As cooperativas de crédito chegaram a um novo patamar de reconhecimento no mercado financeiro brasileiro. Recentemente, o ranking divulgado pelo InfoMoney em parceria com TM20 Branding, Brazil Panels e Elos Ayta, destacou Sicoob e Sicredi, dois dos maiores sistemas de crédito cooperativo do país, entre as marcas mais valiosas, em levantamento que tradicionalmente reflete força reputacional, relevância econômica e capacidade de gerar confiança junto ao público.
A inclusão dessas cooperativas entre as mais valiosas do Brasil, sinaliza que o cooperativismo financeiro passou a ocupar um espaço de destaque quando o assunto é valor de marca, dividindo espaço com grandes instituições do sistema financeiro nacional.
Esse reconhecimento ocorre em um contexto de alta competitividade, digitalização acelerada e comunicação cada vez mais padronizada no setor financeiro. Nesse cenário, as marcas cooperativas passam a assumir um papel estratégico na diferenciação, na construção de confiança e na ampliação de sua relevância junto à sociedade.
Valorizando sua marca
Mais do que comunicar produtos ou serviços, o desafio agora é evidenciar o modelo cooperativo como uma proposta de valor distinta, capaz de combinar desempenho financeiro com impacto econômico e social. Para Flavio Pina, CEO da Loggia Group, esse avanço confirma a singularidade das cooperativas de crédito. “As cooperativas de crédito são instituições financeiras realmente únicas”.
Segundo ele, essas organizações reúnem atributos tradicionalmente associados a bancos e fintechs, como portfólio completo, proximidade territorial e jornadas digitais avançadas, mas carregam um diferencial que vai além da oferta e se conecta diretamente à forma como geram valor para pessoas, comunidades e territórios.

“O verdadeiro ‘superpoder’ das cooperativas não está no que elas entregam, está no como e, sobretudo, no para quê elas entregam” – FLAVIO PINA
Na avaliação de Pina, o maior ativo das cooperativas ainda não é plenamente percebido pelo público. “O verdadeiro ‘superpoder’ das cooperativas não está no que elas entregam, está no como e, sobretudo, no para quê elas entregam”. Esse diferencial se materializa no impacto econômico e social gerado nos territórios onde atuam.
Estudos comprovam esse efeito multiplicador. “A pesquisa FIPE/Sistema OCB de 2024 mostra, por exemplo, que a cada R$ 1,00 concedido em crédito por uma cooperativa, R$ 2,56 são movimentados na economia local, além de R$ 1,17 em valor adicionado”, destaca Pina. Ele acrescenta que “a cada R$ 1 milhão em crédito liberado, surgem em média 22,8 novos empregos formais e informais”. Tornar esses números visíveis é essencial para o fortalecimento das marcas.
Experiência e narrativa
Em um ambiente no qual a disputa por principalidade é intensa, comunicar esse diferencial exige coerência entre discurso e prática. “As cooperativas precisam ser excelentes na experiência digital, na confiança, na solidez e na segurança. Mas também precisam destacar aquilo que realmente as diferencia: a capacidade de gerar prosperidade para pessoas e comunidades”, afirma Pina.
Nesse contexto, duas frentes são fundamentais para o fortalecimento das marcas cooperativas: a experiência e a narrativa. A primeira está relacionada ao atendimento humano e consultivo. A segunda, à capacidade de mostrar o impacto real do cooperativismo no dia a dia das pessoas e das cidades.
“As cooperativas já estão num movimento muito positivo de afirmação de suas particularidades e esse movimento as protege dessa ameaça da padronização” – LEVI CARNEIRO

Para Levi Carneiro, Brand Advisor da Loggia Group, o cooperativismo tem avançado de forma consistente na afirmação de suas diferenças. “As cooperativas já estão num movimento muito positivo de afirmação de suas particularidades e esse movimento as protege dessa ameaça da padronização”, afirma.
Segundo ele, as marcas cooperativas ocupam um território com especificidades que destacam o movimento. “Elas têm um propósito coletivo, são abertas à participação democrática e, sobretudo, partilham seus resultados com os cooperados e as comunidades. Qual banco faz isso?”. Para Carneiro, o desafio é combinar propósito e performance. “É combinar o branding com a performance, o propósito com a entrega, a intenção e o gesto”.
Entre tantos fatores internos e externos, o crescimento das cooperativas financeiras também revela mudanças no comportamento dos consumidores. Para Pina, há fatores estruturais importantes, como eficiência operacional e capilaridade, mas o elemento central é outro. “Existe um atributo que aparece de forma consistente nos estudos e pesquisas: a confiança”.
Esse avanço também se reflete no fortalecimento das marcas. “A pesquisa do Sistema OCB registrou crescimento de 100% no awareness das marcas cooperativas entre 2019 e 2023”, lembra Pina.
Construindo reputação e novos públicos
Para Carneiro, a força das marcas cooperativas está diretamente ligada à experiência vivida pelos cooperados, e é esse fator que dará longevidade para o movimento, não apenas no ramo financeiro. “Não é só uma transação, é uma sequência de experiências, uma jornada”. Ele destaca a integração entre presença física e digital como um diferencial do setor, que reúne mais de 10 mil agências espalhadas pelo Brasil, muitas em lugares sem outra instituição financeira, só a cooperativa.
Segundo Levi, não se trata de inovação pela inovação. “É inovação para ficar mais perto, mais acessível, mais presente na vida das pessoas e suas comunidades”. Nesse sentido, a capacidade de dialogar com os jovens também se apresenta como um vetor de crescimento. “Hoje estima-se que em torno de 3 milhões dos cerca de 25 milhões de cooperados no Brasil estão entre 18 e 30 anos”, observa Carneiro. Para ele, o cooperativismo tem valores alinhados às expectativas dessa geração, mas precisa ampliar a escuta e diversificar suas formas de abordagem.
Pina compartilha dessa visão e aponta um cenário promissor. “O cooperativismo brasileiro tende a mudar de território simbólico”, afirma. Segundo ele, à medida que o modelo se torna mais familiar, a confiança cresce e a escolha pelas cooperativas se torna cada vez mais natural.
Ao consolidar marcas guiadas por propósito, impacto e proximidade, as cooperativas de crédito avançam para além do nicho e se afirmam como agentes relevantes do desenvolvimento econômico e social. O fortalecimento de suas marcas reflete a confiança construída nos territórios e a capacidade de transformar resultados financeiros em benefícios compartilhados.
As perspectivas são de continuidade desse ciclo positivo. Com maior visibilidade de seu impacto e comunicação mais clara de seus diferenciais, as cooperativas tendem a ampliar sua relevância no sistema financeiro. A nova era das marcas cooperativas aponta para um futuro em que crescer significa, cada vez mais, gerar valor sustentável para pessoas, comunidades e para a economia como um todo.
Por Leonardo César, Redação MundoCoop

Matéria exclusiva publicada na edição 127 da Revista MundoCoop












