Os últimos anos têm sido marcados por questões geopolíticas que impactam diretamente a economia de diversos países ao redor do mundo, especialmente o Brasil. Em ordem cronológica, em 2022 teve início a guerra entre Rússia e Ucrânia, que se prolonga até os dias atuais e pressiona o preço de fertilizantes, combustíveis e alimentos, afetando diretamente o agronegócio e a inflação no país. Em seguida, as tensões entre Estados Unidos e China intensificaram uma disputa comercial e tecnológica, reposicionando o Brasil como fornecedor estratégico de commodities.
Mais recentemente, a instabilidade no Oriente Médio, envolvendo Israel, Hamas e Irã, trouxe novos impactos ao mercado global, especialmente no setor de energia. O cenário tem pressionado o preço do petróleo e, consequentemente, elevado o custo do diesel e do transporte. Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), esse contexto já gerou aumento em torno de 10% no diesel S10, o que representa aproximadamente R$ 0,60 por litro nas distribuidoras, indicando uma possível continuidade dessa pressão sobre os preços.
Um dos setores mais relevantes para a distribuição de mercadorias no Brasil, o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) vem sendo diretamente impactado por essas oscilações. O combustível representa cerca de 35% e pode chegar a até 50% do custo do frete, sendo o principal componente da estrutura operacional das transportadoras, também de acordo com a NTC&Logística.
Na visão de Roberta Caldas, presidente da Transpocred, cooperativa de crédito especializada no setor de transporte e logística, o cenário exige uma mudança na forma como as empresas conduzem sua gestão financeira. “Estamos vivendo um momento em que fatores externos, muitas vezes fora do controle das empresas, impactam diretamente os custos operacionais. O aumento do diesel, somado a um ambiente de juros elevados, exige ainda mais planejamento, disciplina financeira e decisões estratégicas bem fundamentadas por parte das transportadoras”, avalia.
Diante desse contexto, cresce a importância de modelos financeiros mais próximos da realidade do setor produtivo. O cooperativismo de crédito se apresenta como uma alternativa estruturada para apoiar as empresas, especialmente por oferecer condições mais equilibradas e alinhadas ao perfil do transportador.
Além disso, em um ambiente marcado pela elevação de custos, aumento de insumos e maior pressão tributária, as cooperativas se consolidam como parceiras estratégicas, principalmente para pequenas e médias empresas, que precisam buscar soluções mais eficientes para manter a competitividade.
Para Roberta, o diferencial do cooperativismo está justamente na proximidade e no entendimento das necessidades do setor. “O cooperativismo de crédito tem a capacidade de entender a realidade do transportador, oferecendo soluções financeiras mais adequadas, com orientação e acompanhamento. Mais do que acesso ao crédito, trata-se de apoiar o empresário na tomada de decisão, ajudando a atravessar períodos desafiadores com mais segurança e sustentabilidade”, destaca.
Em um cenário global ainda instável, a tendência é que a pressão sobre custos continue exigindo das empresas maior capacidade de adaptação. Nesse contexto, o cooperativismo reforça seu papel como elo entre o sistema financeiro e o setor produtivo, contribuindo para a sustentabilidade e a continuidade das operações no transporte rodoviário de cargas. “Em momentos como este, mais do que reagir ao cenário, é preciso se antecipar. Empresas que estruturam bem sua gestão financeira e contam com parceiros alinhados ao seu negócio conseguem atravessar períodos de instabilidade com mais equilíbrio e se posicionar melhor para quando o mercado voltar a crescer”, finaliza Roberta.
Fonte: Impresa GMI












