O presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, foi reeleito, com nesta terça-feira (15), para o Conselho de Administração da Aliança Cooperativa Internacional (ACI). O resultado foi definido durante a Assembleia Geral Eleitoral da entidade, realizada na Cidade do Panamá, e mantém o Brasil em uma das principais instâncias de decisão do cooperativismo mundial.
A eleição reuniu lideranças e representantes de organizações cooperativistas de diferentes países. Ao todo, 24 candidatos disputaram 15 vagas no Conselho de Administração, responsável por participar das decisões estratégicas e da definição dos rumos da maior organização de representação do movimento cooperativista em nível global.
Para Márcio, a reeleição representa o reconhecimento da força alcançada pelo cooperativismo brasileiro. “Essa é uma conquista de todo o movimento brasileiro. Chegamos até aqui representando milhões de cooperados e milhares de cooperativas que mostram, todos os dias, a capacidade desse modelo de gerar desenvolvimento, renda e oportunidades.

O presidente também reforçou que o resultado amplia a responsabilidade do país nos debates internacionais. “Permanecer no Conselho da ACI significa garantir que o Brasil continue tendo voz ativa nas grandes discussões sobre o presente e o futuro do cooperativismo mundial, o que nos dá ainda mais responsabilidades para ocupar esse cargo”, afirmou.
Articulação
A recondução ocorreu em meio ao fortalecimento da atuação internacional do Sistema OCB e ao aprofundamento das relações com organizações cooperativistas das Américas, Europa, Ásia e África. Nos últimos anos, o cooperativismo brasileiro ampliou sua participação em fóruns internacionais, reuniões bilaterais e agendas relacionadas a temas como segurança alimentar, sustentabilidade, inovação, transição energética, inclusão financeira, comércio e desenvolvimento econômico e social.
A possibilidade de criar conexões e oportunidades para o setor ao ocupar espaços de governança internacional também foi destacada pelo presidente Márcio. “O Brasil tem muito a compartilhar com o mundo, mas também muito a aprender. Quando estamos nesses espaços, conseguimos construir pontes, trocar experiências, aproximar organizações e identificar oportunidades que podem chegar às nossas cooperativas. A representação internacional precisa se transformar em resultados concretos para quem está na ponta”, apontou.
Ampliação da representação
A reeleição para o Conselho da ACI integra uma agenda mais ampla de participação brasileira nas eleições realizadas durante a programação internacional no Panamá. Além da Assembleia Eleitoral para o Conselho e a presidência da ACI, a programação reúne Assembleias Eletivas da ACI Américas, dos comitês de gênero e juventude e das organizações setoriais vinculadas tanto à ACI global quanto à representação continental.
A presença simultânea em diferentes instâncias demonstra, de acordo com o presidente Márcio, que a estratégia brasileira ultrapassa a simples ocupação de uma cadeira e busca ampliar a capacidade de participação do país na construção das políticas do movimento.
“Queremos uma representação brasileira cada vez mais ampla e qualificada. É importante estar no Conselho global, mas também fortalecer nossa presença nas Américas, no cooperativismo agropecuário, na juventude e nas organizações setoriais. Cada espaço conquistado aumenta nossa capacidade de contribuir, construir alianças e defender uma agenda que reconheça o cooperativismo como instrumento de desenvolvimento”, explicou.
Comitiva brasileira
O Brasil participa da programação no Panamá com uma delegação de 34 pessoas, formada por representantes do Sistema OCB, organizações estaduais e lideranças do movimento cooperativista. A apresentação pública do novo Conselho de Administração da ACI está prevista para quinta-feira (17), durante a Conferência Global.
Com a reeleição, Márcio seguirá representando o cooperativismo brasileiro em um dos principais espaços de governança do movimento mundial. Para ele, o desafio agora é transformar a presença internacional em novas oportunidades e resultados.
“Essa reeleição aumenta nossa responsabilidade. Vamos continuar trabalhando para que o Brasil seja cada vez mais ouvido e respeitado e para que nossa atuação internacional gere conexões, conhecimento e oportunidades para as cooperativas. Temos um cooperativismo forte e queremos contribuir ativamente para construir um movimento global ainda mais relevante para a sociedade”, concluiu.
Conselho reúne representantes de 16 países
A eleição que reconduziu Márcio Lopes de Freitas ao Conselho de Administração também definiu uma nova composição para a principal instância de governança da Aliança Cooperativa Internacional no período de 2026 a 2030. Ao todo, 116 votantes, representando 193 organizações membros de 66 países, participaram da Assembleia Geral realizada no Panamá.
Além da presidência, 15 vagas de conselheiros gerais foram disputadas por 24 candidatos. O resultado formou um grupo com representantes de 16 países, considerando também o presidente da entidade. Entre os 15 conselheiros eleitos, sete já integravam o Conselho e oito chegam para um novo mandato, ampliando a diversidade geográfica da instância responsável por participar das principais decisões estratégicas da organização.
Ao lado de Márcio Lopes de Freitas, do Brasil, foram reconduzidos Attilio Dadda, da Itália; Douglas O’Brien, dos Estados Unidos; Simona Cavazzutti, do Paraguai; Rose Marley, do Reino Unido; Íñigo Albizuri Landazabal, da Espanha; e Maria Eugenia Pérez Zea, da Colômbia.
Entre os novos integrantes estão Marie-Josée Paquette, do Canadá; Dileep Sanghani, da Índia; Yuyan Wang, da China; Yoshito Shinno, do Japão; Ünal Örnek, da Turquia; Ryszard Jaśkowski, da Polônia; Abdul Fattah Abdullah, da Malásia; e Bastien Sibille, da França.
A composição coloca lado a lado lideranças ligadas a diferentes segmentos e estruturas do cooperativismo mundial, de organizações agropecuárias e entidades nacionais de representação a grupos envolvidos com políticas públicas, relações internacionais e desenvolvimento do movimento.
Ariel Guarco permanece à frente da ACI
A Assembleia também confirmou a continuidade de Ariel Guarco na presidência da Aliança Cooperativa Internacional. O argentino foi eleito sem oposição para mais um mandato à frente da entidade, posição que ocupa desde 2017, quando chegou ao cargo durante a Assembleia Geral realizada em Kuala Lumpur, na Malásia.
Ao receber o novo Conselho, Guarco reforçou o caráter democrático da governança cooperativista e defendeu uma atuação baseada em participação e inclusão. A eleição ocorre em um momento de renovação relevante da estrutura, já que oito dos 15 conselheiros gerais eleitos passam a integrar o grupo.
O novo mandato também sucede um período de maior projeção internacional do movimento, impulsionado pelo Ano Internacional das Cooperativas de 2025 e pela ampliação das discussões sobre o papel do modelo cooperativista diante de desafios econômicos, sociais e ambientais globais.
Uma governança com alcance global
O Conselho de Administração da ACI possui 30 integrantes e vai além dos 15 conselheiros escolhidos diretamente na Assembleia. A estrutura conta ainda com o presidente, quatro vice-presidentes que representam as regiões da organização, oito representantes das organizações setoriais globais, além das lideranças dos comitês de Juventude e de Igualdade de Gênero.
Nas representações regionais, Macloud Malonza integra a governança pela ACI África; José Alves de Souza Neto pelas Cooperativas das Américas; Chandrapal Singh Yadav pela Ásia-Pacífico; e Giuseppe Guerini pela Europa.
Também fazem parte da estrutura representantes internacionais de segmentos como saúde, habitação, pesca, seguros, serviços financeiros, agricultura, consumo, indústria e serviços. Harsh Sanghani, pela Juventude, e Xiomara Nuñez de Céspedes, pelo Comitê de Igualdade de Gênero, completam a composição.
A abrangência da nova governança reforça o caráter multissetorial da ACI e coloca diferentes experiências nacionais e segmentos econômicos em uma mesma estrutura de decisão para os próximos quatro anos.
Próximos quatro anos
A renovação do Conselho acontece simultaneamente ao início de um novo ciclo estratégico da ACI. A estratégia 2026–2030, denominada “Practice, Promote, Protect”, organiza a atuação da entidade em cinco frentes: Pessoas, Dados, Advocacy, Finanças e Futuro.
Durante a Assembleia, os membros também discutiram mudanças na estrutura de participação da organização. Entre os temas que deverão avançar sob responsabilidade do novo Conselho está o desenvolvimento de uma nova fórmula para o cálculo das contribuições dos membros e dos respectivos direitos de voto.
A próxima Assembleia Geral da ACI deverá ocorrer antes de 1º de julho de 2027. Até lá, a nova composição inicia um mandato que combina renovação e continuidade e terá pela frente o desafio de transformar a maior diversidade de países, setores e experiências presentes na governança em respostas conjuntas para um movimento cooperativista cada vez mais conectado globalmente.
Fonte: Sistema OCB e ACI com adaptação da MundoCoop












