O cooperativismo brasileiro mantém posição de destaque no cenário internacional. De acordo com o World Cooperative Monitor (WCM) 2025, o Brasil reúne 21 cooperativas entre as 300 maiores do mundo, desempenho que reforça a relevância econômica do modelo nacional em um ambiente global marcado por alta competitividade e transformações constantes.
Produzido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em parceria com o Instituto Europeu de Pesquisa sobre Empresas Cooperativas e Sociais (Euricse), o levantamento analisa o desempenho econômico das maiores cooperativas e mútuas do planeta. A edição de 2025 tem caráter especial por coincidir com o Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), e reúne, além de dados financeiros, entrevistas com lideranças cooperativistas de diferentes regiões.
Desempenho alinhado à expansão global
O WCM 2025 aponta crescimento consistente do faturamento agregado das 300 maiores cooperativas do mundo ao longo dos últimos anos. Em 2017, essas organizações movimentavam US$ 1,9 trilhão. Em 2019, o valor passou para US$ 2,05 trilhões, avançou para US$ 2,21 trilhões em 2021 e atingiu US$ 2,78 trilhões em 2023, considerando a taxa média de câmbio de cada período.
A distribuição regional do ranking mostra concentração na Europa, com 169 cooperativas listadas, seguida pelas Américas, com 86, pela região Ásia-Pacífico, com 44, e pela África, com uma organização. Nesse contexto, a presença brasileira acompanha a expansão global do cooperativismo e insere o país entre os principais polos do setor.
Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, o resultado reflete a consolidação de um modelo estruturado. “Ficamos extremamente felizes com o reconhecimento do nosso modelo de negócios que tem todos os requisitos para ser ainda maior e mais presente nos próximos anos”, afirmou.
Capilaridade nacional
As cooperativas brasileiras presentes no ranking atuam em diferentes segmentos da economia, com destaque para os ramos agropecuário, crédito, saúde e consumo. Entre as organizações listadas estão:
- Sistema Unimed
- Copersucar
- Sicredi
- Coamo
- C. Vale
- Sicoob
- Lar
- Aurora Alimentos
- Comigo
- Cocamar
- Copacol
- Alfa
- Integrada
- Agrária Agroindustrial
- Coopercitrus
- Castrolanda
- Frísia
- Frimesa
- Coopavel
- Cooxupé
- Coop de Consumo.
A variedade de ramos evidencia a capilaridade do cooperativismo no país e sua inserção em cadeias produtivas estratégicas, do campo ao sistema financeiro, passando por saúde e abastecimento. Ao longo dos últimos anos, cooperativas brasileiras ampliaram escala, integraram operações e fortaleceram presença em mercados interno e externo.
Segundo a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o desempenho das maiores cooperativas no ranking internacional confirma a capacidade de crescimento do movimento. “O crescimento contínuo das maiores cooperativas globais demonstra que o movimento é capaz de crescer de forma constante e consistente, mesmo em cenários desafiadores”, destacou.
O WCM 2025 também evidencia a evolução histórica da presença brasileira no levantamento. Cooperativas do país passaram a aparecer com maior regularidade a partir da década de 2010, ganharam protagonismo nos ramos de saúde suplementar e agroindustrial e, a partir de 2018, ampliaram a participação do cooperativismo de crédito. Em 2025, o Brasil consolida sua posição entre os países com maior número de cooperativas no ranking, reunindo 21 organizações entre as 300 maiores do mundo.
Fontes: Sistema OCB e Agro Revenda, com adaptações da MundoCoop












