Sabemos que o Brasil não é para “amadores”. O ambiente de negócios por aqui é tão complexo que muitos estrangeiros ficam assustados. Burocracia excessiva, sistema tributário complexo e insegurança jurídica estão no topo das preocupações.
Há décadas, empresários e empreendedores brasileiros vêm aprendendo a lidar com esses desafios. Deixaram de ser “amadores” e passaram a agir como “profissionais” que conseguem prosperar num contexto muitas vezes adverso.
Em 2026, ano eleitoral, o cenário é ainda mais desafiador. O ambiente político vai inevitavelmente contaminar as principais variáveis macroeconômicas. Não é preciso ser nenhum vidente para prever que o humor do mercado financeiro vai oscilar junto com as pesquisas eleitorais. O importante é entender o que está em jogo e como posicionar a sua cooperativa.
Em primeiro lugar, precisamos pontuar que a chamada Faria Lima – famosa avenida na cidade de São Paulo que reúne as principais instituições financeiras do País – não gosta da agenda econômica da esquerda. Por outro lado, como se viu na última eleição presidencial, o mercado financeiro também não morre de amores pela família Bolsonaro. Portanto, no mundo ideal da Faria Lima, o próximo presidente da República seria algum candidato mais ao centro como, por exemplo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Recentemente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso e inelegível, escolheu o seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), como principal candidato da direita à Presidência da República. Tal decisão praticamente sepulta eventual candidatura de Tarcísio, que não abriria mão de uma reeleição quase ganha ao governo de São Paulo para concorrer contra um membro da família Bolsonaro.
Como reação imediata, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu e o dólar saltou quase 20 centavos. Foi um sinal claro de reprovação à saída de Tarcísio da corrida presencial. Ao que tudo indica, os partidos de centro ainda podem se articular para lançar nomes como os dos governadores do Paraná, Ratinho Jr., de Minas Gerais, Romeu Zema, e de Goiás, Ronaldo Caiado.
A liderança do presidente Lula nas pesquisas eleitorais também incomoda o mercado financeiro e ajuda a manter o dólar em patamares acima de R$ 5,00, o que pressiona a inflação. Com uma política fiscal perdulária, o governo Lula vem piorando a dívida do Brasil e obrigando o Banco Central a manter juros em patamares elevadíssimos.
Com crédito caro para investir e consumir há bastante tempo, a economia brasileira vem dando sinais claros de desaceleração nos últimos meses. Para 2026, as expectativas são de um crescimento inferior a 2% mesmo com o governo Lula expandindo os gastos públicos em ano eleitoral.
É importante deixar claro que não prevejo crise nem recessão em 2026, mas o desaquecimento econômico é um cenário bem realista diante do qual precisamos posicionar as nossas cooperativas. Em 2027, por causa do rombo fiscal, vislumbro um forte ajuste nos gastos públicos, mas isso será tema de um artigo mais adiante.
Por ora, precisamos estar preparados para as chacoalhadas do mercado financeiro a cada pesquisa eleitoral divulgada – e serão muitas em 2026. Vamos ficar atentos aos integrantes das equipes econômicas dos principais candidatos bem como as suas propostas para melhorar as contas públicas e recolocar o Brasil no trilho do crescimento em ritmo superior a 3% ao ano. O Brasil, definitivamente, não é para “amadores”. Prepare-se para 2026!
*Luís Artur Nogueira é economista, jornalista e palestrante. Atualmente é comentarista do programa “Faroeste à Brasileira” no Youtube da Revista Oeste e colunista da MundoCoop

Coluna exclusiva publicada na edição 127 da Revista MundoCoop









