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Mulheres assumem protagonismo em cooperativas de reciclagem no Brasil

Mundo Coop POR Mundo Coop
5 de abril de 2025
SOCIAL
Mulheres assumem protagonismo em cooperativas de reciclagem no Brasil

Mulheres assumem protagonismo em cooperativas de reciclagem no Brasil

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Mulheres são maioria nas cooperativas de resíduos sólidos no país. Segundo o Atlas Brasileiro da Reciclagem, iniciativa da Ancat (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), elas são 56% dos mais de 75 mil catadores registrados. Dessa porcentagem, 61% ocupam cargos de direção e de gestão.

“Essas trabalhadoras não apenas realizam o trabalho de coleta e triagem de resíduos, mas também gerenciam as operações diárias, negociam contratos e promovem o desenvolvimento das cooperativas”, afirma Mônica Silva, diretora da Ancat.

projeto acao gueto doa computadores para uma cooperativa de catadores da comunidade de paraisopolis em sao paulo
Cooperativa de catadores da comunidade de Paraisópolis, em São Paulo

Segundo ela, as mulheres têm sido fundamentais também no comando de movimentos sociais relacionados à reciclagem, tomando a frente em iniciativas de capacitação, educação ambiental e melhoria das condições de trabalho.

Muitas encontram nessa ocupação uma fonte de renda e autonomia financeira.

“Além disso, o trabalho nas cooperativas promove inclusão social, dignidade e respeito, oferecendo não apenas um emprego, mas também uma rede de apoio e oportunidades. Para muitas catadoras que são chefes de família, essa atividade garante o sustento do lar e a flexibilidade necessária para conciliar trabalho e cuidados familiares”, diz Mônica.

Importância para o meio ambiente


As cooperativas de catadores e catadoras desempenham um papel fundamental na proteção do meio ambiente.

Nestes locais, são realizados coleta, triagem e encaminhamento de materiais recicláveis para a indústria, reduzindo significativamente a quantidade de resíduos que vai para aterros sanitários e lixões.

A atuação diminui a poluição do solo, da água e do ar, além de contribuir para a conservação de recursos naturais, já que a reciclagem demanda menos energia e matéria-prima do que a produção de novos materiais.

As cooperativas também têm um papel importante na educação ambiental, sensibilizando a sociedade sobre a importância da separação correta do lixo e da redução do consumo.

Um exemplo é o projeto “A Voz da Mulher Catadora”, idealizado pela Apoena Socioambiental e financiado pelo Instituo Gaia, em Porto Alegre, que aconteceu recentemente, com o objetivo de formar 30 lideranças femininas entre as catadoras de cooperativas de Canoas (RS) atingidas pelas inundações.

Elas tiveram aulas sobre organização financeira, sobre ações de mitigação e adaptação frente às mudanças climáticas e sobre a redução de resíduos em sua comunidade.

Assim, além de contribuírem com a conscientização, as cooperativas ampliam o alcance das práticas sustentáveis e reforçam o compromisso com um futuro mais verde e socialmente justo.

Políticas públicas


O MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis) é uma organização que luta pela defesa do meio ambiente e pelos direitos dos trabalhadores. No Distrito Federal, o MNCR atua nos contratos de prestação de serviços com o governo e um pagamento justo.

“A demanda em relação às políticas públicas envolve garantias nos cuidados com os filhos, creches e qualificação dos jovens para que possam ingressar no mercado de trabalho”, diz Aline Sousa, diretora-presidente da CENTCOOP/DF (Central de Cooperativas do Distrito Federal), representante do MNCR e da Secretaria da Mulher e Juventude da Unicatadores e delegada na Secretaria Operativa da Red Lacre.

A saúde da mulher também é prioridade. “Estamos fazendo parcerias com várias instituições para a realização de exames aqui mesmo, no local de trabalho, já que muitas não têm disponibilidade de horário. O foco é trabalhar a prevenção de doenças, como, por exemplo, o HPV”, afirma.

Aline também reforça a importância da valorização e do pagamento dos serviços prestados, com o fim da precarização e da insalubridade.

No Brasil, a Lei nº 12.305, de agosto de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que reconhece a atuação de catadores e a catadoras de materiais recicláveis como agentes imprescindíveis à gestão dos resíduos sólidos.

Dentre outros pontos, a Lei, por meio da PNRS, prevê a determinação de metas para a eliminação e recuperação de lixões, associadas à inclusão social e à emancipação econômica de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis.

Segundo o Panorama 2024 da Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente), estima-se que o setor tenha empregado mais de 386 mil pessoas em 2023. Esse número representa um crescimento de 2,6% no número de pessoas empregadas nessas atividades, quando comparado com os dados de 2022.

Como em anos anteriores, em 2023, a maior parte dos empregos do setor concentrou-se nas regiões Sudeste e Nordeste, com 42,6% e 29,7% dos postos de trabalho, respectivamente.

Mulheres, negras e mães

Em 2021, foi lançado o livro “Quarentena da resistência”, com histórias sobre exclusão social, vulnerabilidade e busca por condições de vida mais dignas. A publicação é uma iniciativa conjunta da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do MPT (Ministério Público do Trabalho)

O livro traz narrativas sobre diversas catadoras, muitas delas, mulheres negras, mães, com mais de 40 anos. “Compartilham suas dores e afetos entre companheiras nas cooperativas, fortalecendo a luta. Um verdadeiro aquilombamento”, diz a procuradora do Trabalho Elisiane dos Santos, uma das idealizadoras do projeto.

A magistrada reforça que o trabalho realizado principalmente por mulheres e fundamental para a preservação da vida no planeta, porque contribui para a circulação e reaproveitamento do material que é descartado nas casas, empresas, espaços públicos e privados.

“O trabalho delas também ensina que nem tudo é lixo, nem tudo é descartável. Todo este material é o resultado simbólico de uma sociedade do consumo desenfreado e do individualismo. Precisamos nos reeducar para o cuidado com o meio ambiente e as pessoas que vivem na coletividade”, finaliza Elisiane.


Fonte: Ecoa UOL

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