Durante muito tempo, o seguro ocupou um espaço secundário dentro da jornada dos cooperados, frequentemente tratado como um produto complementar ofertado ao lado de crédito, insumos ou outros serviços. No entanto, a combinação entre mudanças climáticas, instabilidade econômica, transformação digital e novos riscos operacionais vem alterando essa lógica.
Em um cenário cada vez mais complexo, a proteção passa a ser vista como elemento estratégico para garantir continuidade, competitividade e sustentabilidade dos negócios cooperativos. Essa mudança acompanha uma transformação mais ampla no comportamento dos cooperados.
Assim como em outros segmentos da economia, cresce a demanda por experiências personalizadas, atendimento consultivo e soluções adaptadas às necessidades específicas de cada realidade. No campo e nas comunidades, essa tendência também redefine a forma como seguros são concebidos, distribuídos e percebidos.
Proteção como instrumento de resiliência
Os impactos climáticos extremos e a volatilidade dos mercados ampliaram a percepção sobre a importância da gestão de riscos. Para Fabio Lopes, Superintendente Comercial Cooperativas e Agronegócios da Mapfre, esse movimento tem provocado uma mudança significativa na relação dos cooperados com a proteção.
“O mercado atual, marcado por mudanças climáticas, maior volatilidade econômica, digitalização e novos riscos operacionais, tem ampliado significativamente a percepção de riscos. Esse cenário tem impulsionado alguns movimentos importantes, como uma maior busca por proteção integrada, demanda por coberturas mais abrangentes e flexíveis, além da valorização de agilidade e suporte consultivo. Nesse contexto, o seguro deixa de ser apenas uma proteção reativa e passa a assumir um papel mais estratégico, como instrumento de resiliência e continuidade do negócio”, afirma Lopes.
A mudança de percepção também cria oportunidades para as cooperativas ampliarem sua proposta de valor. Ao incorporar soluções de proteção de forma integrada à jornada do associado, elas fortalecem o relacionamento e oferecem mais segurança para decisões de investimento, expansão e planejamento.
Segundo o executivo, “a proteção se torna estratégica quando deixa de ser percebida como custo e passa a atuar como alavanca de geração de valor. Nesse sentido, ela contribui diretamente para a redução de perdas e da volatilidade financeira, trazendo mais previsibilidade ao negócio do cooperado. Além disso, amplia a capacidade de investimento, ao mitigar riscos relevantes e dar mais segurança para a tomada de decisão”.
Personalização redefine a experiência
A evolução das expectativas dos consumidores também chegou ao mercado segurador. Cada vez mais, cooperados buscam soluções alinhadas ao seu perfil, ao porte de sua atividade e aos riscos aos quais estão expostos. Para atender essa demanda, dados e tecnologia assumem papel central na construção de produtos mais aderentes.
“A Mapfre tem evoluído sua atuação com foco crescente na customização das soluções. A partir de um histórico consistente de dados, conseguimos desenvolver produtos mais modulares e flexíveis, adaptados aos diferentes perfis de cooperados, desde pequenos até grandes produtores”, destaca Fabio Lopes.
O uso de informações relacionadas à produção, histórico, localização e exposição a riscos permite compreender melhor as necessidades de cada público e estruturar coberturas mais adequadas. Na prática, isso amplia a relevância das ofertas e melhora a experiência do cooperado.
Para o executivo, o próximo passo é consolidar o seguro como parte integrante da estratégia cooperativa. “Transformar o seguro de um produto complementar em uma solução estratégica passa, antes de tudo, por conscientização. Outro ponto chave é a integração com a jornada do cooperado, inserindo o seguro em momentos decisivos, como financiamento e planejamento da safra. Nesse contexto, a Mapfre acredita que o futuro do seguro está em se consolidar como um instrumento de gestão e crescimento, contribuindo diretamente para a sustentabilidade e a competitividade do cooperado”, conclui.
Mais do que uma proteção contra imprevistos, os seguros caminham para ocupar um papel de protagonismo na geração de valor dentro do cooperativismo. Em um ambiente marcado por mudanças constantes, proteger tornou-se também uma forma de crescer.

Conteúdo exclusivo publicado na edição 132 da Revista MundoCoop












