A ciência brasileira está cada vez mais próxima do mercado. O crescimento das deep techs — startups de base científica e tecnológica — evidencia uma mudança no papel das universidades e institutos de pesquisa, que vêm ampliando sua atuação na transformação do conhecimento em soluções para desafios da sociedade.
Segundo o Deep Tech Radar Latam 2025, o número de deep techs brasileiras passou de aproximadamente 457, em 2019, para 952 em 2025, mais que dobrando em seis anos. Atualmente, o Brasil concentra 72,3% das deep techs da América Latina, consolidando-se como o principal ecossistema da região.
Essa transformação também é destacada pelo relatório Global Deep Tech Ecosystems: Catalyzing Innovation for Sustainable Development, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que aponta as deep techs como fundamentais para enfrentar desafios complexos em áreas como agricultura, mudanças climáticas, segurança alimentar, energia e saúde.
“Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado um crescimento importante do empreendedorismo científico e das deep techs. A Academia AptaHub surge nesse contexto para aproximar pesquisadores das competências necessárias para transformar conhecimento em inovação. É muito bom ver cada vez mais institutos de pesquisa incorporando esse tema e mostrando que a ciência pode gerar impacto econômico, social e ambiental por meio do desenvolvimento de tecnologias, novos negócios e soluções para a sociedade”, afirma Débora Prado, líder de projetos do AptaHub.
Nesse cenário, o AptaHub concluiu a primeira edição da Academia AptaHub, programa gratuito voltado à capacitação de pesquisadores, mestrandos, doutorandos e pós doutorandos dos Institutos de Pesquisa da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA). Ao longo de três semanas, os pesquisadores participaram de uma trilha de capacitação voltada à transformação do conhecimento científico em inovação. A programação abordou temas como cultura de inovação e empreendedorismo, propriedade intelectual, identificação de oportunidades de mercado, desenvolvimento e validação de soluções, captação de recursos para inovação e preparação de pitches, oferecendo ferramentas para ampliar o potencial de aplicação prática das pesquisas.
Ao todo, 18 pesquisadores, representantes de quatro institutos da APTA — Instituto Agronômico (IAC), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), Instituto Biológico (IB) e Instituto de Economia Agrícola (IEA) — concluíram a primeira edição do programa. Os resultados demonstram o potencial da iniciativa. Após o encerramento da capacitação, 94% dos participantes afirmaram que pretendem dar continuidade ao desenvolvimento dos projetos trabalhados durante o programa.
Mais de 80% dos participantes pretendem publicar resultados científicos e técnicos, enquanto 72,2% planejam realizar testes de campo ou projetos-piloto. Além disso, 66,7% desejam validar suas soluções em ambiente controlado e 61,1% pretendem buscar editais de fomento para dar continuidade ao desenvolvimento das tecnologias.
A capacitação não apenas fortaleceu competências em inovação e empreendedorismo científico, mas também incentivou os pesquisadores a avançarem para etapas fundamentais da jornada de inovação, como validação tecnológica, transferência de conhecimento e aproximação com o mercado. Para um dos participantes, a principal mudança foi a forma de enxergar sua própria pesquisa.
“O programa ajudou a enxergar minha pesquisa para além do ambiente acadêmico, compreendendo seu potencial de inovação, transferência tecnológica e impacto no mercado. Deixei de enxergar meu projeto apenas como uma dissertação de mestrado e passei a vê-lo como uma potencial solução para um problema real.”
Fonte: AptaHub












