Cooperativismo, a fórmula “anti-vitimização“

A história humana na terra é uma sequência de “vítimas que viram vitimizadores“, uma sequência de vítimas legítimas, ou potenciais, que fazem dessa saga hedionda um sistema de agressões, onde o passado justifica a vitimização no presente, e os ataques “preventivos“ contra se tornar uma vítima no futuro.

Isso está presente, modernamente, nas narrativas de poderosos que se fazem de vítimas com a utilização virulenta das desinformações, más informações e Fake News.

Então, ao constatarmos a história do cooperativismo, do seu nascimento histórico em Rochdale, na Inglaterra, em 1844, e aqui no Brasil, em 1902, na cidade de nova Petrópolis, Rio Grande do Sul com o padre suíço Amstad, hoje conhecida como Sicredi Pioneira, podemos assegurar que esta decisão corajosa de líderes evoluídos significa a vacina “anti-vitimização“ humana.

O cooperativismo não veio como “vinganca“ contra alguém. Cooperativismo não veio com o dedo indicador em riste acusador de “algozes“. Cooperativismo não nasceu de apelos de vítimas que se vitimizavam e ficavam em inércia implorando a pena de poderosos.

Quando olhamos o nascimento das cooperativas no próprio Brasil, vamos encontrar a liderança disciplinada e a justa autoestima de alguns que propunham o trabalho em união, a construção de valor juntos, a utilização dos melhores conhecimentos existentes a cada época, a coragem para enfrentar a vida com dignidade. As cooperativas, hoje gigantescas caminhando para uma receita anual na casa do R$ 1 trilhão e reunindo cerca de 30 milhões de brasileiros diretamente, começaram com poucos, 20, 30 e 50 membros, e boa parte deles da mesma família, parentes ou amigos próximos.

A coragem criava a confiança. Essa confiança em si mesmos despertava a confiança nos outros e, com isso, existia a cooperação. Sem confiança não se coopera. E essa confiança alicerce do cooperativismo exige coragem. Coragem clama por legítimos líderes.

A história do cooperativismo mundial é um show de verdadeiros líderes. Líderes que não existem para fazer o que os “cooperados querem“ e sim para fazer junto com os cooperados aquilo que é certo e precisa ser feito: mitigar os fatores incontroláveis, não duvidar dos ciclos econômicos, ter certeza da presença permanente das incertezas.

Por isso, cooperativas que superam o tempo são lideradas com aversão ao risco e com um olhar permanente de longo prazo, sem esquecer que também o presente passou a ser resultado do futuro. Significa saber mudar na velocidade das tecnologias e desenvolver uma luta ferrenha para gerar sucessores, não deixar cooperados para trás e contribuir de forma decisiva para a evolução da segurança e da qualidade de vida de toda sociedade onde houver uma cooperativa instalada.

Desta forma, como afirma meu admirado amigo cooperativista prof dr emérito da FGV e ex ministro, Roberto Rodrigues: “um líder cooperativista merece o Nobel da paz“. E como sempre repete outro líder admirado Márcio Lopes: “cooperativa ė confiança“.

Quando uma cooperativa falha, constatamos ali que, infelizmente, não foi o sistema filosófico e de direitos e deveres dos fundamentos cooperativistas que falharam, e sim o exercício da má liderança.

Hoje, num mundo dividido, polarizado, com falta de confiança e ausência da dignidade de cidadania entre os povos, mais do que nunca, precisamos das regras e valores da cooperação. Principalmente, por que junto com uma cooperativa, com a intercooperação, não existe espaço para acusar culpados e, muito menos, de ter ações prejudiciais concorrenciais com quem quer que seja.

Desta forma, posso dizer: “parabéns líderes, dirigentes, funcionários, cooperados, fundadores de cooperativas que se erguem dentro das regras de compliance e auditorias das suas raízes existenciais! Vocês representam a capilaridade da dignidade humana para todos, a superação da hedionda e terrível estratégia de manipulação populista de massas, e também do infortúnio íntimo e pessoal de cada pessoa ao permitir se vitimizar e sem querer até, um dia tornar-se um cruel vitimizador“.

Desejo total sucesso a Tânia Regina Zanella, atual presidente executiva da OCB, e a Márcio Lopes, presidente do conselho de administração OCB.

Sucesso para todos pois “cooperativismo ė a fórmula anti-vitimização”, e o mundo precisa muito disso já.


José Luiz Tejon é Especialista em Agronegócio e Membro Editorial da Revista MundoCoop

DESTAQUE ED. 129

Artigo exclusivo publicado na edição 129 da Revista MundoCoop

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