Nesta terça-feira (4), o Sistema OCB recebeu uma delegação internacional envolvida na construção da plataforma Brasil–China Green Food Value Chain, iniciativa que busca estruturar uma ponte técnica e institucional entre os dois países para fortalecer o comércio de alimentos sustentáveis. O encontro marcou o início de uma agenda presencial no Brasil para aprofundar o entendimento sobre o papel das cooperativas na promoção de cadeias produtivas mais rastreáveis, resilientes e alinhadas às exigências ambientais globais.
A plataforma é co-liderada pela Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com financiamento da Agência Norueguesa para a Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) A proposta nasceu há cerca de dois anos, a partir da percepção de que, embora Brasil e China mantenham uma relação comercial intensa, ainda há fragmentação de informações, protocolos e certificações relacionados às exigências socioambientais na produção de soja e carne bovina.

A missão central é construir cadeias de valor sustentáveis, resilientes e inclusivas entre os dois países, combinando pesquisa aplicada, diálogo com formuladores de políticas públicas e intercâmbio técnico. “Em um cenário de crescente demanda chinesa por produtos com rastreabilidade, certificação e comprovação de origem sustentável, o Brasil se posiciona como fornecedor estratégico, desde que consiga organizar e comunicar de forma mais estruturada o que já vem sendo feito, afirmou Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB.
Hoje, diferentes programas governamentais, iniciativas estaduais, certificações privadas e protocolos setoriais coexistem no país. A plataforma pretende funcionar como um hub de conhecimento, reunindo e traduzindo políticas públicas, notas técnicas e requisitos regulatórios, além de mapear boas práticas implementadas por cooperativas e empresas em diversas regiões brasileiras.
Elo estratégico
Durante a reunião, os pesquisadores destacaram o interesse em compreender como as cooperativas estruturam a relação com o produtor rural e como conseguem levar, de forma capilar, tecnologia, assistência técnica, protocolos ambientais e programas de melhoria contínua. O cooperativismo foi apontado como um elo estratégico para conectar exigências de mercado a práticas produtivas no campo.
A delegação do país asiático é composta por pesquisadores vinculados ao Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFBR) ), ao CAAS e ao The Nature Conservancy (TNC)
A agenda no Brasil inclui também visitas de campo a Sinop (MT), com foco nas cadeias de soja e pecuária de corte, para apresentar in loco a escala produtiva e os mecanismos de monitoramento socioambiental adotados no país.
No escopo técnico da plataforma, estão previstas análises prospectivas com horizonte 2050, modelagens de cenários climáticos para soja e carne bovina, estudos sobre impacto de taxações e barreiras ambientais, além da harmonização de taxonomias e padrões de sustentabilidade. Ainda integram a agenda temas como mitigação do desmatamento, fortalecimento de sistemas de rastreabilidade e desenvolvimento de instrumentos de finanças verdes.
No Brasil, além do Sistema OCB e da FGV, participam como parceiros institucionais a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Embaixada do Brasil na China. Do lado chinês, a rede instituições como a Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica (CAITEC), a Academia Chinesa de Silvicultura (CAF) e universidades como Zhejiang, Pequim e Tsinghua complementam o grupo.
Fonte: Sistema OCB












