Funciona como uma propriedade rural e promove os preceitos do cooperativismo, mas é uma escola. Assim é o Centro Estadual de Educação Profissional Olegário Macedo, em Castro (PR), o maior colégio agrícola do Paraná e também o primeiro a implantar uma cooperativa escolar. Voltado à formação de técnicos agropecuários, o colégio gerou R$ 2,3 milhões em receita, em 2025, com a produção e comercialização de leite, grãos e suínos.
“Nesta escola, os alunos têm a vivência de um produtor rural. Com isso, aprendem a tocar uma propriedade, da produção agrícola e pecuária à venda dos produtos”, afirma Renato Hey Gondin, coordenador dos colégios agrícolas da Secretaria de Estado da Educação (Seed).
Criadas por meio de uma lei estadual de 2023, as cooperativas-escola funcionam em 21 dos 32 colégios agrícolas do Paraná. As atividades técnico-produtivas englobam o plantio e a colheita de grãos, manejo pecuário, aquisição de insumos e equipamentos agrícolas, atividades pedagógicas, visitas técnicas, melhorias de estrutura física, entre outras.
Com 340 alunos, o colégio agrícola de Castro atingiu, no ano passado, a produção de 2 mil litros de leite por dia, 1 mil toneladas de milho, 300 toneladas de soja e 500 suínos. A produção é comercializada com a Castrolanda – cooperativa agroindustrial com sede em Castro -, via cooperativa escolar, e os recursos retornam integralmente para o colégio.
Conforme Gondin, o dinheiro é aplicado em melhorias estruturais da sede da escola, como reforma de blocos e do telhado. Ainda, na compra de insumos para a rotina das atividades agropecuárias e na substituição de equipamentos. Também há investimentos da Seed, direcionados para aquisições de patrimônio, maquinários e novas tecnologias, como drones de pulverização e tratores.
Fazenda-escola
A diretora geral do colégio, Sueli Marcondes Bueno, conta que na fazenda-escola o rebanho atual é de 86 vacas da raça holandesa, sendo 36 em lactação. A área da lavoura é de 90 hectares (ha), num total de área agricultável de 463,31 ha. Além disso, o local conta com área de reserva legal correspondente a 50%. Atualmente, a colheita da soja está em andamento. Sueli também comenta que parte da produção de leite e de suínos é destinada ao consumo dos alunos, que também mantêm uma horta para compor o cardápio escolar.
Com 150 estudantes em sistema de internato, as disciplinas são distribuídas entre teoria e prática. “Em 50% do período do curso, os estudantes estão em campo”, ressalta Sueli.
Na lavoura, o aprendizado prático vai do plantio das sementes, passando pela irrigação, aplicação de defensivos e colheita, além da avaliação da produtividade e rentabilidade das culturas. Já na pecuária, os estudantes aprendem do manejo do gado leiteiro e da alimentação à ordenha e limpeza do barracão. Também aprendem a cuidar dos bezerros e acompanham partos, assim como na suinocultura e na ovinocultura, onde realizam a técnica da descorna. Além disso, têm contato com disciplinas em laboratórios, gestão financeira e sustentabilidade do negócio.
A estudante Beatriz Seganfredo, de 15 anos, está no 2º ano do curso. À reportagem, ela conta que as áreas relacionadas à produção animal e zootecnia têm chamado a atenção. “É muito interessante participar das aulas práticas e ter contato com os animais”, diz.
Filha de agrônomo, Beatriz comenta que tinha mais familiaridade com as plantações antes de ingressar no colégio e a pecuária foi novidade. Ela considera a vivência da rotina no campo fundamental e planeja seguir na área futuramente: “pretendo fazer Agronomia”.
Vocação
A vocação e o potencial do segmento agropecuário na região e no Estado são aspectos decisivos para a manutenção e o fortalecimento dos colégios agrícolas no Paraná. Conforme Gondin, a meta é ampliar o número de estabelecimentos para 40 escolas dentro de quatro anos.
O técnico agrícola Roberth Corrêa Anhaia, de Piraí do Sul, foi aluno da Escola Olegário Macedo entre 2019 e 2021. Filho de um operador de máquinas agrícolas, ele atua dando assistência técnica a produtores de morango da região. Além disso, está no 7º período do curso de Agronomia de uma instituição particular, como bolsista do Prouni. “Mesmo com a rotina alterada devido à pandemia, tive acesso a inovações e conhecimento técnico, com professores capacitados e um contato próximo com o campo”, lembra.
Para ele, a passagem pelo colégio agrícola foi só o início da caminhada no agro: “pretendo fazer mestrado e doutorado, seguindo para a área de pesquisa e de extensionismo. Sonho em levar conhecimento, principalmente, para os pequenos produtores”.
Entre os parceiros dos colégios para o funcionamento das cooperativas-escola, estão a Ocepar e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que contribuem com suporte e mentorias para os diretores. A New Holland também é parceira da Seed-PR, por meio de cooperação técnica, para aulas de Agricultura Digital.
Direcionado a estudantes da 2ª e 3ª séries dos colégios agrícolas, além de professores das áreas técnicas que participam de capacitações específicas, o programa contempla temas como sistemas de navegação por satélite (GNSS), telemetria, Internet das Coisas (IoT) e gestão de dados agrícolas.
Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop












