O artesanato produzido por mulheres ribeirinhas da Amazônia ganhou o Brasil e emocionou o público ao ser destaque no Programa da Ana Maria Braga, da Rede Globo, nesta quarta-feira(28). As peças da Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta (Turiarte Amazônia), com sede em Santarém, no oeste do Pará, chamaram a atenção da apresentadora, que se encheu de elogios ao trabalho feito com fibras naturais da floresta, técnicas ancestrais e forte impacto social.
Durante o programa, Ana Maria Braga ressaltou a importância do artesanato como base cultural e econômica do país, destacando o papel do chamado terceiro setor na geração de renda para milhares de famílias. Ao mostrar uma das peças que recebeu de presente, a apresentadora explicou que o artesanato é feito com fibra trançada de palha de tucumã, palmeira nativa da Amazônia, tingida com tintas naturais e sustentáveis.
“É pelo artesanato que muita gente sustenta sua família hoje. Esse trabalho vem da raiz do nosso país”, afirmou Ana Maria, emocionada.
Ela fez questão de destacar que as peças são produzidas por mulheres ribeirinhas, integrantes da cooperativa Turiarte, localizada em Santarém. “É um espetáculo de trabalho. É lindo, gente. Além de tudo, ajuda toda uma comunidade da Amazônia que jamais conseguiria vir até aqui para mostrar seus produtos”, completou, parabenizando as artesãs.
O reconhecimento nacional reforça um momento especial vivido pela cooperativa. Em dezembro do ano passado, a Turiarte conquistou uma importante premiação nacional da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), em evento realizado em Belém, consolidando-se como referência em turismo de base comunitária e artesanato sustentável.
Especialista na produção de cestos e mandalas, a Turiarte utiliza uma técnica ancestral de trançado, transmitida de geração em geração, que mantém viva a conexão entre as comunidades e a floresta. Com a crescente visibilidade e a alta procura após as premiações e a exposição na TV, a cooperativa chegou a suspender o recebimento de novas encomendas para conseguir atender aos pedidos já realizados.
Segundo a cooperativa, empresas passaram a procurar as peças para distribuição como brindes institucionais em grandes eventos, especialmente na capital paraense. Em alguns casos, os pedidos são tão grandes que as entregas precisaram ser parceladas em duas etapas, algo inédito desde a fundação da entidade.
Criada em 2015, a Turiarte reúne atualmente 180 cooperados de 12 comunidades paraenses, principalmente da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, unidade de conservação federal no oeste do Pará, onde se concentra grande parte da produção. O artesanato representa 75% da renda da cooperativa, enquanto os outros 25% vêm do turismo de base comunitária desenvolvido na região do Baixo Tapajós e Arapiuns.
A matéria-prima utilizada nas peças é a palha do tucumanzeiro, colhida de forma sustentável. Mais do que objetos decorativos, cada peça carrega história, identidade cultural e o compromisso com a preservação ambiental.
Ao ganhar espaço na televisão nacional, o artesanato da Turiarte deu visibilidade à força do trabalho coletivo das mulheres amazônidas, que transformam saberes tradicionais em geração de renda, autonomia e valorização da floresta em pé.
Fonte: Portal O EstadoNet com adaptações da MundoCoop












