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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Pessoas e empresas querem mais eficiência e as cooperativas tem um papel central nisso

Com 432 MW em contratos, cooperativa lidera a geração distribuída em um cenário de expansão do cooperativismo energético no país

Mundo Coop POR Mundo Coop
17 de março de 2026
ENTREVISTA
Lissandra Busnardo Prestes, representante comercial da COGECOM

Lissandra Busnardo Prestes, representante comercial da COGECOM

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A expansão da geração distribuída tem reposicionado o setor elétrico brasileiro ao incorporar modelos mais descentralizados, sustentáveis e orientados à previsibilidade de custos. Nesse movimento, o cooperativismo ganha relevância ao estruturar soluções coletivas que ampliam o acesso à energia e reorganizam a relação de consumo.

Os números ajudam a dimensionar esse avanço setorial. Dados apresentados no Anuário do Cooperativismo 2025 indicam que 906 cooperativas já atuam com geração distribuída no Brasil, envolvendo cerca de 8,37 milhões de cooperados. A potência instalada chegou a 550,4 MW, crescimento de 125%, e a geração por fontes renováveis evitou a emissão de aproximadamente 1 milhão de toneladas de CO₂ em 2024. No ambiente de contratação livre, cooperativas registraram economia média de 20% nas tarifas.

A COGECOM, cooperativa fundada em 2017, é um dos destaques desse cenário. Com 432 MW em contratos e presença em oito estados, consolidou-se como a maior marca de geração distribuída do país. O desempenho reflete um modelo baseado no compartilhamento de créditos energéticos, que permite ao consumidor participar da geração sem necessidade de investimento próprio em infraestrutura.

A seguir, em entrevista exclusiva à MundoCoop, Lissandra Busnardo Prestes, representante comercial da COGECOM, analisa os fatores que impulsionam o crescimento da geração distribuída, os desafios operacionais do segmento e as perspectivas de expansão do modelo cooperativo no mercado energético.

Confira!

MundoCoop: A geração distribuída tem avançado no Brasil nos últimos anos. Na sua avaliação, quais fatores têm sustentado esse crescimento e qual é o papel das cooperativas nesse processo?

Lissandra Busnardo: O crescimento da geração distribuída no Brasil reflete uma mudança de comportamento clara. Hoje, pessoas e empresas querem mais eficiência, previsibilidade e soluções energéticas sustentáveis. Além disso, a tecnologia avançou e os modelos compartilhados facilitaram o acesso a esse tipo de energia.

As cooperativas têm um papel central nisso. Na COGECOM, usamos o excedente de energia de nossas usinas parceiras e transformamos em créditos para os cooperados. Assim, mesmo quem não tem sistema próprio consegue participar da geração de energia e reduzir a fatura. É um jeito de ampliar o alcance de forma justa e coletiva.

MC: No caso das cooperativas, a geração distribuída assume uma lógica diferente de organização do consumo e da produção de energia. Quais elementos desse modelo têm contribuído para ampliar o acesso a esse tipo de solução?

LB: O grande diferencial é o compartilhamento. Quando os consumidores se unem em uma cooperativa, é possível dividir custos, ganhar escala e tornar a energia renovável acessível para todos.

Na COGECOM, a energia excedente das usinas gera créditos que vão para os cooperados. Assim, quem não tem espaço ou recursos para instalar um sistema próprio também participa, economiza na conta e colabora com um modelo mais sustentável.

MC: Na prática, o que tem motivado consumidores e empresas a buscar modelos compartilhados de energia? Existe hoje uma mudança de mentalidade em relação ao consumo energético?

LB: Sim, há uma mudança grande. Hoje, consumidores e empresas estão mais conscientes sobre custos e eficiência. As empresas, especialmente, querem previsibilidade e soluções que tragam resultados consistentes.

Os modelos compartilhados atendem bem a essa demanda. Na COGECOM, os cooperados reduzem suas faturas enquanto participam de um sistema colaborativo, moderno e sustentável. É uma forma de economizar e, ao mesmo tempo, fazer parte da transformação do setor energético.

MC: Mesmo com o crescimento do setor, a geração distribuída ainda enfrenta entraves estruturais. Quais são hoje os principais desafios para consolidar esse mercado no Brasil?

LB: Apesar do crescimento rápido, há desafios estruturais. Um deles é o tempo que leva para processar e compensar créditos de energia, que pode gerar defasagem entre a geração e o consumo.

Outro desafio é a diferença de tecnologia e digitalização entre distribuidoras. O crescimento foi tão rápido que algumas infraestruturas ainda não acompanharam a expansão da geração distribuída.

MC: A relação com as concessionárias é frequentemente apontada como um ponto sensível nesse processo. O que precisa evoluir para que a expansão da geração distribuída ocorra de forma mais equilibrada dentro do sistema elétrico?

LB: As concessionárias são fundamentais. Toda a operação depende da rede e da compensação de energia. Por isso, é importante que cooperativas, geradores e distribuidoras trabalhem juntos.

Algumas concessionárias já evoluíram bastante, como a COPEL e a CELESC, que acompanham o mercado de perto. Mas, de forma geral, ainda é preciso modernizar tecnologia, automatizar processos e integrar dados para que tudo funcione de maneira mais eficiente.

MC: A geração distribuída costuma ser associada principalmente à redução da conta de luz. Mas que outros impactos esse modelo pode gerar para consumidores e para o próprio sistema energético?

LB: Economizar na conta é só a ponta do iceberg. A geração distribuída também ajuda a diversificar a matriz energética, aumentar o uso de fontes renováveis e reduzir perdas na transmissão de energia.

Além disso, transforma a relação do consumidor com a energia. Ele deixa de ser apenas um usuário passivo e passa a participar ativamente do sistema, colaborando para uma produção e consumo mais consciente e sustentável.

MC: Pensando no médio prazo, quais movimentos serão decisivos para que a geração distribuída alcance um novo patamar de escala no Brasil?

LB: Para crescer ainda mais, é preciso modernizar as distribuidoras, integrar sistemas e amadurecer a regulação do setor. Mas os modelos coletivos, como o cooperativismo, terão papel decisivo.

A COGECOM já está em oito estados, com 432 MW em contratos e consumo aproximado de 70 GWh por mês. Isso mostra que o cooperativismo consegue ampliar o acesso à energia renovável, de forma estruturada, eficiente e inclusiva.


Por João Victor, Redação MundoCoop

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