Transformações recentes no mundo do trabalho têm levado organizações a revisarem modelos adotados nos últimos anos. O avanço da tecnologia, a busca por eficiência e a disputa por talentos colocam em pauta não apenas onde se trabalha, mas como o trabalho é estruturado.
Na matéria de capa da edição 128 da Revista MundoCoop, reunimos dez tendências que ajudam a interpretar esse novo cenário. Ao longo desta série , cada uma delas é explorada de forma individual, com foco nos impactos práticos para lideranças e organizações.
Nesta quarta tendência destacada, o debate se concentra na evolução do modelo híbrido, que deixa de ser uma resposta emergencial e passa a assumir um papel estratégico na gestão de pessoas e na organização do trabalho.
Tendência 4: Ascensão do novo híbrido
O modelo híbrido entra em uma fase mais madura em 2026, impulsionado por ajustes culturais e operacionais que priorizam desempenho e entrega em vez de controle de jornada. O retorno mais intenso aos escritórios reabre discussões sobre presença, produtividade e equilíbrio entre autonomia e colaboração.
Nesse contexto, organizações passam a repensar seus ambientes físicos e dinâmicas de trabalho para integrar equipes distribuídas, enquanto o trabalho totalmente remoto ganha status de benefício estratégico, utilizado na atração e retenção de talentos.
Sylvia Hartmann, Fundadora e CEO da Remota

O trabalho híbrido avança para um estágio de maior maturidade e deixa de ser tratado como uma transição entre remoto e presencial. O foco passa a recair sobre o desenho do trabalho, com decisões mais estruturadas sobre quando a presença é necessária e quais atividades exigem colaboração direta.
Nesse cenário, o modelo deixa de priorizar controle de jornada e passa a valorizar a entrega de resultados. Empresas começam a redesenhar seus espaços físicos para favorecer interação entre equipes, enquanto o trabalho remoto se consolida como instrumento estratégico para ampliar acesso a talentos e ganhos de eficiência operacional.
A discussão também se desloca do número de dias no escritório para a qualidade das interações e a clareza dos critérios de desempenho. Pesquisas indicam que o trabalho híbrido já atingiu um patamar estrutural e tende a se manter como padrão no longo prazo.
Esse avanço, no entanto, exige intencionalidade. Modelos híbridos bem estruturados dependem de políticas claras, critérios consistentes de avaliação, lideranças preparadas e infraestrutura adequada. Sem esse desenho, a flexibilidade tende a gerar ruído. Quando bem implementada, fortalece confiança, responsabilidade e resultados sustentáveis.
Amanda Costa, Jornalista, Empreendedora e Sócia da Escola do Caos

Apesar do discurso de amadurecimento, parte das organizações ainda conduz o retorno ao presencial de forma pouco estruturada. O chamado hybrid creep — quando empresas aumentam gradualmente a exigência de presença física — revela a dificuldade em consolidar modelos híbridos consistentes.
Um dos principais fatores por trás desse movimento é a ausência de critérios claros de performance. Sem parâmetros bem definidos, o desempenho passa a ser associado à presença física, o que representa um retrocesso e abre espaço para práticas como o presenteísmo e o task masking, quando a aparência de produtividade substitui a entrega real.
A cultura de controle também contribui para esse cenário. Lideranças que associam proximidade física a produtividade tendem a reforçar práticas de microgestão, mesmo diante de evidências contrárias.
Ao mesmo tempo, a necessidade de interação continua relevante. Momentos informais e presenciais contribuem para a construção de confiança, colaboração e criatividade — elementos difíceis de reproduzir integralmente no ambiente digital. O desafio, portanto, não está em escolher entre remoto ou presencial, mas em estruturar modelos que equilibrem autonomia, conexão e desempenho.
Por Fernanda Ricardi e Leonardo César, Redação MundoCoop

Matéria exclusiva publicada na edição 128 da Revista MundoCoop












