Mais mulheres em cargos de liderança vai muito além da diversidade e pode trazer ganhos concretos para o desempenho das empresas.
É o que revela um novo estudo da Bain & Company, ao evidenciar que ampliar a presença feminina no topo dos negócios pode levar até 15% mais margem de lucro, além de avanços em inovação, engajamento interno e capacidade de atração de talentos.
Apesar das mulheres serem maioria entre a população universitária e entre profissionais ocupados com ensino superior, a representatividade diminui ao longo da trajetória corporativa. A queda se intensifica a partir da média gerência, etapa em que a presença feminina passa a reduzir de forma progressiva nos níveis mais altos da hierarquia.
Ainda assim, indicadores recentes mostram avanços positivos.
A proporção de mulheres CEOs passou de 3% para 6%, enquanto entre executivas subiu de 23% para 34%. Nos conselhos de administração, o número de conselheiras também dobrou, passando de 5% para 10%.
Dados de mercado reforçam a relação entre diversidade e desempenho. Em 2024, empresas listadas na B3 com maior presença feminina nos conselhos registraram retorno acumulado de 349%, superando o desempenho da bolsa brasileira do Ibovespa.
Além do impacto financeiro, a diversidade também está associada a mudanças na cultura organizacional. Pesquisas da consultoria indicam que empresas com maior equilíbrio de gênero no comando são percebidas como mais inovadoras e abertas a novas soluções.
Nesses ambientes, colaboradores demonstram 1,8 vez mais disposição para assumir riscos e responsabilidades, enquanto o impacto no engajamento medido pelo Net Promoter Score (NPS) pode ser 4,7 vezes maior em organizações que priorizam a igualdade de gênero.
Segundo a Bain, essas empresas também tendem a operar com maior foco na geração de valor, menor burocracia e maior incorporação da voz do cliente nas decisões. Outro efeito observado é a maior capacidade de atrair e reter talentos.
Homens e mulheres apresentam níveis semelhantes de aspiração e confiança para chegar ao topo e compartilham o interesse em participar de decisões estratégicas. As motivações, no entanto, costumam diferir. Enquanto homens tendem a associar a liderança ao status ou à pressão social, mulheres apontam com mais frequência fatores como desenvolvimento pessoal e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Para a Bain, acelerar a presença feminina na liderança exige enfrentar barreiras estruturais e culturais ainda presentes nas organizações.
Entre as estratégias apontadas estão o uso de dados para orientar decisões, a revisão de processos de promoção e sucessão, a definição de metas claras de diversidade e o engajamento ativo da alta liderança e dos conselhos de administração.
Fonte: Exame com adaptações da MundoCoop












