À frente do Conselho de Administração do Centro Cooperativo Sicoob (CCS) para o mandato 2026–2029, Miguel Ferreira de Oliveira assume a nova gestão com a missão de consolidar o crescimento do Sistema e transformar os avanços institucionais dos últimos anos em resultados concretos para as cooperativas e seus cooperados. Entre as prioridades estão o fortalecimento da governança, a ampliação dos serviços centralizados, a expansão territorial e os investimentos em tecnologia e inovação.
Em entrevista à MundoCoop, o dirigente também analisa os desafios que devem marcar o próximo ciclo, como a gestão de riscos no agronegócio, a segurança cibernética, as mudanças no comportamento dos consumidores e a aproximação com as novas gerações. Com presença em aproximadamente 45% dos municípios brasileiros e 4.756 pontos de atendimento, o Sicoob busca ampliar sua atuação, especialmente no Nordeste, sem perder a proximidade com as comunidades e os princípios cooperativistas.
Confira!
Quais serão as principais prioridades estratégicas do Conselho de Administração do Sicoob para o mandato 2026–2029? Que objetivos o senhor considera essenciais para fortalecer a atuação do Sistema e ampliar sua competitividade nos próximos anos?
Nossa principal prioridade para o mandato 2026–2029 é consolidar o crescimento alcançado pelo Sicoob nos últimos anos, criando condições para avançarmos de forma sustentável, eficiente e competitiva. Após importantes conquistas no aperfeiçoamento das estruturas organizacionais e de governança, sobretudo com a implantação do modelo de governança única no Centro Cooperativo Sicoob (CCS), queremos transformar esses avanços em resultados concretos para as cooperativas e seus cooperados.
Vamos priorizar a ampliação dos serviços centralizados, buscando mais eficiência e qualidade nas entregas, além de avançar no plano de ocupação e expansão territorial. Outro compromisso é fortalecer o Pacto Sistêmico de Estratégia, integrando cooperativas singulares, centrais e CCS, com respeito à autonomia de cada instituição. A transformação tecnológica também seguirá como prioridade, com investimentos em inovação e soluções que aumentem a produtividade, a competitividade e a qualidade da experiência dos cooperados.
O novo mandato combina a continuidade de 12 conselheiros com a chegada de dois novos integrantes. Como essa composição pode contribuir para preservar os avanços dos ciclos anteriores e, ao mesmo tempo, incorporar novas perspectivas à governança do Sicoob?
A permanência de 12 dos 14 conselheiros assegura a continuidade dos projetos e das diretrizes estratégicas construídas nos últimos anos, preservando a experiência e o conhecimento acumulados pelo colegiado. Estamos em uma etapa importante de consolidação dos avanços na governança e no modelo de atuação do CCS, o que exige consistência no planejamento e na execução das iniciativas em andamento.
Ao mesmo tempo, a chegada de dois novos conselheiros representa uma oportunidade de renovação, incorporando diferentes experiências e perspectivas às decisões. São lideranças que conhecem a realidade das cooperativas singulares e os desafios da gestão, além de terem assumido responsabilidades nas centrais e em seus sistemas regionais. Acredito nessa combinação entre experiência e renovação: a continuidade preserva os avanços conquistados, enquanto novas perspectivas enriquecem os debates e ampliam nossa capacidade de construir soluções.
Quais são os principais desafios que o Sicoob precisará enfrentar neste novo ciclo, considerando as transformações do mercado financeiro, o avanço tecnológico e as mudanças nas necessidades dos cooperados?
O ambiente econômico, as incertezas jurídicas e regulatórias, as transformações tecnológicas e as mudanças no comportamento dos consumidores impõem desafios importantes ao setor. Uma preocupação especial diz respeito ao agronegócio, segmento em que o Sicoob possui forte presença. Fatores climáticos, oscilações de mercado e o comprometimento da capacidade de pagamento dos produtores, inclusive com o aumento dos pedidos de recuperação judicial, exigem atenção à gestão de riscos e à qualidade da carteira de crédito.
Apesar dessas adversidades, o Sicoob construiu uma trajetória de solidez e conta com estruturas de governança e gestão que nos permitem enfrentar esse cenário com segurança. Também precisamos acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas, investindo em inovação, inteligência artificial, eficiência operacional e soluções digitais. A segurança cibernética é outra frente que exige investimentos permanentes em prevenção e monitoramento diante do avanço das fraudes e ameaças digitais. Por fim, precisamos ampliar a aproximação com as novas gerações, compreendendo suas expectativas e oferecendo produtos e experiências compatíveis com suas necessidades, contribuindo para a renovação da base de cooperados.
Entre os próximos passos para o Sistema Sicoob, estão o fortalecimento das estruturas de apoio às cooperativas, a eficiência e a segurança. Quais iniciativas devem orientar esse trabalho e como o Conselho pretende garantir que as decisões estratégicas se traduzam em resultados concretos para as cooperativas singulares e seus cooperados?
A eficiência, a segurança e a qualidade das entregas devem ser perseguidas de forma coordenada nos três níveis do Sistema: cooperativas singulares, centrais e CCS. As singulares devem fortalecer sua gestão, governança, controles internos e gerenciamento de riscos. Às centrais cabe a supervisão, orientação e apoio às filiadas. Já o CCS deve identificar oportunidades sistêmicas, estabelecer diretrizes estratégicas, desenvolver soluções e aprimorar os serviços centralizados, alinhando as entregas às necessidades das cooperativas.
O Conselho de Administração tem a responsabilidade de definir prioridades, acompanhar a execução das estratégias e avaliar os resultados. Mais do que estabelecer diretrizes, precisamos assegurar que as decisões se traduzam em benefícios concretos para as cooperativas e seus cooperados. Isso exige diálogo permanente entre os três níveis, clareza de responsabilidades, acompanhamento dos resultados e disposição para promover ajustes sempre que necessário. A grande força do Sicoob está na capacidade de integrar pessoas, compartilhar soluções e trabalhar coletivamente em torno de objetivos comuns.
Ao longo dos últimos anos, o Sicoob ampliou sua presença e atuação nacional. Quais são as principais oportunidades de crescimento e desenvolvimento para o Sistema nos próximos três anos? E que legado o senhor espera deixar ao final deste mandato, considerando o propósito de promover justiça financeira e prosperidade?
Nos últimos anos, o Sicoob avançou em seu processo de expansão e consolidação nacional, alcançando aproximadamente 45% dos municípios brasileiros. Hoje, contamos com 4.756 pontos de atendimento, constituindo a maior rede física de atendimento financeiro do país. Neste novo ciclo, uma das grandes oportunidades está em aprofundar nossa atuação nas localidades onde já estamos presentes, fortalecendo o relacionamento com os cooperados. Também temos potencial de crescimento, sobretudo na região Nordeste, onde precisamos intensificar nossa presença e ampliar o acesso aos benefícios do cooperativismo financeiro. Promover justiça financeira e prosperidade significa ampliar o acesso a serviços financeiros, estimular o empreendedorismo, apoiar as atividades produtivas e contribuir para que a riqueza gerada permaneça e circule nas próprias comunidades.
Em relação ao legado, destaco a consolidação da governança do terceiro nível e o fortalecimento da unidade sistêmica. Depois de aproximadamente 35 anos dedicados ao cooperativismo, minha maior satisfação é contribuir com a experiência acumulada e com o compromisso permanente com a ética, a integridade e os princípios cooperativistas. O que realmente importa é assegurar que o Sicoob continue evoluindo, fortalecendo suas cooperativas e ampliando sua capacidade de gerar oportunidades para milhões de brasileiros.
Por Leonardo César – Redação MundoCoop












