Empreender é, muitas vezes, um exercício de coragem contínua. Mas mesmo os fundadores mais determinados já tiveram medo, já que ele aparece nas decisões críticas, nas incertezas do caminho e até nas pequenas escolhas do dia a dia.
Segundo Kim Folsom, CEO da Founders First Capital Partners e mentora de centenas de empreendedores, identificar e enfrentar esses medos é parte essencial da jornada de qualquer fundador que quer sair do lugar comum e construir algo relevante.
Folsom mapeia os sete principais medos que limitam donos de negócio e mostra caminhos para superá-los, com base em sua própria trajetória e na vivência com empresas de todo o país. As informações foram retiradas de Inc.
- Medo de nunca construir algo maior: A insegurança sobre o próprio potencial é mais comum do que parece, especialmente entre empreendedores que não cresceram cercados por exemplos de sucesso. A sensação de que “isso aqui é o máximo que posso chegar” pode limitar decisões e impedir a expansão do negócio.
Folsom viveu isso no início da carreira. O ponto de virada veio ao se conectar com redes de estudantes, participar de eventos e conhecer histórias de fundadores com visões ousadas — como Bill Gates, que sonhava com um computador em cada casa.
Para ela, buscar inspiração ativa a ambição e amplia o horizonte de possibilidades. - Medo da mudança: Mesmo sabendo que algo precisa evoluir, muitos empreendedores escolhem a estabilidade do conhecido. É o famoso “melhor o diabo que conheço”.
Mas em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico, essa resistência pode ser fatal. A dica de Folsom não esperar estar 100% pronto para mudar. Movimente-se mesmo diante da incerteza. - Medo de fracassar publicamente: O medo de errar diante dos outros é um dos grandes paralisadores do empreendedor moderno. A exposição natural do empreendedorismo faz com que cada falha pareça definitiva, o que raramente é verdade.
Folsom aconselha redefinir o fracasso como parte do aprendizado. Cada tentativa falha é um dado novo sobre o mercado, sobre o negócio e sobre você mesmo. - Medo de ser julgado por outros empreendedores: Comparar-se com outros fundadores pode gerar um bloqueio ainda mais profundo: o medo de não estar no mesmo “nível” ou “ritmo” que seus pares. Em vez de motivar, essa comparação paralisa.
A saída, segundo a autora, está em focar na própria trajetória.
“Seu negócio não precisa crescer da mesma forma que o do outro — precisa crescer de forma saudável para você”, ela diz. - Medo de não saber o suficiente: Muitos fundadores, principalmente em mercados técnicos ou inovadores, carregam a síndrome do impostor. A sensação de que não dominam o bastante para liderar pode impedir ações fundamentais.
A recomendação é construir uma base sólida de aprendizado contínuo e buscar mentores confiáveis.
Você não precisa saber tudo — só precisa saber onde buscar apoio quando necessário”, conta. - Medo de delegar: Liderar exige confiança, e muitos empreendedores resistem a repassar tarefas com medo de que algo saia errado. O resultado é sobrecarga, estagnação e um time que não se desenvolve.
Para Folsom, a chave está em delegar com clareza e acompanhar com confiança. Delegar não é abrir mão do controle, mas sim criar espaço para o negócio crescer além de você. - Medo de não ser digno do sucesso: Esse medo, mais profundo e difícil de nomear, está ligado à autoestima. Muitos fundadores se sabotam inconscientemente, acreditando que não merecem o sucesso que começam a construir.
Folsom lembra que crescer com consistência exige também um trabalho interno. Validar seu valor pessoal, reconhecer suas conquistas e cercar-se de pessoas que o incentivem são passos importantes para seguir adiante.
Fonte: Exame com adaptações da MundoCoop












