A inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade estratégica no cooperativismo financeiro. Essa foi a principal mensagem do Ubots Summit 2026, que reuniu especialistas, executivos e representantes de cooperativas para debater como a tecnologia está redefinindo a relação entre instituições e cooperados, sem abrir mão da proximidade e da humanização. A MundoCoop esteve presente, à convite da Ubots.
Ao longo da programação, ficou evidente que o comportamento do consumidor mudou profundamente na última década. Em painel sobre a evolução dos canais de relacionamento, representantes da Agibank, Ailos e Ubots destacaram que os cooperados esperam jornadas fluidas, personalizadas e integradas entre o digital e o presencial. Como resumiu Marcos Alves, CRO da Ubots: “Hoje, a ideia principal é estar onde o cliente está”.
A discussão também apontou para um futuro em que as instituições precisarão conhecer melhor seus cooperados sem ultrapassar limites. Para Samuel Conte, da Ailos, a próxima etapa será combinar personalização e respeito à privacidade, antecipando necessidades sem comprometer a confiança.
A inteligência artificial apareceu como elemento central dessa transformação. Durante palestra da Google Cloud, Fabiano Bartell destacou que o foco das novas soluções não está apenas na automação, mas na capacidade de resolver problemas. Nesse contexto, defendeu que “o agente precisa ter a empatia de um concierge”, aliando eficiência tecnológica e experiência humana.
Cases mostram impacto direto nos resultados
Os cases apresentados reforçaram que a IA já produz resultados concretos no cooperativismo. A Viacredi mostrou como agentes inteligentes contribuíram para efetivar mais de R$ 2 milhões em operações de crédito. Segundo Giovanna Schwambach, o diferencial da tecnologia está na capacidade de compreender o contexto das conversas: “O valor da IA generativa está em utilizar a base que o cooperado oferece para alimentar a interação”.
Outro destaque veio da Unicred, que apresentou resultados expressivos na recuperação de crédito por meio de agentes de IA. A iniciativa reduziu em 99,61% o tempo médio de resposta aos cooperados e ampliou a capacidade operacional da instituição. O principal ponto a partir da experiência, segundo a equipe do projeto, foi que “o maior aprendizado não é comprovar que a IA funciona, mas sim descobrir como experimentar a IA de forma segura, controlada e orientada a resultados”.
Experiências de cooperativas como Sicoob Nova Central, Crediauc, BRmil e Transpocred demonstraram que a automação já está sendo aplicada em diferentes frentes, da cobrança à centralização de atendimento e campanhas de negócios, sempre com foco em escala, eficiência e melhoria da experiência do cooperado.
Encerrando o evento, o CEO e cofundador da Ubots, Rafael Souza, apresentou uma reflexão sobre o futuro do relacionamento no sistema financeiro. Para ele, a grande vantagem competitiva das organizações não está apenas nos dados, mas na capacidade de construir conexões duradouras. “Os dados não são um ativo proprietário, mas o relacionamento sim”, afirmou.
Mais do que apresentar tecnologias, o Ubots Summit 2026 mostrou que o futuro do atendimento passa pela combinação entre inteligência artificial, estratégia e relacionamento. O desafio agora é transformar inovação em valor real para cooperados e cooperativas, mantendo a confiança como elemento central dessa jornada.
Em breve, a cobertura completa do Ubots Summit 2026 estará disponível em um e-book especial da MundoCoop, reunindo os principais insights, tendências e cases apresentados durante o evento – fique ligado em nossos canais!
Por Leonardo César – Redação MundoCoop












