O Ministério da Agricultura e Pecuária inicia uma nova fase administrativa com a saída de Carlos Fávaro e a nomeação de André de Paula para o comando da Pasta, em um movimento que ocorre em meio a articulações políticas no Congresso Nacional.
Após ser exonerado na última sexta-feira (27), Carlos Fávaro retornará ao ministério nesta segunda-feira (30) com o objetivo de conduzir a transição de gestão. A posse do novo ministro está prevista para quarta-feira (1º de abril). Senador pelo PSD de Mato Grosso, Fávaro confirmou que reassume temporariamente suas funções para encerrar sua atuação à frente da Pasta e organizar a transferência de responsabilidades.
A saída do ministro está diretamente relacionada à estratégia do governo federal para atuação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Fávaro reassumiu seu mandato no Senado para evitar a substituição por sua suplente, o que poderia alterar o posicionamento do governo no colegiado. Paralelamente, o ex-ministro já sinalizou que deve disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro.
Novo comando amplia orçamento e responsabilidade no agronegócio
A partir da posse, André de Paula deixará o Ministério da Pesca e Aquicultura para assumir uma das pastas mais estratégicas do agronegócio brasileiro. A mudança representa uma ampliação significativa no volume de recursos sob sua gestão.
Enquanto o Ministério da Pesca operava com aproximadamente R$ 270 milhões voltados ao custeio e programas finalísticos, o Ministério da Agricultura dispõe de um orçamento total de R$ 12,1 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 4,5 bilhões são destinados diretamente à execução de políticas públicas e programas do setor agropecuário.
Além disso, a estrutura da Pasta inclui órgãos e fundos estratégicos para o desenvolvimento da agropecuária nacional, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com orçamento superior a R$ 4,8 bilhões, e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), que tem previsão de R$ 7,4 bilhões para 2026. Esses instrumentos são fundamentais para o avanço tecnológico, financiamento e sustentação da produção agropecuária brasileira.
Trajetória política e experiência administrativa
Natural do Recife (PE), André Carlos Alves de Paula Filho tem 62 anos e formação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Servidor público federal de carreira, acumula mais de quatro décadas de atuação na vida pública.
Sua trajetória inclui passagens pelo Legislativo municipal, estadual e federal. Foi vereador do Recife, deputado estadual por Pernambuco por dois mandatos e exerceu seis legislaturas consecutivas como deputado federal. No Congresso Nacional, ocupou cargos relevantes, como integrante da Mesa Diretora da Câmara, líder partidário e presidente de comissões estratégicas, incluindo Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
No Executivo estadual, também atuou como secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco, além de secretário das Cidades. Mais recentemente, estava à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura, posição que ocupava desde a recriação da Pasta em 2023.
A mudança no comando do Ministério da Agricultura ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro, setor que mantém forte relevância na economia nacional, especialmente nas cadeias de avicultura, suinocultura, grãos e exportações. A nova gestão deverá lidar com desafios relacionados à ampliação de mercados, sustentabilidade da produção, sanidade animal e competitividade internacional.
Fonte: Agrimídia com adaptações da MundoCoop












