A edição de 2026 do Show Rural Coopavel reafirmou a posição do evento como um dos maiores encontros de tecnologia e negócios do agronegócio na América Latina. Realizada entre os dias 9 e 13 de fevereiro em Cascavel (PR), a Feira reuniu 430 mil visitantes, superando o resultado de 2025. O valor de comercialização dos expositores neste ano foi de R$ 7,5 bilhões, superior aos R$ 7.05 bilhões da edição anterior.
Dilvo Grolli, presidente do Conselho de Administração da Coopavel, atribui o sucesso do evento à qualidade das inovações apresentadas, ao substancial investimento das empresas em pesquisa e desenvolvimento e também à crescente e cada vez mais necessária busca dos produtores rurais por informações e conhecimentos que possam melhorar a qualidade da produção com custos menores e sustentabilidade.
“Foi um sucesso absoluto. Tivemos um público recorde e um volume de comercialização superior às edições anteriores, o que demonstra a confiança do produtor e a força do agronegócio brasileiro”, destacou Grolli. Para ele, o o desempenho do evento confirmou a confiança do produtor na tecnologia como caminho para o crescimento sustentável.
Neste ano, o produtor rural manteve a prioridade na eficiência produtiva, mesmo em um ambiente marcado pela pressão sobre os preços agrícolas e pelos custos financeiros elevados. Nesse contexto, a busca por tecnologias para ampliar a produtividade em áreas já consolidadas orientou as decisões de investimento e reforçou o papel da feira como vitrine de soluções para o agronegócio brasileiro. “O produtor nos deu mais um recado de que precisa de tecnologias. Não há novas fronteiras agrícolas. Temos que continuar crescendo em produtividade com o mesmo espaço que temos hoje”, acrescentou.

“O Show Rural promoveu um encontro entre a sociedade urbana e o meio rural, aproximando as pessoas da realidade da produção de alimentos” – Dilvo Grolli, presidente do Conselho de Administração da Coopavel
Eficiência no campo
A inovação tecnológica permaneceu como eixo central da feira e refletiu a prioridade dos produtores em elevar a eficiência produtiva diante de margens pressionadas e limitações de expansão territorial. Novas cultivares, avanços em melhoramento genético e soluções voltadas à precisão agronômica evidenciaram o papel da pesquisa científica no aumento da produtividade sem necessidade de ampliação de áreas cultivadas.
No campo das máquinas e equipamentos, soluções voltadas à eficiência operacional chamaram a atenção, com a inclusão de drones agrícolas de alta capacidade e tecnologias que ampliam a precisão das aplicações e reduzem perdas.
Agro digital e transformação do campo
A digitalização do agro ganhou protagonismo com o espaço dedicado à inovação tecnológica, que reuniu cerca de 160 startups e empresas especializadas em soluções para o campo. O ambiente apresentou ferramentas baseadas em dados, plataformas de gestão rural e sistemas de monitoramento que permitem decisões mais assertivas.
Além da exposição tecnológica, o espaço favoreceu conexões entre empresas, cooperativas e agroindústrias interessadas em modernizar processos e ampliar competitividade.
Crédito, seguro e investimentos
O acesso a crédito e instrumentos financeiros ocupou posição central na agenda do evento, refletindo a necessidade de capitalização para modernização produtiva e expansão agroindustrial. Cooperativas de crédito e instituições financeiras apresentaram linhas de financiamento, consórcios e seguros voltados à aquisição de máquinas, proteção patrimonial e ampliação da infraestrutura nas propriedades.
Durante reunião com lideranças cooperativistas realizada na Casa Paraná Cooperativo, representantes do sistema financeiro apresentaram novas alternativas de crédito voltadas ao setor. Entre as propostas, destacou-se o modelo BB Barter, que integra financiamento e comercialização da produção, oferecendo maior previsibilidade financeira, redução de riscos e melhoria do fluxo de caixa.
Segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, a solução pode ampliar a segurança das operações e fortalecer a capacidade de investimento das cooperativas. “É um modelo que garante recebimento da produção, melhora o fluxo financeiro e abre margens para novos investimentos”, afirmou.
Durante o encontro, lideranças cooperativistas reforçaram a necessidade de redução das taxas de juros, ampliação das linhas de investimento e fortalecimento do seguro rural. Também foi destacada a importância do crédito para viabilizar projetos agroindustriais, responsáveis por agregar valor à produção e ampliar a participação das cooperativas nas cadeias produtivas.
Estratégias de competitividade cooperativa
O Show Rural Coopavel consolidou-se como espaço estratégico para articulação institucional e fortalecimento da competitividade cooperativa. Encontros entre lideranças do setor discutiram financiamento da produção, expansão agroindustrial e adoção de tecnologias, evidenciando o papel da coordenação coletiva na viabilização de investimentos e acesso a mercados.
Durante reunião com representantes do cooperativismo agropecuário, foram apresentadas projeções atualizadas da safra e o papel das agroindústrias cooperativas na geração de valor. O setor reúne centenas de unidades industriais e segue ampliando sua capacidade de processamento, movimento considerado essencial para fortalecer a renda dos produtores e a competitividade internacional.
A transformação digital também integrou a agenda estratégica. O Fórum de Tecnologia da Informação das Cooperativas reuniu especialistas do Brasil e de países vizinhos para debater conectividade rural, inteligência artificial, cibersegurança e automação de redes. Para os participantes, a tecnologia deixou de ser suporte operacional e passou a ocupar posição central na gestão e na tomada de decisões.
Delegações cooperativistas de diferentes regiões brasileiras aproveitaram o evento para conhecer boas práticas e identificar soluções aplicáveis às suas realidades. A presença da comitiva de Rondônia, por exemplo, incluiu agenda técnica voltada à identificação de tendências e modelos produtivos capazes de fortalecer o cooperativismo agro no estado.
Além do intercâmbio nacional, o evento também estimulou cooperações internacionais. A assinatura de memorando entre a Coopavel e a entidade argentina Agricultores Federados Argentinos (AFA) estabeleceu bases para troca de conhecimentos e desenvolvimento conjunto em áreas como agroindústria, gestão e logística.
Presença internacional
A presença de delegações estrangeiras reforçou o caráter internacional da feira e ampliou seu papel como vitrine global de inovação agrícola. Produtores e especialistas visitaram o evento para conhecer tecnologias, sistemas produtivos e modelos de gestão aplicados no agro brasileiro.
Corey Nelson, agricultor canadense, destacou o interesse por soluções que aumentam a eficiência operacional. Segundo ele, tecnologias capazes de reduzir perdas e otimizar aplicações têm impacto direto na rentabilidade das lavouras. “Uma empresa apresentou um sistema para pulverizadores que reduz a perda por deriva, algo que chamou muito minha atenção”, relatou.
Já John Hopkins, produtor rural canadense, ressaltou a diversidade produtiva observada no país. Para ele, conhecer diferentes culturas em campo permite compreender melhor a dimensão e a complexidade da agricultura brasileira. “É interessante ver todas as culturas que o Brasil produz e em diferentes estágios de desenvolvimento”, afirmou.
Para Francisco Klein Silva, responsável pela articulação da missão técnica internacional, o interesse crescente de produtores estrangeiros demonstra a relevância do agro brasileiro. Ele observa que a dimensão do setor e a organização do evento despertam curiosidade técnica e oportunidades de cooperação. “Eles ficaram muito impressionados com a dimensão do agronegócio brasileiro e com a organização do evento. A partir desse contato, surgiu o interesse em formar um grupo específico para o Show Rural”, explicou.
Futuro do agro
Além dos negócios e das tecnologias, o evento abriu espaço para iniciativas voltadas à formação das novas gerações. Estudantes de escolas rurais participaram de visitas guiadas e conheceram temas ligados à produção agropecuária.
Para Maria Beatriz Orso, presidente da Comissão Feminina do Sindicato Rural de Cascavel, aproximar jovens da realidade do campo significa investir no futuro do setor. De acordo com a representante, o contato direto com tecnologias e práticas produtivas contribui para valorizar o agro e ampliar horizontes profissionais. “Quando aproximamos os jovens da realidade do campo, mostramos que há tecnologia, conhecimento e oportunidades dentro das propriedades rurais”, destacou.
Por João Victor, Redação MundoCoop












