Mesmo diante da forte redução da presença física de instituições financeiras no Brasil, o cooperativismo de crédito tem mantido uma trajetória de expansão e proximidade com as comunidades ao redor do país. No cenário atual, marcado pelo fechamento de agências bancárias tradicionais, três estados brasileiros apresentam uma configuração distinta: Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, onde cooperativas financeiras lideram o número de agências entre as instituições financeiras consideradas individualmente no território estadual.
O recorte considera exclusivamente o número de agências físicas por instituição em cada estado, sem incluir outros formatos de atendimento ou a soma total do sistema financeiro.
O dado evidencia a consolidação do modelo cooperativo como alternativa relevante dentro do Sistema Financeiro Nacional. Sob esse entendimento, as cooperativas ampliam a capilaridade do atendimento enquanto os bancos tradicionais reduzem sua participação física nos municípios brasileiros.
Presença territorial em um cenário de retração
Nos últimos anos, o sistema bancário brasileiro passou por uma reestruturação significativa. Em março de 2015, o país contava com 23.154 agências bancárias, número que caiu para 15.529 em 2025, o que representa o fechamento de 7.625 unidades, redução de 32,9% no período.
Grandes instituições lideraram esse movimento de enxugamento. Desde 2015, Bradesco e Itaú encerraram 2.550 e 2.198 agências, respectivamente, seguidos por reduções promovidas por Banco do Brasil, Santander e Caixa. A digitalização dos serviços e o avanço das fintechs ajudaram a acelerar essa mudança estrutural no modelo de atendimento.
Em sentido oposto, o cooperativismo financeiro tem reforçado a presença física como estratégia de relacionamento. O Sicredi, por exemplo, mantém atuação em mais de 2.200 municípios brasileiros, sendo a única instituição financeira presente em cerca de 200 deles.
Além da ampla presença física, o Sicredi também se destaca pela presença tanto nos grandes centros uranos quanto em localidades de menor densidade econômica, contando com uma das maiores redes de atendimento do país.
Esse movimento também se reflete nas grandes cidades. Na capital paulista, o sistema cooperativo inaugurou oito novas agências recentemente, ampliando a presença em bairros de diferentes regiões do estado.
Crescimento do cooperativismo financeiro
A expansão das cooperativas também aparece nos indicadores do setor. Dados do Banco Central apontam que, em 2024, os ativos das cooperativas de crédito cresceram 21%, ritmo superior ao observado entre bancos tradicionais, que avançaram 13% no mesmo período.
Hoje, o cooperativismo de crédito soma mais de 10,2 mil pontos de atendimento no país e está presente em 58% dos municípios brasileiro e se consolidando como a maior rede de atendimento financeiro do Brasil.
Outras instituições cooperativas também ampliam presença. A Cresol, por exemplo, reúne mais de 1 milhão de cooperados, atua em 20 estados brasileiros, contando com mais de 1000 agências, o que reforça a participação da instituição no relacionamento próximo das comunidades atendidas.
Esse conjunto de indicadores ajuda a explicar a força do cooperativismo em regiões onde o sistema financeiro tradicional recua. Nos estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, onde cooperativas lideram em número de agências no comparativo entre instituições individuais, o modelo se consolida como uma alternativa capaz de combinar capilaridade territorial, inclusão financeira e estímulo às economias locais.
Por João Victor, Redação MundoCoop












