Há mais de 180 anos, as cooperativas contribuem para ampliar oportunidades e promover inclusão. Nascido como alternativa a modelos econômicos que deixavam parte da população à margem do desenvolvimento, o cooperativismo tem entre seus princípios o compromisso com as pessoas e com as comunidades onde está presente.
Ao longo do tempo, essa vocação se adaptou a diferentes desafios sociais. Se no passado o foco era enfrentar os impactos da Revolução Industrial, hoje as cooperativas também atuam para reduzir desigualdades, ampliar o acesso a serviços essenciais e criar condições para que mais pessoas possam desenvolver seu potencial.
No Espírito Santo, esse compromisso se reflete tanto na geração de empregos quanto no apoio a iniciativas voltadas à inclusão social. Os resultados já podem ser percebidos. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Capixaba 2026, as cooperativas do estado empregam 426 Pessoas com Deficiência (PcDs), número 35,7% superior ao registrado em 2023 e equivalente a 3,1% do total de trabalhadores do setor.
Mas a contribuição do cooperativismo para a inclusão vai além dos vínculos empregatícios. Em diferentes regiões capixabas, cooperativas apoiam projetos, instituições e ações que promovem acolhimento, educação, qualificação profissional e desenvolvimento de pessoas com deficiência e suas famílias. Conheça alguns exemplos a seguir!
Tratamento personalizado para crianças com deficiência intelectual
Na Unidade de Terapias Especiais da Unimed Sul Capixaba, também conhecida como Integrar, crianças com eficiência intelectual de todas as idades recebem um acompanhamento personalizado. O atendimento é baseado na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), uma metodologia científica que ajuda a desenvolver habilidades e reduzir comportamentos desafiadores.
O tratamento é multidisciplinar e foca na estimulação primária ainda na primeira infância. Além disso, cada criança recebe um plano individual que compreende suas necessidades específicas. O cuidado é garantido por uma equipe de profissionais capacitados e experientes, assegurando a efetivamente do tratamento.
Ao chegarem no Integrar, por meio de encaminhamento médico, as crianças percorrem uma jornada estruturada. Elas passam por uma entrevista inicial, são avaliadas e recebem um Plano de Ensino Individualizado (PEI), para depois seguirem com o atendimento terapêutico. Ao final do ciclo, são reavaliadas e recebem alta.
Qualificação profissional para pessoas com síndrome de Down
Se envolver com as comunidades passa por fomentar a inclusão produtiva. Por isso, a Sicredi Serrana apoia a Associação Cariacica Down, com recursos do seu Fundo Social. Em agosto de 2026, a associação inaugurou a sua “Fábrica da Inclusão e Loja Social”, ambientes onde pessoas com síndrome de Down e deficiência intelectual desenvolvem competências técnicas, sociais e comportamentais.
Os participantes são atendidos gratuitamente e estimulados a exercitar habilidades como atendimento ao público, organização, comunicação, comercialização, relacionamento interpessoal e trabalho em equipe. Essas experiências potencializam a autonomia profissional e ampliam oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Com o apoio da Sicredi Serrana, a associação pôde melhorar a estrutura dos ambientes onde as atividades acontecem, com a instalação de divisórias, compra de mobiliário e melhorias físicas para tornar tudo mais acessível, convidativo e funcional.
Acolhimento para crianças com transtornos do neurodesenvolvimento
O que uma cooperativa faz por um cooperado? A Coopservidor ES mostra que o vínculo pode ir além da prestação de serviços inerentes ao negócio. A cooperativa de crédito apoia a Associação Inclusiva de Apiacá (AIA), criada pela cooperada Isabel Emerenciano Quirino e o seu marido, após enfrentarem dificuldades para encontrar espaços acolhedores para o próprio neto, que é autista.
A instituição atende mais de 60 crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, deficiências intelectuais, síndromes raras e outras condições que exigem atenção especializada. Por ficar em uma cidade pequena, com pouco mais de 7 mil habitantes, a associação se tornou um refúgio para famílias que buscam uma rede de apoio.
O espaço oferece atividades terapêuticas, pedagógicas e psicológicas, além gerar uma sensação de acolhimento nas crianças e famílias que são atendidas. Para manter toda essa estrutura funcionando, a associação depende de apoiadores como a Coopservidor ES, que acreditam no trabalho e impacto social da iniciativa.
Educação inclusiva com IA e impressora 3D
Metodologias de ensino padronizadas nem sempre funcionam para todos. Na Cooperativa Educacional de Linhares (CEL), isso ficou perceptível quando um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou a demandar atividades adaptadas.
A equipe pedagógica decidiu criar um assistente virtual para o estudante, que ajuda a personalizar conteúdos, tornando-os mais atrativos e envolventes. Para potencializar os resultados, uma outra tecnologia entrou em campo: uma impressora 3D. O equipamento foi utilizado para criar miniaturas de dinossauros e ovos do réptil, por ser um hiperfoco do estudante.
O intuito é extrapolar a escrita como técnica de ensino à medida que o aluno manuseia objetos concretos e de seu interesse. A estratégia engloba diversas áreas do conhecimento, como matemática e história, melhorando a curva de aprendizagem de forma interdisciplinar. Contudo, a tecnologia não substitui os professores, que identificam as necessidades do discente e avaliam sua evolução.
Apoio financeiro a instituições que promovem inclusão social
Fortalecer uma instituição social que já existe pode ser mais efetivo do que criar um projeto solidário do zero. Foi com esse entendimento que o Sicoob Espírito Santo criou o seu Edital Social, que apoia organizações da sociedade civil sem fins lucrativos por meio do repasse de recursos financeiros.
Em 2026, o edital chegou à sua 8ª edição, beneficiando 272 projetos sociais e mais de 250 mil pessoas em 82 municípios do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia. Entre os eixos de atuação contemplados estão a inclusão social e a cidadania, colocados em prática por instituições que acolhem Pessoas com Deficiência (PcDs), tanto físicas quanto intelectuais.
Entre os projetos apoiados estão a implantação e manutenção de serviços de fisioterapia para PcDs de Ponto Belo e Mucurici; a construção de um espaço sensorial e inclusivo para crianças com autismo em Itapemirim; a realização de aulas de jiu-jítsu inclusivas na Apae de Viana; e hidroterapia inclusiva para pessoas para PcDs da Apae de Barra de São Francisco.
Fonte: Sistema OCB/ES












