para atividades estratégicas. A solução busca fortalecer a segurança jurídica das cooperativas e prevenir problemas que possam resultar em disputas judiciais.
- Contabilidade: A solução prevê dois assistentes de inteligência artificial para apoiar a análise fiscal e a conciliação contábil. Após a padronização e organização dos arquivos, o primeiro examina documentos e identifica tributos presentes ou possíveis ausências. O segundo cruza informações contábeis, apontando e explicando divergências para conferência. A validação permanece com os contadores. A proposta busca reduzir retrabalho, agilizar o fechamento e melhorar a disponibilidade de informações para relatórios gerenciais e tomada de decisões estratégicas das cooperativas.
- Tecnologia da Informação: A proposta reúne agentes de inteligência artificial para apoiar o cadastro e a atualização de dados de cooperados, clientes e fornecedores. A solução analisa documentos, organiza informações e sinaliza inconsistências ou campos incompletos. Também prevê alertas periódicos e contatos automatizados para solicitar atualizações e documentos. Conforme a maturidade do processo, as informações podem seguir para conferência ou atualização automática da base. O objetivo é reduzir tarefas manuais, evitar gargalos e manter dados mais completos e atualizados para as demais áreas.
Antecipar para transformar
Depois de explorar soluções para desafios do presente, a programação voltou o olhar para o amanhã. Na palestra de encerramento, a especialista em inovação e estratégia Glaucia Guarcello, CEO da HSM, provocou uma reflexão dos participantes: “Como estamos pensando o futuro das cooperativas?”. A palestrante apresentou a antecipação estratégica como forma de identificar oportunidades a partir de sinais externos: avanços tecnológicos, mudanças no comportamento do consumidor e movimentos geopolíticos. Na prática, isso significa aperfeiçoar o trabalho atual e, ao mesmo tempo, testar novas soluções, para que as cooperativas estejam prontas para mais de um caminho.
Essa preparação, segundo Glaucia, passa pelo desenvolvimento de capacidades para lidar com a incerteza, sem apostar em um único futuro. “A gente desenha cenários diferentes e a gente entende quais são as capacidades que eu preciso desenvolver para eu ser mais bem-sucedido em mais cenários.”
Fonte: Sistema Ocemg












