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Petróleo dispara e bolsas recuam com tensão no Oriente Médio

Bolsas asiáticas abriram em queda generalizada, com os principais mercados da região operando em território negativo, enquanto futuro do Dow Jones despencou mais de 600 pontos

Mundo Coop POR Mundo Coop
2 de março de 2026
ECONOMIA & FINANÇAS
Petróleo dispara e bolsas recuam com tensão no Oriente Médio

Petróleo dispara e bolsas recuam com tensão no Oriente Médio

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Uma forte onda de aversão ao risco atingiu investidores globais após EUA e Israel atacarem o Irã e matarem o aiatolá Ali Khamenei. O conflito no Oriente Médio pressionou os mercados no início da semana, com queda nas bolsas e alta do petróleo.

Na Ásia, os principais índices abriram em baixa generalizada. Ao mesmo tempo, os contratos futuros do Dow Jones, negociado na Nyse, chegaram a cair mais de 600 pontos, segundo a CNBC.

O cenário de instabilidade geopolítica provocou uma reprecificação imediata de ativos em diversos setores da economia mundial e uma busca por maior proteção, impulsionando a compra do ouro, enquanto as companhias aéreas sofreram quedas acentuadas devido ao cancelamento em massa de voos.

Impacto no setor de energia e logística

Os preços do petróleo dispararam à medida que os investidores passaram a incorporar o risco de uma guerra mais ampla no Oriente Médio. O WTI, referência nos EUA, avançava cerca de 8,5%, para US$ 72,81 o barril, enquanto o Brent, benchmark global, subia mais de 9%, negociado a US$ 79,53.

A atenção dos analistas se volta agora para o Estreito de Ormuz, ponto crucial para o escoamento global de energia localizado na região. O tráfego de navios-tanque quase parou devido ao aumento nos prêmios de seguro de guerra e suspensões de transporte, segundo relatório do JP Morgan acessado pela CNBC.

Isso forçou uma “reavaliação imediata do risco geopolítico em vez de uma resposta ponderada aos fundamentos”, pontuou o banco, alertando que, se as interrupções durarem mais de três semanas, produtores do Golfo poderão ser obrigados a paralisar parte da produção.

Como as empresas do setor de energia, especialmente as petroleiras, têm sua receita diretamente atrelada ao preço do petróleo, a disparada da commodity elevou as expectativas de lucro dessas companhias. Com a perspectiva de margens mais altas, investidores impulsionaram as ações do segmento.

Na Austrália, os papéis da Woodside Energy e da Santos avançaram mais de 6%, enquanto, em Tóquio, a Japan Petroleum Exploration saltou quase 12%.

Já o setor aéreo figurou entre os mais afetados pela escalada do conflito. Dados da Cirium, consultados pela CNBC, apontam que mais de 50% dos voos globais com destino ao Oriente Médio foram cancelados, diante do fechamento de espaços aéreos e do aumento do risco operacional.

No mercado, o impacto foi imediato: ações da Qantas, da Japan Airlines e da Singapore Airlines recuaram mais de 4%.

Ações de defesa e ativos de segurança

O setor de defesa também avançou, ainda que de forma mais moderada, em meio à escalada militar. No Japão, ações da Mitsubishi Heavy Industries e da IHI Corporation subiram mais de 3%, enquanto a ST Engineering, de Cingapura, avançou cerca de 4%.

Para analistas da Franklin Templeton ouvidos pela CNBC, o momento favorece empresas ligadas à energia, transporte marítimo e defesa, pois são setores que tendem a se beneficiar de preços mais altos do petróleo e do aumento de gastos militares.

Enquanto o Bitcoin registrou alta volatilidade, recuperando parte das perdas e sendo negociado em torno de US$ 66.675, mas ainda distante de seus picos históricos.

O ouro, tradicional porto seguro em momentos de incerteza, avançou cerca de 1,9%, reforçando seu papel como proteção em meio ao estresse geopolítico. O CEO da Gold Token SA, Kurt Hemecker, afirmou à CNBC que a alta reflete a busca por estabilidade e preservação de patrimônio.

Portos seguros sob comportamento atípico

No mercado de renda fixa dos EUA, o movimento também contrariou o padrão típico de aversão ao risco. Em vez de atrair compras defensivas, os Treasuries foram alvo de venda, o que levou à alta dos rendimentos, prevalecendo a preocupação com inflação e energia mais cara, e não a proteção.

O chefe global de pesquisa da Invesco, Benjamin Jones, pontuou que a alta dos yields pode persistir no curto prazo, diante das preocupações de que o encarecimento da energia reacenda pressões inflacionárias, o que tende a se sobrepor, neste momento, à demanda por segurança.


Fonte: Exame

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