A transformação digital, a concorrência com bancos digitais e fintechs e as mudanças no comportamento das novas gerações estão entre os desafios estratégicos das cooperativas de crédito. Nesse cenário, investir em tecnologia exige também atenção à governança, à segurança e à capacidade de compreender as necessidades dos cooperados.
Durante o WCM 2026, o presidente da Sicoob Credicom, Dr. João Augusto Oliveira Fernandes, conversou com a MundoCoop sobre sobre inovação, liderança e integração de competências. Para o executivo, o evento contribui para a atualização dos gestores e para a construção de estratégias que garantam a continuidade dos negócios em um ambiente econômico de mudanças.
Fernandes aborda ainda a maturidade da cooperativa diante da inteligência artificial, a disputa pela atenção do público jovem e os planos de expansão, com foco em soluções financeiras e relacionamento de longo prazo.
Estratégia e perenidade
Como o tema do WCM 2026 se conecta ao momento econômico e aos desafios das cooperativas de crédito?
O momento exige decisões que considerem o futuro e a perenidade das cooperativas. A economia tem um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade, e precisamos compreender esse contexto para definir nossos próximos passos. Os debates do evento, incluindo questões de governança e inovação, ajudam a ampliar essa visão e a fortalecer as decisões estratégicas. Nosso objetivo é aproveitar esse conhecimento e compartilhá-lo com gestores e cooperados.
Inteligência artificial e governança
Em que estágio de maturidade a Credicom está na adoção de novas tecnologias e quais cuidados orientam esse processo?
Acredito que estamos bem posicionados. Temos trabalhado com as superintendências de Gente e de Inovação para avançar nessa agenda. A inteligência artificial é uma ferramenta importante para o sucesso da cooperativa, mas não é uma solução isolada para todos os desafios. Precisamos integrá-la a uma estratégia consistente, com governança e segurança. A tecnologia deve contribuir para a evolução do negócio sem deixar de lado os controles necessários para sustentar nossas operações.
Novas gerações e concorrência digital
Diante da expansão das fintechs e dos bancos digitais, como a Credicom pretende conquistar jovens que estão começando a vida financeira?
Esse público já faz parte da nossa estratégia de evolução, embora saibamos que atraí-lo não seja uma tarefa simples. Para competir com bancos digitais e fintechs, precisamos investir em inovação, tecnologia da informação e transformação digital. Apenas o discurso cooperativista não é suficiente para conquistar esses jovens. Temos de compreender o que crianças, adolescentes e novas gerações esperam dos serviços financeiros e desenvolver soluções compatíveis com suas necessidades. Esse entendimento deve orientar nossas escolhas.
Além da tecnologia, como as cooperativas podem se preparar para atender às diferentes gerações e manter sua relevância?
Precisamos olhar para as gerações como um todo, e não apenas para a faixa etária mais jovem. São essas mudanças geracionais que trazem novas demandas e exigem adaptações das organizações. Isso requer capacidade de compreender comportamentos, rever estratégias e superar obstáculos. A preparação passa por acompanhar essas transformações e desenvolver respostas que mantenham a cooperativa conectada aos diferentes públicos.
Crescimento e relacionamento consultivo
Quais são as prioridades da Credicom para os próximos anos e como elas se traduzem em valor para os cooperados?
Nosso planejamento estratégico busca expandir e crescer, mantendo uma atuação próxima da sociedade em que estamos inseridos. Mas crescer não significa apenas ampliar a cooperativa. Precisamos oferecer melhores condições financeiras, taxas e produtos, avaliando o que realmente faz sentido para cada cooperado. A proposta é ir além da oferta de produtos e financiamentos, assumindo também um papel consultivo. Queremos construir um relacionamento duradouro, com participação efetiva do cooperado na cooperativa.
O WCM também contribui para esse objetivo ao promover capacitação, formação e atualização. Precisamos levar esse conhecimento aos nossos talentos e criar condições para que os colaboradores sejam protagonistas da transformação dentro da Credicom.
Por Leonardo César e Fernanda Ricardi [Redação MundoCoop]












