Mesmo em um ambiente marcado por juros elevados e maior seletividade na concessão de financiamentos, o crédito rural tem sido sustentado pelas cooperativas de crédito, com avanços observados no agronegócio. Durante o Show Rural Coopavel, realizado entre 8 e 13 de fevereiro, em Cascavel (PR), foi evidenciado que Sicredi, Sicoob e Cresol ampliaram sua atuação no financiamento do setor, contrariando a percepção de retração generalizada de recursos no campo.
A análise foi apresentada em reportagem da Forbes Agro, que acompanhou o evento e destacou o papel do cooperativismo financeiro como agente relevante na sustentação do crédito rural em um cenário de maior rigor técnico.
Crédito rural é reconfigurado em cenário de juros altos
Atualmente, o mercado de crédito rural vem sendo reconfigurado em função do custo elevado do dinheiro. Com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, um processo de ajuste passou a ser observado, no qual maior seletividade e rigor técnico passaram a orientar as operações.
Segundo dados do Banco Central citados na reportagem, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o crédito empresarial contratado somou R$ 316,57 bilhões, crescimento de 6% em relação ao período anterior. Esse avanço foi impulsionado, sobretudo, pelas Cédulas de Produto Rural, que registraram alta de 37%, enquanto as linhas tradicionais de investimento recuaram 20%.
Nesse contexto, passou a ser observado um novo padrão no financiamento do agronegócio: menos contratos, valores médios mais elevados e maior predominância de instrumentos privados. Dessa forma, o crédito não deixou de existir, mas passou a ser direcionado de maneira mais técnica, seletiva e concentrada no custeio da produção.
Sicredi amplia carteira agro e diversifica soluções financeiras
No Sicredi, a expansão do crédito rural foi reforçada por indicadores consistentes. No primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, R$ 39 bilhões foram liberados, o que representou crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Ao final de 2025, a carteira agro alcançou R$ 120 bilhões, com expansão de 13,5%.
Paralelamente, a atuação como agente repassador de recursos do BNDES foi ampliada. A carteira de repasses superou R$ 34 bilhões e, apenas em 2025, R$ 11 bilhões foram distribuídos via banco de fomento, sendo R$ 8,6 bilhões destinados a programas agropecuários.
Além do crédito tradicional, a diversificação de soluções financeiras foi intensificada. Em 2025, R$ 15 bilhões em créditos ativos de consórcios foram comercializados, sendo R$ 3,2 bilhões voltados ao agronegócio. No seguro rural, 113 mil apólices foram contratadas, protegendo mais de R$ 58 bilhões em benfeitorias e máquinas e R$ 2,4 bilhões em lavouras. Durante o Show Rural Coopavel, até R$ 2,5 bilhões em crédito foram colocados à disposição dos produtores.
Sicoob acelera negócios no Show Rural e projeta expansão em 2026
No caso do Sicoob, a aceleração dos negócios durante o Show Rural Coopavel 2026 foi destacada como um dos principais indicadores de dinamismo do crédito rural. No evento, R$ 4,2 bilhões em operações foram protocolados, dos quais R$ 3,4 bilhões estiveram relacionados a crédito rural e operações de CPR-F.
Em 2025, a carteira total do sistema registrou crescimento de 17%, desempenho superior aos 10,2% observados no Sistema Financeiro Nacional. Para 2026, a meta estabelecida é alcançar expansão de 20%, mesmo em um ambiente macroeconômico mais restritivo.
No atual Plano Safra, cerca de R$ 60 bilhões foram aportados ao agronegócio, representando incremento de 8%. A estratégia de ampliação territorial também foi ressaltada, com mais de 4,7 mil pontos de atendimento distribuídos pelo país, especialmente em municípios onde o crédito segue sendo instrumento central de dinamização econômica.
Cresol avança no Plano Safra e consolida escala no cooperativismo financeiro
Na Cresol, a atuação no ciclo atual foi reforçada por números objetivos. Até 10 de fevereiro, R$ 10,2 bilhões foram liberados no Plano Safra 2025/2026, distribuídos em mais de 87 mil propostas. O ticket médio foi de R$ 117,6 mil, com predominância do custeio, que respondeu por 64,6% das operações.
Ao completar 30 anos de atuação, a cooperativa somou R$ 53 bilhões em ativos e R$ 43 bilhões em carteira de crédito total. No segmento agropecuário, mais de R$ 56,5 bilhões foram liberados ao longo de sua trajetória. A Cresol alcançou a marca de mil agências, sendo 75% delas localizadas em municípios com até 50 mil habitantes. Em 2025, a carteira sustentável atingiu R$ 12 bilhões.
Cooperativas atuam como amortecedor regional do crédito
Por fim, em um ambiente marcado pela retração das fontes não controladas de financiamento, que recuaram 25% no semestre, uma reorganização estrutural do crédito rural foi evidenciada. Nesse cenário, as CPRs passaram a responder por 47% do total concedido no ciclo atual, ante 34% na safra anterior.
Dessa forma, apesar dos juros elevados, o crédito rural segue disponível no país. A continuidade do financiamento tem sido viabilizada por critérios técnicos mais rigorosos e pela atuação regional das cooperativas de crédito, que mantêm os recursos circulando nas economias locais e sustentam a atividade produtiva no campo.
Fonte: Portal do Cooperativismo Financeiro com adaptações da MundoCoop












