Capacitação para gerir o negócio e precificar produtos, acesso ao crédito, formação de redes e abertura de mercados estão entre as estratégias de cooperativas mineiras para apoiar mulheres que empreendem no campo e nas cidades. As iniciativas alcançam artesãs, pequenas empresárias e produtoras rurais e contribuem para a inclusão produtiva, a geração de renda e o desenvolvimento local.
A atuação cooperativista se dá em um contexto no qual as mulheres, apesar de representarem 51,8% da população em idade ativa, são apenas 34,3% dos donos de negócios no Brasil, de acordo com a base de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2025. Mais da metade das empreendedoras (54%) são chefes de família e, segundo pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora, para a maioria (54,7%), o ponto de partida foi a necessidade financeira ou a busca por complementação de renda e flexibilidade de jornada.
Para o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, apoiar o empreendedorismo feminino é parte do compromisso do cooperativismo mineiro com a geração de prosperidade nas comunidades onde atua. “Quando uma mulher encontra, dentro de uma cooperativa, conhecimento para administrar melhor seu negócio, crédito para investir e caminhos para chegar ao mercado, o resultado não fica restrito a ela. Esse desenvolvimento chega à sua família, seu bairro e fortalece o próprio cooperativismo”, avalia.
Confira algumas iniciativas cooperativistas:
Conhecimento que abre portas
No Sicoob Credimata, a ferramenta para esse apoio é o projeto “Coop Mulheres”, lançado em 2026, que promove capacitações voltadas ao empreendedorismo, gestão e valorização profissional. A primeira experiência foi realizada em São João Nepomuceno com cerca de 20 artesãs da Arteca. Nos encontros, as participantes trabalharam temas como organização financeira e formação de preços.
Segundo Cláudia Castro, analista de Comunicação e Marketing da cooperativa, algumas delas não sabiam bem como administrar o próprio dinheiro antes da capacitação. “Depois do programa, essas mulheres passaram a enxergar o trabalho delas de uma outra forma, com mais valor, e a colocar preço justo nos produtos”, relata.
O Coop Mulheres também foi realizado em Juiz de Fora, com cerca de 25 participantes que já possuem negócios próprios. Na programação, as participantes tiveram o momento “Vozes que Inspiram”, que promove encontros com empresárias e profissionais para compartilhar experiências sobre empreendedorismo, valorização do trabalho e desafios enfrentados pelas mulheres.
Conexões para empreender
Em Araguari, o Sicoob Aracoop realiza desde 2024 o “Aracoop Delas”, iniciativa direcionada a mulheres que empreendem ou desejam desenvolver um negócio. O trabalho está concentrado em três frentes: conhecimento, visibilidade e conexões.
Em três edições, o projeto já reuniu 539 mulheres, cooperadas e não cooperadas. Em 2026, a programação inclui temas como tecnologia, inteligência artificial, transformação digital, proteção de dados, segurança no ambiente digital, liderança e sustentabilidade.
Este ano, a cooperativa também realizou a Feira de Empreendedorismo Feminino como parte do programa, com oito expositoras dos segmentos de moda, perfumaria, cosméticos, alimentação e artesanato. “Mais do que realizar um evento, nosso propósito é criar oportunidades para que mulheres se conectem, compartilhem experiências, ampliem seus conhecimentos e fortaleçam seu protagonismo. Quando investimos nas mulheres, contribuímos para o desenvolvimento de famílias, negócios e comunidades”, afirma a diretora de Coordenação e Desenvolvimento do Sicoob Aracoop, Andréia Ávila.
Mais crédito para elas
Em Divinópolis, o Sicoob Divicred inaugurou, em agosto de 2026, a “Sala Com Mulher”, destinada a cooperadas, empreendedoras, profissionais autônomas e produtoras rurais. No espaço, elas podem apresentar projetos, esclarecer dúvidas e conhecer soluções financeiras oferecidas pela cooperativa.
A sala ampliou o trabalho desenvolvido pelo Comitê Com Mulher, que já promoveu mais de 180 horas de capacitação para cooperadas e colaboradoras. Em 2026, a cooperativa concedeu mais de R$6 milhões em crédito por meio do Pacote Elas em Foco.
Em menos de um mês de funcionamento, a Sala Com Mulher realizou mais de 50 atendimentos, principalmente relacionados a limites e liberação de crédito. As operações originadas no espaço já superaram R$1,1 milhão.
Da lavoura à gestão
No Sul de Minas, o Grupo Cafeína Cocatrel reúne mulheres ligadas à produção e à gestão de propriedades cafeeiras. Criado há sete anos, em Três Pontas, o projeto desenvolve ações para capacitar e ampliar a participação das cafeicultoras na atividade e atua em mais quatro municípios: Nepomuceno, Ilicínea, Carmo da Cachoeira e Santana da Vargem.
Uma das integrantes é a produtora rural Nilce Cardoso, que passou a compartilhar com outras cooperadas experiências sobre lavoura, produção e qualidade do café. “Quando você tem um grupo de mulheres em que o objetivo é apoiar umas às outras, isso acende uma luz”, conta.
O Grupo Cafeína promove visitas técnicas, capacitações em campo, palestras e assessoria em pós-colheita, com temas como sustentabilidade, manejo do solo, qualidade sensorial, estratégia de mercado, gestão e governança. Na safra 2025/2026, grãos produzidos por integrantes do coletivo foram reconhecidos no programa Melhores Cafés Cafeína e também chegaram ao mercado internacional, com exportações para mais de 25 países.
A Cocatrel tem 2.179 mulheres titulares entre seus cooperados, 23,4% do quadro social. Segundo a cooperativa, esse contingente cresceu 12,6% no último ano, com a entrada de 243 novas cooperadas. Entre 2022 e 2025, as movimentações relacionadas às integrantes do grupo ultrapassaram R$112,4 milhões.
Segundo Iandra Vilela, coordenadora do Cafeína, a iniciativa também busca ampliar a participação feminina nos espaços de decisão. “O Grupo Cafeína Cocatrel é um movimento que transforma realidades e impulsiona o futuro da cafeicultura, tendo as mulheres como protagonistas dessa evolução”, afirma.
Fonte: Sistema Ocemg com adaptações da MundoCoop












