A poucos dias de um novo prazo da Reforma Tributária do Consumo, as cooperativas entram em uma etapa em que as mudanças passam a exigir decisões sobre contratos, fornecedores, sistemas, créditos e processos internos. Para as organizações abrangidas pelo regime específico do IBS e da CBS, 31 de outubro é a data-limite para formalizar a opção que produzirá efeitos a partir de 2027.
A escolha pode influenciar fluxo de caixa, precificação, aproveitamento de créditos e relações com fornecedores, clientes e cooperados. Esse avanço da reforma para dentro da operação é o principal tema do novo episódio do Papo Coop, lançado nesta segunda-feira (26). Na conversa conduzida pelo jornalista Leonardo César, Marina Lopes, integrante da Comissão de Cooperativismo da OAB São Paulo e colunista da MundoCoop, aborda os primeiros passos da preparação e os pontos que já exigem atenção das cooperativas.
Reforma além da contabilidade
Mesmo com aspectos da regulamentação ainda em desenvolvimento, Marina ressalta que a preparação não depende apenas da definição das alíquotas. As cooperativas precisam compreender a nova sistemática de tributação, conhecer a própria operação e avaliar como as regras se aplicam às atividades que desenvolvem. “Não é uma questão só da contabilidade, não é uma questão só do jurídico. É uma questão que envolve essas áreas, mas também áreas gerenciais, diretoria e compras”, afirma Marina Lopes.
De acordo com Marina, concentrar a transição na contabilidade é um dos principais pontos de atenção. Contratos, despesas, fornecedores, sistemas e aquisições exigirão informações e decisões produzidas por diferentes setores da organização.
Preparação antes da alíquota
Entre os trabalhos que já podem avançar estão o mapeamento de fornecedores e contratos, a classificação das aquisições e a identificação das operações capazes de gerar créditos. Dependendo do porte da cooperativa, esse processo também exigirá organização e parametrização de grandes volumes de dados. “Nesse cenário novo, o crédito é dinheiro. Então, quando vou fazer uma contratação, preciso entender o preço líquido livre dos tributos atuais, qual vai ser a CBS, IBS que vai incidir ali e se isso vai me dar crédito ou não”, explica Marina.
A documentação também ganha importância, já que deduções e créditos dependerão do atendimento aos requisitos previstos na nova legislação. Em 2027, a reforma entra em uma nova etapa, com a extinção de PIS e Cofins e o avanço da implementação dos novos tributos.
Capacitação
A preparação também passa pelas equipes. Ao longo do episódio, Marina defende que os colaboradores entendam como a reforma afeta as atividades que executam, permitindo que particularidades de cada processo sejam identificadas dentro das próprias áreas. “Não é uma capacitação que ‘fiz uma e resolvi’. Eu acho que ela tem uma continuidade”, afirma.
A recomendação é manter grupos técnicos de trabalho com participação das lideranças, capazes de acompanhar a evolução da legislação e organizar as adaptações necessárias.
Assista ao novo episódio do Papo Coop e acompanhe os próximos passos da reforma tributária nas cooperativas
Por Redação MundoCoop












