PALAVRA DO TEJON
O mundo mudou e por mais que tenhamos conflitos e ainda disputas territoriais no mundo, mais podemos ver nas novas gerações um desejo, uma vontade e uma efetividade de viver além de suas fronteiras e de buscar cooperação mundial.
A Índia hoje a maior população planetária com 1.471 bilhão de habitantes tem uma idade média de 29 anos. E quando olhamos a busca por educação, academias que se destacam globalmente, temos uma presença gigantesca dessa juventude indiana, asiática, africana, Oriente Médio, latino-americana. Ou seja, a nova geração não se acomoda mais nas linhas geográficas dos seus mapas físicos e parte para alargar suas fronteiras mentais e desenvolver hábitos de vida, de consumo e de valores híbridos.
Nesse sentido a filosofia cooperativista, nascida da essência da reunião de seres humanos para a prosperidade comum, dentro de um mundo obrigado a cooperação internacional, por mais que alguns a isso desejem negar, assistimos de fato o crescimento de uma juventude “bio cooperativa com cidadania”. Bio no sentido da valorização da natureza, da vida, cidadania de valores comuns na busca da dignidade humana, e cooperativa, a consciência de que não podemos deixar pessoas para trás, que a prosperidade precisa criar sistemas e reais oportunidades para todos os cidadãos, de todas as regiões.
E para a implementação desse dever e solução óbvia no planeta doravante com as exigências morais, ambientais, de responsabilidades sociais, está na organização cooperativista a fórmula para sua execução. Cooperativismo nasceu com os sonhos de pioneiros, e no Brasil começava com cerca de 30, 40, 50 fundadores, heróis líderes das forças do bem, e hoje caminhamos para cerca de 30 milhões de brasileiros e perto de reunirmos algo como R$ 1 trilhão de movimento financeiro.
Nas minhas aulas internacionais, 11 anos todos os anos na França, na Audencia Business School, em São Paulo com a FECAP, convivo com essa juventude. E posso sentir a mudança ocorrida onde jovens estão ficando mais “internacionais” e observo que quando eles vem ao Brasil, e os levamos a visitas como na Coopercitrus (obrigado Fernando Degobbi e diretoria), na Holambra Flores (obrigado Jorge Possato e diretoria), e quando também envolvemos cooperativas europeias, pedimos estudos sobre o cooperativismo indiano, chinês, observamos o quanto uma legítima “intercooperação da juventude internacional” fará bem para as próprias cooperativas, quanto para além das cooperativas hoje existentes.
Não vamos desenvolver regiões do mundo para níveis de cidadania, saúde e prosperidade com dignidade humana sem a sabedoria e liderança dos princípios já fundamentados na administração, compliance e líderes com governança estabelecidos.
O comércio multilateral, os acordos de livre comércio, podem ter na intercooperação global um agente espetacular que além de levar ciência, educação e legítimos valores humanos cooperativistas consigam conduzir jovens a fortes e positivos sentidos de vida, pelos quais vale a pena viver, e lutar.
Temos no MBA FAM Food & Agribusiness Management, internacional com Audencia, Nantes França (FR) e FECAP (BR), formando jovens com a consciência da reunião dos elos dos sistemas de agronegócio, e também com o dever de reunir o mundo, pois quem não une desune e cedo ou tarde a desunião só traz dores e sofrimentos.
A Europa não resolverá o seu drama de imigrantes se não desenvolvermos vida digna para as regiões sofridas do mundo. E sua juventude não canalizará a energia de suas vidas sem uma obra cooperativista. No Brasil temos imensas oportunidades com os “terroir” nacionais, indicações geográficas e cooperativas em comunidades amazônicas, caatinga , e nos demais biomas. Sem jamais nos esquecermos que a cidade com o maior número de coooerativas do país ė São Paulo. Portanto está na hora da juventude cooperativista paulistana aparecer para o show, e por que não intercooperação com Mumbai, Amsterdã, Shenzhen, Ho Chi Min, Jacarta, etc, etc, etc.
*Por José Luiz Tejon, Especialista em Agronegócio e Membro Editorial da Revista MundoCoop

Coluna exclusiva publicada na edição 128 da Revista MundoCoop










