• POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • CONTATO
  • MÍDIA KIT
MundoCoop - Informação e Cooperativismo
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • ECONOMIA & FINANÇAS
  • DESTAQUES
  • AGRONEGÓCIO
  • GESTÃO & NEGÓCIOS
  • ACONTECE NO SETOR
  • SOCIAL
  • INTERNACIONAL
  • ENTREVISTA
  • ECONOMIA & FINANÇAS
  • DESTAQUES
  • AGRONEGÓCIO
  • GESTÃO & NEGÓCIOS
  • ACONTECE NO SETOR
  • SOCIAL
  • INTERNACIONAL
  • ENTREVISTA
Sem resultado
Ver todos os resultados
MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Cooperativas na era da IA: como preservar a identidade em um mundo cada vez mais padronizado

Mundo Coop POR Mundo Coop
23 de janeiro de 2026
DESTAQUES, DESTAQUES DA REVISTA
Cooperativas na era da IA: como preservar a identidade em um mundo cada vez mais padronizado

Cooperativas na era da IA: como preservar a identidade em um mundo cada vez mais padronizado

CompartilheCompartilheCompartilheCompartilhe

Num mundo em que o uso da inteligência artificial avança de forma cada vez mais rápida, é preciso ter cuidado com o paradoxo que invade o campo do marketing: ao mesmo tempo em que a tecnologia oferece eficiência e capacidade inédita de personalização, também coloca em risco crescente a padronização. Ou seja, marcas começam a soar iguais, seguir os mesmos padrões visuais e narrativos, recorrendo aos mesmos modelos de linguagem. Desta forma, esse movimento ameaça especialmente organizações que constroem sua força na singularidade, como é o caso das cooperativas.  

Os números comprovam que trazer a IA para dentro do negócio é uma decisão quase unânime: segundo dados da All about AI de 2025, cerca de 78% das empresas no mundo já utilizam inteligência artificial em pelo menos uma função da operação. No Brasil, entre as empresas industriais de médio e grande porte, o uso da IA saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, o que representa um crescimento de 163% em apenas dois anos, de acordo com dados da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para Luiz Edmundo, supervisor de comunicação e marketing da Cresol MG, as instituições preservam sua identidade quando mantêm o propósito no centro das decisões tecnológicas.

COMUNICACAO 2 LUIZ EDMUNDO copiar

“A IA pode padronizar processos, mas valores e essência, não. Esses são diferenciais que precisam orientar qualquer uso da tecnologia. Usa-se IA para servir pessoas, não para padronizá-las. Ela é a tecnologia de propósito geral, de base” – Luiz Edmundo, supervisor de comunicação e marketing da Cresol MG

O especialista diz, ainda, que a principal ameaça está justamente na diluição da identidade. Ele observa que, se uma cooperativa se limita a usar IA apenas para “otimizar” conteúdos, ela corre o risco de abrir mão de seu diferencial: “a IA tende a puxar tudo para um mesmo centro de eficiência. Se a cooperativa seguir esse caminho sem crítica, vira uma repetição do que o algoritmo entende como ‘melhor prática’. Mas melhor para quem? Para a comunidade ou para o engajamento de curto prazo? Somos comunidades organizadas, não startups do Vale do Silício. Nossos valores importam mais que métricas universais”, alerta.

A leitura é semelhante para Alberto Meneghetti, diretor da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro, a ABMRA, que vê um risco amplo na adoção acrítica de ferramentas automatizadas. “Se todo mundo utilizar os mesmos prompts, os mesmos modelos e os mesmos fluxos, o mercado será inundado por conteúdos parecidos, campanhas parecidas, marcas parecidas. Isso mata competitividade e, especialmente, mata vínculos humanos. E cooperativa não existe sem vínculo humano”, afirma.

Ele reforça que a identidade se preserva quando a cooperativa sabe quem é, de acordo com sua missão, valores e propósito, antes mesmo de apertar o botão da IA. “A tecnologia otimiza, mas é o conteúdo humano que diferencia. A IA não substitui cultura; ela apenas amplifica aquilo que já existe. E isso fica ainda mais claro quando vemos que 71% dos profissionais de marketing já usam IA para criação de conteúdo, segundo uma pesquisa da IAB Brasil/Nielsen. Com tanta automação, a autenticidade se torna ainda mais valiosa”, opina.

Meneghetti destaca que o agronegócio vive essa transformação com intensidade: “O setor já trabalha com tecnologias de precisão, mas o marketing precisa continuar humano. Se o produtor rural perceber que está falando com uma máquina que diz as mesmas coisas que outras dez empresas dizem, perde-se relação, confiança e legitimidade”, destaca.

Como preservar a singularidade cooperativista em um ambiente padronizado pela IA

Para Luiz Edmundo, do marketing da Cresol, a preservação da identidade começa com consciência estratégica. Ele afirma que a cooperativa tem de saber exatamente o que representa para sua comunidade pois, nesse setor, a singularidade nasce do território, das histórias de vida dos cooperados, da cultura regional e da causa social defendida. “Usar a IA, por exemplo, como ferramenta no marketing humano, requer alguns cuidados para não ‘destruir’ a estratégia que permeia a singularidade. Ou seja, é crucial manter a voz real das pessoas, o foco em pessoas, uma comunicação autêntica que construa relacionamento e laços de confiança. Campanhas com narrativas locais, sotaques, rituais da comunidade e causas sociais reais criam uma marca viva, não genérica. Estamos falando de ativos que não podem ser delegados a algoritmos. A IA apoia, mas não conduz”, explica.

Neste cenário, ele chama atenção para a necessidade de criar rituais internos que reforcem esse movimento. “É importante o relacionamento ser construído através de proximidade. E, para isso, precisa-se de escuta ativa com cooperados, rodas de conversa, encontros presenciais, visitas periódicas, focar em histórias reais e na realidade da comunidade, além de campanhas com rostos conhecidos localmente. Comunicar com calor humano e humildade, mantendo a IA como suporte e não substituto da interação social”, ensina Luiz.

Meneghetti vai além e afirma que cultivar singularidade deve ser uma decisão intencional: “É preciso cultivar o ‘estranho’, aquilo que só aquela cooperativa faz e entende. Isso não sai de uma base de dados, mas da vivência, do território, do campo. A IA ajuda a organizar, mas não gera autenticidade. Por isso é essencial ter conversas presenciais, assembleias, relatos dos cooperados, visitas de campo, escuta ativa e valorização das histórias reais. A IA pode registrar e organizar, mas o vínculo nasce da proximidade humana”, define.

Para ele, todo cuidado é pouco. “Muitas empresas globais perceberam que materiais criados por IA começaram a ‘parecer iguais’. A reação tem sido fortalecer brand books, construir tom de voz próprio e treinar modelos com dados internos”, alerta ele, acrescentando que o maior desafio é cultural: as cooperativas devem entender que IA não substitui ninguém, apenas reorganiza o trabalho.

Outro ponto é capacitar equipes, a partir do RH, não exclusivamente da área da TI, e garantir que o uso da tecnologia esteja alinhado ao propósito cooperativista. “Muitos ainda têm dúvidas – 33% dos profissionais não sabem se suas empresas têm métricas para avaliar o uso da IA”, pontua.

Os especialistas também comentam a relação da IA com as métricas que importam para as cooperativas. De acordo com Luiz Edmundo, “se tudo for guiado por cliques, likes e alcance, a cooperativa trabalha para a plataforma, não para a comunidade”, diz, defendendo indicadores alternativos, alinhados ao cooperativismo: “é preciso ter participação ativa dos membros, impacto local, laços comunitários. Isso é sucesso de marca para nós. A IA precisa se adaptar a isso, não o contrário”, avalia.

Meneghetti complementa afirmando que o agronegócio já percebe que métricas superficiais produzem pouca relação no longo prazo: “Engajamento não é fidelidade. Alcance não é relevância. A cooperativa deve medir o que transforma a realidade do cooperado, não o que agrada os algoritmos.”

Por isso, ambos destacam o perfil democrático das cooperativas como proteção contra a padronização, onde a governança cooperativa é uma vantagem competitiva. “Todas as decisões do cooperativismo não são tomadas por um CEO olhando para um relatório de métricas. Elas são tomadas pelo coletivo, que sabe que identidade é patrimônio”, opina Luiz Edmundo.

Meneghetti reforça esse entendimento: “a discussão sobre uso da IA tem de passar pelo conselho, pelos líderes locais, pelos produtores. Esse processo mais lento é, na verdade, uma força. Ele impede que a tecnologia vire modismo e garante a sua aderência cultural.”

O futuro: cooperativas fortes, marcas autênticas e IA a serviço das pessoas

A visão dos especialistas converge em um ponto: a inteligência artificial pode impulsionar o cooperativismo, desde que usada com propósito, cautela e foco na comunidade. Para Alberto Meneghetti, diretor da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), o maior potencial está na capacidade de reforçar vínculos e organizar o território. “A IA pode mapear demandas, organizar informações, ajudar a entender o território. Isso empodera o trabalho humano, não o substitui.”

Luiz Edmundo, supervisor de comunicação e marketing da Cresol MG, destaca que a tecnologia deve amplificar narrativas locais, não substituí-las.

COMUNICACAO 2 ALBERTO copiar

“Se usarmos IA para amplificar a voz da comunidade, não para substituí-la, teremos o melhor dos dois mundos.” – Alberto Meneghetti, diretor da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA)

Ambos defendem que a próxima década exigirá estratégia e identidade clara. “A cooperativa deve se preparar para IAs cada vez mais sofisticadas, mas com um princípio inegociável: identidade não se terceiriza”, antecipa Luiz Edmundo.

Meneghetti complementa: “tecnologia é meio, nunca fim. E a marca que sobreviverá à era da IA será aquela que tiver algo humano, verdadeiro e irrepetível, aquilo que algoritmo nenhum consegue copiar.”

Dicas para cooperativas usarem IA sem perder identidade

  • Equilibre velocidade e consistência: use a agilidade da IA sem abrir mão de narrativas estruturadas e coerentes ao longo dos anos.
  • Mantenha o propósito como norte: trate o propósito cooperativista como elemento inegociável em qualquer decisão tecnológica.
  • Valorize histórias reais: baseie a comunicação nas vivências da comunidade, preservando sotaques, culturas e singularidades do território.
  • Use IA como suporte, não substituição: a tecnologia deve acelerar processos, mas nunca substituir cultura, relacionamento e vínculo humano.
  • Respeite o tempo da comunidade: a adoção tecnológica deve seguir o ritmo dos cooperados, e não a pressa dos algoritmos.
  • Fortaleça a personalidade da marca: treine modelos com conteúdo próprio, cases reais e linguagem local para evitar homogeneização.
  • Priorize conexão humana: mantenha contato próximo, escuta ativa e presença territorial — a IA organiza, mas não cria vínculo.
  • Use tecnologia como acelerador, não guia: a identidade deve liderar; a IA apenas amplifica aquilo que já é autêntico.
  • Aprenda com cases consistentes: marcas que assumem compromissos reais, e não apenas narrativas, são as que de fato se destacam.

Por Leticia Rio Branco

WhatsApp Image 2025 12 22 at 10.24.49

Matéria exclusiva publicada na edição 127 da Revista MundoCoop

LEIA A EDIÇÃO DIGITAL COMPLETA
ANTERIOR

Cooperativa europeia de laticínios completa transição para energia renovável

PRÓXIMA

Confebras leva líderes cooperativos para estudar modelo Mondragón na Espanha

Mundo Coop

Mundo Coop

Relacionado Posts

Pesquisa do EBPC aponta eficiência das cooperativas de crédito no sistema financeiro brasileiro
DESTAQUES

Pesquisa do EBPC aponta eficiência das cooperativas de crédito no sistema financeiro brasileiro

21 de janeiro de 2026
Cooperativas impulsionam profissionalização de pequenos empreendedores
DESTAQUES

Cooperativas impulsionam profissionalização de pequenos empreendedores

20 de janeiro de 2026
Adalberto Felinto da Cruz Júnior é chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e Instituições Não Bancárias (Desuc)
DESTAQUES

O futuro do sistema financeiro passa pelas cooperativas

19 de janeiro de 2026
Tecnologia com propósito: como a IA generativa pode fortalecer o cooperativismo
DESTAQUES

Tecnologia com propósito: como a IA generativa pode fortalecer o cooperativismo

16 de janeiro de 2026
Ano Internacional das Cooperativas passa a integrar agenda decenal da ONU
DESTAQUES

Ano Internacional das Cooperativas passa a integrar agenda decenal da ONU

15 de janeiro de 2026
Cooperativas ampliam protagonismo na resposta a crises ao redor do mundo
DESTAQUES

Cooperativas ampliam protagonismo na resposta a crises ao redor do mundo

13 de janeiro de 2026

NEWSLETTER MUNDOCOOP

* Preenchimento obrigatório

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Cooperativa Cooperemb educa 4 mil pessoas em finanças e arrecada 1,5 tonelada de alimentos em programa social
SOCIAL

Cooperativa Cooperemb educa 4 mil pessoas em finanças e arrecada 1,5 tonelada de alimentos em programa social

23 de janeiro de 2026
Confebras leva líderes cooperativos para estudar modelo Mondragón na Espanha
ACONTECE NO SETOR

Confebras leva líderes cooperativos para estudar modelo Mondragón na Espanha

23 de janeiro de 2026
Cooperativas na era da IA: como preservar a identidade em um mundo cada vez mais padronizado
DESTAQUES

Cooperativas na era da IA: como preservar a identidade em um mundo cada vez mais padronizado

23 de janeiro de 2026
LinkedIn Instagram Facebook Youtube

FALE COM A MUNDOCOOP

MundoCoop - Informação e Cooperativismo

ANUNCIE: [email protected]
TEL: (11) 99187-7208
•
ENVIE SUA PAUTA:
[email protected]
•
ENVIE SEU CURRÍCULO:
[email protected]
•

EDIÇÃO DIGITAL

CLIQUE E ACESSE A EDIÇÃO 127

BAIXE NOSSO APP

NAVEGUE

  • Home
  • Quem Somos
  • Revistas
  • universocoop
  • EVENTOS
  • newsletter
  • Anuncie

1999 - 2025 - © MUNDOCOOP. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Home
  • Revista MundoCoop
  • Biblioteca
  • Newsletter
  • Quem Somos
  • Eventos
  • Anuncie

1999 - 2025 - © MUNDOCOOP. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para que os cookies sejam usados. Visite o nosso Política de Privacidade e Cookies.